ANO NOVO, RUMO ANTIGO?

Publicado às 00:52 desta sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
(*) Pedro La Rocca

Ao sair de Curitiba com uma dolorosa derrota diante do Athletico-PR, o Santos iguala a campanha de 2025 após três rodadas com um empate e dois resultados negativos, porém com um de saldo a menos em 2026. Na derrota por 2x1, Thaciano marcou para o Peixe, enquanto Julimar e Viveros deram três pontos aos locais.

Vojvoda escalou um time com média de idade bem inferior a de jogos anteriores (26,3). Além das manutenções de Bontempo e Miguelito, o treinador promoveu as entradas de Lira, Menino e Thaciano, nas vagas de Escobar, Barreal e Gabigol respectivamente.

Apesar da felicidade do comandante na escalação, algo que poucas vezes aconteceu em 2026, Zé Ivaldo colocou tudo por água abaixo no primeiro minuto de partida após puxar o adversário sem bola dentro da área e dar um pênalti de graça.

O Santos, porém, não se desesperou com o gol sofrido logo no começo e com o passar dos minutos se tornou melhor no jogo, principalmente pelo meio-campo mais leve e dinâmico - algo que cobrávamos desde o início da temporada.

Não demorou muito para o time da Vila empatar o jogo aos 17 minutos com Thaciano, depois de jogada entre Bontempo e Miguelito. A dupla voltaria a protagonizar boas jogadas até o final do primeiro tempo, mas as outras cinco finalizações do Alvinegro não saíram com qualidade.

Ainda bem no jogo, o Santos voltou para o segundo tempo com três oportunidades de contra-ataque em poucos minutos, mas pecou no último passe e na tomada de decisão. A sensação era parecida com a de Chapecó - com o mínimo de esforço o Peixe saía do sul do país com três pontos na bagagem.

Com 67 minutos, Vojvoda trouxe a primeira leva de substituições. Barreal e o estreante Moisés nas lacunas deixadas por Miguelito e Bontempo. Rony foi para a direita. Tão feliz quanto na escalação, o argentino foi nessa substituição. 

Moisés teve três chances de finalizar - conseguiu duas com muito perigo. Teve coragem de enfrentar os marcadores e fez boas movimentações em todos os lances. Coragem essa que faltou ao treinador no final do jogo. 

Na segunda leva de alterações, o argentino jogou todas suas boas decisões no lixo. Colocou Basso como terceiro zagueiro e Lautaro. O erro aqui não está só nos nomes, mas sim no sistema de jogo. Ao formar uma linha de cinco ele chamou o Athletico para o próprio campo e consequentemente o gol da derrota saiu logo depois.

Tenho minhas sinceras dúvidas se em algum momento da semana Vojvoda treinou o time com três zagueiros, porque é imensurável o quão bisonho estava o posicionamento da defesa no lance do gol.

Quando se fala em responsabilidade, evidente que o treinador entra no barco, porque ele poderia simplesmente não ter colocado mais um zagueiro e privilegiado o meio-campo como vinha fazendo.

Mas ao falar em erros individuais, como ocorreram nos dois gols a responsabilidade já sobe de nível no clube.

Não tem mais como a gestão explicar sofrer sete gols em três jogos no Brasileiro, sendo dois contra times vindo da série B, com uma zaga que a própria atual diretoria desembolsou mais de R$50 milhões. Se isso é gestão responsável, é brincar com o intelecto do torcedor.

Volto a dizer que demitir a comissão técnica não vai resolver os problemas do time. Vojvoda comete erros, não são poucos, essa derrota tem grande responsabilidade dele, mas sua incompetência está longe de ser igual da diretoria para contratar (até mesmo outro treinador).

Não me parece que o rumo do time será tão diferente de 2025 se não tiver seus dois principais nomes no mais alto nível. O fato do início do atual Brasileirão ser igual ao do ano anterior, onde brigou-se até a última rodada contra o descenso, não dá elementos para o Santista acreditar em algo distinto.

FICHA TÉCNICA

Athletico Paranaense 2x1 Santos

Competição: 3ª rodada do Campeonato Brasileiro
Local: Arena da Baixada, em Curitiba (PR)
Árbitro: Ramon Abatti Abel (SC)

Público: 27.083

Renda: R$ 1.388.300,00

Cartões amarelos: Odair Hellmann e Felipe Chiqueti (CAP); Gabriel Bontempo, Vinícius Lira e Igor Vinícius (SAN)

Gols: Julimar aos 5 minutos do primeiro tempo (CAP); Thaciano aos 16 minutos do primeiro tempo (SAN)

ATHLETICO PARANAENSE: Santos; Benavídez, Terán, Arthur Dias, e Esquivel; Portilla (Luiz Gustavo), Zapelli (Jadson) e Léo Derik (Dudu); Mendoza (Bruninho), Julimar (Felipe Chiqueti) e Viveros. 

Técnico: Odair Hellmann

SANTOS: Gabriel Brazão; Igor Vinícius, Zé Ivaldo, Luan Peres e Vinícius Lira (Rollheiser); João Schmidt, Gabriel Menino, Gabriel Bontempo (Barreal) e Miguelito (Moisés); Thaciano (Lautaro Díaz) e Rony (João Basso). 

Técnico: Juan Pablo Vojvoda

Thaciano marcou pela segunda vez no ano
NOTAS DOS JOGADORES DO SANTOS

Brazão - Derrota poderia ter sido decretada antes se não fosse o arqueiro Santista. - 7,0

Igor Vinícius - Não sofreu tanto defensivamente como nos últimos jogos e produziu no ataque, especialmente no segundo tempo, obrigando o goleiro adversário a fazer um milagre. - 6,0

Zé Ivaldo - Irresponsável e pouco inteligente no lance do pênalti e falha no gol adversário, abandonando o centroavante. - 3,0

Luan Peres - Fez várias coberturas boas. Muito melhor no jogo aéreo do que em Bauru. - 6,0

Lira - Ficou mais preso à defesa, porque enfrentava o rápido Mendoza. Menos inseguro do que em partidas anteriores. - 6,0

Schmidt - Destoou no meio-campo. Perdeu várias na corrida e, assim como Zé Ivaldo, abandona o centroavante adversário no lance do gol. - 4,5

Menino - Longe de ser aquele jogador dos primeiros jogos, mas só de ser mais rápido do que os demais já o torna importante. Finalizou apenas uma vez. - 5,5

Bontempo - Todas as jogadas que terminavam em finalização passava pelos pés do menino, inclusive o lance do gol. Errou uma tomada de decisão ou outra, mas o saldo foi positivo. Não pode sair do time. - 6,5

Miguelito - Fazia o movimento de fora para dentro exatamente igual como faz na Bolívia. Com mais qualidade na finalização teria feito uma partida ainda melhor. Muito maduro. - 6,5

Rony - O menos acionado do ataque, porém muito participativo na defesa, pressionando o zagueiro adversário. - 5,5

Thaciano - Além do gol, deu uma outra assistência para finalização de Moisés. Muito consciente e importante no ataque. Apesar de estar órfão no ataque muitas vezes, sustentou no pivô de forma maravilhosa e quando não era possível, cavava uma falta. - 7,0

Barreal - Entrou como terceiro homem de meio. Deu um passe para Moisés próximo ao gol. - 5,5

Moisés - Estreia promissora do camisa 21. Finalizou duas vezes, mas além disso mostrou ter drible curto e prefere sempre o enfrentamento ao invés do passe - característica que o elenco carece. - 6,5

Basso - Ficou olhando apenas a bola e não percebeu Viveros nas suas costas. Longe de ser o maior culpado pelo gol, mas também teve sua parcela. - 4,5

Lautaro - SEM NOTA

 (*) Pedro La Rocca - Estudante de jornalismo, repórter na Energia 97FM. 

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