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FALTOU O GOL MAIS UMA VEZ

Publicado às 08h55 deste domingo, 25 de Março de 2018.
O Santos largou atrás no duelo diante do Palmeiras por uma vaga a final do Paulistão 2018. Em uma noite com um público apenas razoável (quase 17 mil pagantes e pouco mais de 19 mil presentes), no Pacaembu, o time da capital venceu por 1 a 0, gol de William e joga por um empate no mesmo Estádio, na próxima terça-feira (27), para ir a decisão. Ao Peixe resta vencer por dois gols de diferença ou uma vitória simples para decidir quem será o finalista nos pênaltis. O alvinegro não perdia no Pacaembu, há quatro anos. A última derrota tinha sido na primeira partida da final do estadual de 2014 para o Ituano, por 1 a 0.


A proposta santista era de se defender bem e contra-golpear. Entretanto, bastou 11 minutos para o toque de bola palmeirense envolver com facilidade a retaguarda santista, que de forma surpreendente, não conseguiu contra-atacar e sofrer o gol.

Os primeiros 45 minutos, o time paulistano ficou com a bola, botou o time santista na "roda" e só sofreu nos minutos finais quando o goleiro Jaílson (que só atuou no clássico sob efeito de uma liminar, pois pegou um gancho de três jogos), começou a aparecer e evitar o empate. Ele fez uma linda defesa em cabeçada de Renato e evitou a igualdade.

Mesmo sem mudanças no time, o Peixe voltou diferente para o segundo tempo. O Palmeiras não acelerava mais o jogo e perigosamente recuou. O alvinegro que não marca gols há três jogos, parava novamente em Jaílson, que vive ótimo momento. Ele defendeu um chute de Rodrygo, uma cabeçada de Vitor Bueno e tenho dúvidas (ainda não vi o replay na TV), se Tchê Tchê, não cometeu penalidade em Gabriel Barbosa. O Santos desperdiçou a chance não só de empatar, mas também de virar o placar, na segunda metade da partida e vai em desvantagem para o jogo da volta com mando dos palmeirenses, na próxima terça-feira (27) às 20h30.

A diferença técnica de um time para o outro é grande, mas na segunda etapa, o Santos mesmo com limitações em alguns setores, conseguiu se superar e podia voltar com um placar melhor para a casa. O time da Vila nos últimos oito jogos só venceu um e no estadual, não ganha há seis partidas.

Cheguei a falar na TV, durante o começo da semana, que este time santista não vai conquistar campeonatos este ano, que é de afirmação, maturação, principalmente para os jovens, para que eles estejam com "rodagem" e mais "cascudos" possam encarar de igual para igual uma instituição milionária, melhor organizada (é duro escrever isso, mas é a pura verdade) como a do Palmeiras, em busca dos títulos. Fui muito criticado, por isso, mas continuo convicto, de que se manter essa espinha dorsal e com um pouco mais de "coragem" e acerto em algumas poucas contratações pontuais, esse time tem tudo para virar um candidato em potencial, na temporada seguinte.

Foi o encontro de um time organizado, com os melhores jogadores do país, contra uma equipe em formação, que carece de pelo menos um armador e que tem neste setor, o meio-campo, a sua maior carência e só sabe jogar de uma forma, de maneira reativa. 

E para não ser oportunista, respondendo se efetivamente, o Santos teria uma chance maior se mandasse na Vila, em razão da limitação do material humano existente no plantel? Teoricamente, até creio que sim. Mas o argumento cairia por terra, ao lembrarmos que no meio de semana, o time de Jair Ventura apenas empatou diante do Botafogo-SP, dentro do alçapão e só avançou a próxima fase nos pênaltis e já tinha perdido para o Bragantino, no começo da competição (nem cito o jogo contra o São Bento, pois, atuou com um time inteiramente reserva).

Se dá para sonhar com a classificação? Muito difícil. Mas é perfeitamente normal se o Santos vencer o duelo de terça-feira pelo placar mínimo e levar para as penalidades máximas. Também não é menos verdade, que é o mais improvável. 

SANTOS 0x1 PALMEIRAS 
Estádio do Pacaembu - São Paulo (SP)  
Árbitro: Flavio Rodrigues de Souza (SP)  
Público/renda: 16.916 pagantes / R$ 723.270,00
Cartões amarelos: Daniel Guedes e Alison (SFC); Antônio Carlos, Thiago Santos e Dudu (PAL)
GOL: Willian (11'/1ºT) (0-1)
SANTOS: Vanderlei; Daniel Guedes, David Braz, Lucas Veríssimo e Dodô; Alison, Renato (Vitor Bueno, aos 35'/2°T), Diogo Vitor (Rodrygo, aos 20'/2°T) e Arthur (Jean Mota, aos 31'/2°T); Sasha e Gabriel Barbosa. Técnico: Jair Ventura 
PALMEIRAS: Jailson, Marcos Rocha (Tchê Tchê, aos 6'/2ºT), Antônio Carlos, Thiago Martins e Victor Luis; Bruno Henrique (Moisés, aos 23'/2ºT), Felipe Melo (Thiago Santos, aos 25'/2°T) e Lucas Lima ; Willian, Keno e Dudu. Técnico: Roger Machado.


NOTAS DOS JOGADORES DO SANTOS
Vanderlei: Fez uma grande defesa no primeiro tempo. Seguro. Sem culpa no gol. Falhou em uma saída com os pés e quase Lucas Lima faz o gol. O árbitro assinalou uma falta - 6,0
Daniel Guedes: Sofreu para marcar Dudu e principalmente Keno. Não conseguiu apoiar com qualidade. - 4,5 
David Braz: Teve trabalho para ir na cobertura pela lateral. Também foi envolvido no gol palmeirense. - 5,0
Lucas Veríssimo: O melhor da defesa. Ainda assim, com muitas dificuldades na saída de bola, quando o Palmeiras marcou na linha alta. - 5,5
Dodô: Com a bola nos pés é inegável que tem qualidade, porém, dá muito espaço na marcação. Foi no seu setor que o gol palmeirense tem origem. Fez bom segundo tempo, no apoio. - 5,0
Alison: Um monstro. Evoluiu demais. Teve de se desdobrar mais uma vez. No começo da partida, não sabia se cobria a lateral esquerda ou preenchia o meio, tamanha a ineficiência da marcação santista. - 6,5
Renato: Era o responsável pela inversão da bola no meio-campo. Pouco apareceu, mas ainda assim, quase empatou o jogo no fim do primeiro tempo de cabeça e viu a bola parar na mão do ótimo goleiro Jaílson. - 5,0
(Vitor Bueno): Entrou nos 10 minutos finais. Teve uma chance, que também parou em Jaílson. - 5,5
Diogo Vitor: Tem talento, entretanto, tomadas de decisões ruins. Não é armador e sim poderia ser um meia que chega a frente. Desperdiçou contra-ataques que poderiam resultar em gols. - 4,5
(Rodrygo): Botou fogo no jogo. Entrou primeiro de meia, posição que jogou algumas vezes no sub-15 e 17 sob o comando do ótimo Luciano Santos. Foi para cima com dribles e velocidade. Rapidamente Róger Machado, colocou Moisés para acompanhá-lo individualmente. Viu um chute que tinha tudo para entrar parar nas mãos de Jaílson. Foi deslocado para a ponta, onde gosta de jogar, após a entrada de Jean Mota. Daí em diante, só recebeu bolas de costas e não produziu mais com a mesma desenvoltura. - 6,5
Arthur: Após a mudança do esquema 4-1-4-1 para o 4-4-2 e sem um armador clássico, os homens de beirada do Santos, recebem mais de costas. Até virar, já chegou cobertura, sobra. Pouco acionado. - 5,0
(Jean Mota): Não conseguiu fazer o Santos mais rápido na transição. Discreto. - 5,0
Sasha: Deu dó no primeiro tempo. Corria feito um louco, assim como Alison e tava isolado e encaixotado, na marcação palmeirense. No segundo tempo, pouco apareceu. - 5,5
Gabriel Barbosa: Prejudicado por estar isolado na frente, com as linhas muito distantes. Levantou a ira do companheiro Arthur e todo o estádio do Pacaembu ao permanecer egoísta, como na última quarta-feira e não servir o companheiro. Foi presa fácil para a marcação palmeirense. Teve uma chance que também parou em Jaílson. Quer chutar todas, mesmo desequilibrado algumas vezes. - 4,5
Técnico: Jair Ventura: Não conseguiu bloquear os lados para os avanços palmeirenses. Erra ao sacar Vecchio do time e nunca mais recolocá-lo. Se o argentino que é segundo volante, não é um meia-clássico, foi o que melhor funcionou na função carente da equipe, em razão de ter um ótimo índice de acertos de passes. Poderia ter arriscado mais e colocado a juventude de Guilherme Nunes de titular para bloquear os corredores dos lados e não sobrecarregar Alison. Conseguiu melhorar o posicionamento do time no intervalo. Acertou em testar Rodrygo vindo de trás,  nos 20 minutos finais, mesmo não sendo a função que o "crioulo" tem seu melhor desempenho. A exemplo da maioria do time, está pegando bagagem. Não está pronto, mas ainda classifico como promissor. - 5,5


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