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A SAÚDE BUCAL VOLTADA PARA ATLETAS

Publicado às 13h40 desta segunda-feira, 21 de novembro de 2016.
(*) Por Caio Capitani

Hoje encontramos diversas áreas da saúde ligadas ao esporte, como medicina, fisioterapia, nutrição, psicologia, cada uma com a sua parcela de responsabilidade dentro das instituições esportivas, com o objetivo em comum de favorecer a saúde e o rendimento atlético, visando o bem estar do atleta e sucesso nos resultados dentro das quatro linhas. 

Assim como o futebol, as áreas da saúde também evoluíram com o passar dos anos, como a odontologia, área responsável por uma parcela importante em soluções de saúde dentro de uma necessidade individual do atleta e dos clubes, que, quando ignorada pode acarretar problemas de recuperação muscular, doping e afastamento do atleta em treinos e jogos. O dentista também pode auxiliar em primeiros socorros em casos de emergências durante as partidas.

A Odontologia do Esporte foi oficializada como especialidade pelo CFO no ano de 2015 no Brasil, mas já é uma realidade ha décadas em países como Estados Unidos, Inglaterra, Itália, Japão, Portugal, Canadá e Espanha. Nesses países a odontologia esta inserida nos departamentos médicos em clubes esportivos, colaborando com avaliações pré-participativas, exames preventivos, ações emergenciais e reuniões multidisciplinares.

Muitos casos registrados na literatura demonstram a importância da Odontologia do Esporte. Pesquisas realizadas nas categorias de base do Barcelona, nas olimpíadas de Londres e China e mais recentemente na Premier League (Inglaterra) na temporada 2015, evidenciam o impacto da saúde bucal no desempenho esportivo. 

Poderia citar diversos episódios mais complexos como por exemplo o caso de Aly Cissokho, jogador do Porto que, no ano de 2009 foi impedido de se transferir ao Milan por ser reprovado no exame odontológico do clube italiano, da atleta olímpica Shelly-Ann Fraser, flagrada em um exame antidoping em 2010, na qual a substancia proibida encontrada (oxicodona) foi utilizada para combater uma dor de dente, do ex jogador da Portuguesa Santista, Léo Baptistão que em 2015 só conseguiu evitar as lesões musculares frequentes após remover focos infecciosos de origem bucal, e, mais recentemente um caso do Santos Futebol Clube me chamou atenção. 

Em Junho desse ano durante o jogo contra o Atlético-PR, o zagueiro santista Luiz Felipe sentia muitas dores na região direita da mandíbula. Um membro do departamento médico me procurou para atende-lo de emergência. Fui informado que outros dois zagueiros estariam fora do próximo jogo e precisavam que Luiz estivesse apto para essa partida contra o Fluminense.

Fui então avaliá-lo. O jogador pouco falava, tamanha a dor que sentia. Identifiquei uma pericoronarite em fase aguda (grave inflamação gengival ao redor do dente do siso, o mesmo caso do jogador Léo Baptistão), uma condição muito comum em jovens entre 15 e 24 anos de idade que não tiveram os seus sisos extraídos no momento oportuno. Após a realização da cirurgia de extração dentária e controle da inflamação (procedimento muito comum e indolor quando realizado de forma preventiva nos clubes), confeccionei um protetor bucal para proteger a área de recuperação cirúrgica e agilizar o seu retorno ao campo.

Luiz Felipe e Dr. Caio.
O Santos venceu o Fluminense por 4 à 2 com o último gol marcado pelo Luiz Felipe. Na comemoração ele apontou para o protetor bucal em agradecimento. Fiquei muito feliz e isso repercutiu de uma forma muito positiva para mim, profissionalmente, e para a Odontologia do Esporte.

Me chama atenção uma área tão importante e de baixo investimento não ser uma realidade dentro de todas as equipes brasileiras. O zagueiro Luiz Felipe não precisaria passar por todo esse inconveniente uma vez avaliado preventivamente por um dentista. Me fez lembrar Robinho que só realizou a mesma cirurgia por um colega dentista há pouco tempo, no Atlético Mineiro. 

São diversos os benefícios que a odontologia pode trazer ao esporte. Muitos atletas depõem a favor da odontologia por ter sido realidade durante suas passagens em clubes estrangeiros, é o caso do ex jogador do Santos, Léo Bastos que, em sua época de Benfica (2005-2009) relatou que todos os jogadores eram obrigados a passar por exames odontológicos de rotina. Jogadoras da Seleção Feminina que tiveram passagem por equipes estrangeiras também tiveram a mesma experiência de Léo, e o próprio jogador Elano, relatou passar por exames odontológicos na Granja Comary durante convocações para Seleção Brasileira.

Apesar de tantos relatos, casos clínicos e comprovações cientificas sobre a importância da odontologia no desempenho esportivo, o cenário ainda é desfavorável no Brasil. Nos resta passar essa informação através de palestras em instituições esportivas e divulgação de colunas como esta, para conscientizar atletas e profissionais da saúde.

Gostaria de agradecer o Blog do ADEMIR QUINTINO por divulgar essa coluna e crer nesse trabalho que tanto defendo e, serve como conselho de quem só quer ver a evolução do esporte como uma realidade. 

(*) Dr. Caio Capitani dos Santos – Membro da Academia Brasileira de Odontologia do Esporte, Graduado em Odontologia, Pós Graduado em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial , Especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial, Especialista em Odontologia do Esporte , Especializando em Ciências do Esporte.



 

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