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"ESTANCAMOS UMA CRISE E QUEREMOS SER O PRIMEIRO BRASILEIRO TETRA-CAMPEÃO DA LIBERTADORES"

Publicado às 05h00 desta terça-feira, 28 de novembro de 2017.
Dando fim a série de entrevistas com os quatro presidenciáveis do Santos, o Blog do ADEMIR QUINTINO apresenta a última delas, com o atual presidente, candidato a reeleição para o triênio 2018/2020 - Modesto Roma Junior da Santos Gigante.

Modesto é presidente do Santos desde 2015, jornalista está prestes a completar 65 anos no próximo dia 5 e começou a participar ativamente da vida do no começo da década de 70 quando foi diretor de comunicação. 

Em 1983, foi vice-presidente de comunicação na gestão de Milton Teixeira e voltou a exercer cargos no clube em 2004 e ocupou os cargos de Secretário Geral, Supervisor Administrativo e Supervisor de Futebol Feminino na gestão de Marcelo Teixeira.

Modesto implantou o Futebol Feminino no Santos. Contribuiu para a contratação da "Rainha" Marta, que levou o time ao título da Libertadores de 2009. Este ano, o clube faturou o inédito título brasileiro que classificou o Santos para a Libertadores Feminina de 2018.

No futebol masculino, em sua gestão, o time foi bicampeão paulista (2015 e 2016), chegou à final da Copa do Brasil (2015), e retornou à Libertadores após quatro anos de ausência em 2017, após o vice-brasileiro do ano anterior. O Peixe também já assegurou a participação na fase de grupos da Libertadores também em 2018.  

O atual mandatário diz que colocou a "casa em ordem" no que se refere às finanças do clube. Afirma que não antecipou receitas e garante que diferente de como recebeu o clube em 2015, com alguns meses de folhas e direitos não pagos, em sua gestão foram normalizados em três meses.

ENTREVISTA MODESTO ROMA JUNIOR

Blog de ADEMIR QUINTINO: Quais as razões que o levaram a ser candidato a reeleição à presidência do Santos FC? 
Modesto Roma Junior: "Quando assumi o Santos, o clube estava praticamente quebrado. Muitas dívidas se acumulando, tanto na esfera judicial, quanto fiscal, bancária e com fornecedores. Os salários dos jogadores e funcionários chegavam há quase um ano de atraso. O clube estava um caos, mas nós conseguimos reverter a situação em cerca de três meses. E mais do que isso: conseguimos obter resultados expressivos, com dois títulos estaduais, uma final de Copa do Brasil, a volta às primeiras posições do Campeonato Brasileiro e também o retorno à Libertadores da América por dois anos seguidos. Conseguimos tudo isso ao mesmo tempo em que botamos a casa em ordem. Estancamos uma crise sem precedentes no Santos e, agora, temos o dever de realizar os maiores sonhos da torcida alvinegra. Queremos dar uma nova e moderna arena para o torcedor, queremos ser o primeiro time brasileiro tetracampeão da América e queremos também a nossa terceira estrela na camisa, a do tricampeonato mundial. Nós podemos sonhar com isso porque agora temos condições de realizar, formando um grande time que honre a tradição santista. Nosso orçamento para investir no futebol é 60% superior ao de 2017. Vamos ao mercado qualificar ainda mais nosso elenco". 
BAQ: Por que o associado do clube deve votar no candidato e não nos demais?
Modesto: "Nesses anos todos de Santos, desde quando eu era jovem e acompanhava meu pai, aprendi que não basta apenas ser santista para comandar esse clube. Tem de conhece-lo a fundo, entender como funciona o mercado do futebol. Eu tenho a experiência de cargos diretivos desde 1971. Costumo dizer que todos os candidatos nasceram Santos e vão morrer Santos. Mas não vivem o clube. As consequências de optar por gente que não conhece o clube eu sei quais são pois passei os últimos três anos pagando dívidas de negócios mal feitos. O desafio que enfrentamos nos últimos três anos não foi fácil. Uma verdadeira faculdade de como lidar com crise financeira e recuperação de crédito e de credibilidade. Está provado que o Santos não é lugar para aventureiros. Não podemos mais viver a aventura de optar por pessoas que não conhecem o clube e o universo do futebol"
César Conforti é o vice de Modesto nas eleições do Peixe.
BAQ: De que maneira pretende lidar com a dívida do clube?
Modesto: "A dívida do clube está bem equacionada. O Santos aderiu ao PROFUT (Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro), o que equalizou as dívidas tributárias. Isso nos possibilitou recuperar e manter a Certidão Negativa de Débitos, o que nos permitiu firmar parceria com a Caixa para o patrocínio máster do nosso uniforme, e nos habilita as Leis de Incentivo ao Esporte federal, estadual e municipal. Vamos manter a política de austeridade financeira, com responsabilidade nas decisões. Essa foi a receita que nós seguimos para conseguir tirar o Santos da situação caótica em que o encontramos. Foi desta maneira que conseguimos acumular bons resultados financeiros e bater o recorde de faturamento na história do clube- R$ 295,8 milhões, em 2016. Foi desta maneira que conseguimos aumentar nossa receita em 74% no mesmo ano. Renegociamos dívidas e passamos a pagá-las em dia. Deixamos a casa em ordem. Agora é hora de deixar ela brilhando, com uma administração consciente. Prova do nosso sucesso gerencial é nosso time de futebol. Temos uma das menores folhas de pagamento do futebol brasileiro e o melhor custo benefício do mercado. Conquistamos mais investindo menos. Isso mostra que nosso futebol acerta mais que erra e investe com responsabilidade os recursos do clube.
BAQ: Caso vença novamente as eleições, ainda pretende construir uma Arena ou tem uma ideia diferente? Reformar a Vila, por exemplo? 
Modesto: "Como eu disse antes a ti Ademir, agora que conseguimos colocar o clube nos trilhos, podemos sonhar com coisas grandiosas. Só que nossos sonhos são viáveis. Nossa gestão apresentou um projeto de nova arena multiuso em Santos que está, de fato, ao nosso alcance. Temos um parceiro estrangeiro renomado neste tipo de construção, temos parceria com a Associação Atlética dos Portuários e o Santos não vai precisar colocar dinheiro no estádio. Também já estamos negociando com o Governo Federal sobre a área em que pretendemos construir essa arena e que pertence à União. Posso afirmar que mantemos contato com o Ministério das Cidades, com o apoio do deputado federal Marcelo Squassoni, e oferecemos em troca outra área similar em Guarujá para construção de casas populares. Entende como esse grande sonho está ao nosso alcance? Não podemos virar as costas para esta grande chance. Vamos trabalhar nisso com afinco e dedicação extrema. 
BAQ: Caso reeleito, o Santos terá um time competitivo? Vai investir em contratações? Se sim, de que tipo? Ou vai apenas investir na base?
Modesto: "Com os planos que temos de fazer o Santos voltar ao topo do mundo, não podemos pensar pequeno na hora de montar o time. Queremos o tri-mundial e sermos o primeiro clube tetracampeão da Libertadores no Brasil. E para isso temos que qualificar ainda mais nosso elenco. Nós temos uma previsão de aumento de 60% no orçamento para o futebol já a partir do ano que vem. Então, queremos montar um elenco para ser campeão. Já estamos classificados para Libertadores na fase de grupos e queremos reforços condizentes com nossos planos. Vamos buscar jogadores identificados com o clube. Não só porque já passaram pelo Santos e fizeram história, mas também aqueles que praticam o futebol que todo santista ama ver: a arte aliada à gana de vitória. Não vamos fazer nenhuma loucura, mas posso garantir que nosso planejamento requer jogadores que cheguem para vestir a camisa e jogar, jogadores de talento inquestionável. E, claro, vamos manter a sintonia que conseguimos recuperar com as categorias de base. A nossa usina de talentos não pode parar e a porta do time profissional estará aberta para nossas joias evoluírem naturalmente, sem a pressão de antes. Já temos tudo planejado porque o objetivo nesses próximos três anos é realizar os sonhos do nosso torcedor". 
BAQ: Por falar em base, pretende manter a política do clube nessa categoria da maneira que estão, com as mesmas pessoas ou pretende mudar algo?  
Modesto: "Nosso Futebol de Base é a usina de craques do Peixe. Hoje metade do time profissional é de Meninos da Vila. É uma tradição desde a década de 50. Afinal, Pepe, Pelé, Coutinho e outras lendas foram Meninos da Vila. O segredo da base do Santos é ter ídolos de outrora lapidando os ídolos do amanhã. Ter na base gente como Abel, Juary, Lima, João Paulo, Marcelo Passos, entre outros é o que garante que os raios sempre caiam na Vila Belmiro. Quem sempre defendia essa tese era o saudoso Zito. É claro que essa filosofia será mantida sempre. Ela é impessoal. Não se personaliza em uma pessoa, mas em uma ideia. Portanto não é o cargo ou alguém que faz a máquina girar, mas sim o jeito que a máquina gira. E a base do Santos nunca parou de girar. Que o digam Rodrygo, Yuri Alberto, Lucas Veríssimo, Gustavo Henrique, Daniel Guedes, Alison, Artur Gomes, entre outros".
BAQ: Para finalizar, o ex-presidente Marcelo Teixeira também o apoia nesse pleito, a exemplo de 2014? Como encara as comentários, principalmente em rede social, de que o senhor não atendeu possíveis solicitações do seu "padrinho político"?
Modesto: "Minha relação com Marcelo Teixeira é de lealdade e fraternidade, Quintino. Ele continua apoiando nossa candidatura, que aliás nasceu de sua indicação em 2014. É ideia dele assumirmos a presidência do Santos em 2015 e aprendi com meu pai, com Athie Jorge Coury e com Milton Teixeira que chamado do Santos não se recusa. Se atende. Fiquei feliz com sua indicação e aceitei o desafio de encarar a maior crise financeira e institucional do clube. Marcelo sempre será ouvido em nossa administração por sua história e legado no Peixe. É o presidente que recolocou o Santos nos trilhos das conquistas após um interminável jejum de décadas. Seus pedidos sempre serão avaliados e levados em consideração em nossa administração e ele tem consciência disso. Mas, é importante que o associado saiba que o presidente do Santos é Modesto Roma Júnior. É uma atribuição muito séria, uma responsabilidade que nem todos podem ter para ser delegada a outros senão os escolhidos pelos sócios para exercê-la".
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