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DORIVAL JUNIOR: "O SANTOS ESTÁ NO CAMINHO CERTO"

Publicado às 04h17 desta terça-feira, 19 de setembro de 2016.
Há 13 meses, Dorival Junior retornou ao Santos. O treinador do atual bi-campeão paulista é o único a permanecer no cargo entre os clubes que disputam a série A, em 2016. Entre as suas duas passagens do Peixe, tem no curriculum dois títulos paulistas (2010 e 2016) e uma Copa do Brasil (2010). O técnico tem também um vice da mesma competição nacional, o ano passado, pouco digerido pela torcida.

Em uma entrevista exclusiva ao Blog do ADEMIR QUINTINO na semana passada, o treinador que foge da arrogância da maioria da classe, chegou para responder este espaço, no CT Rei Pelé, explicando o porque atrasou alguns poucos minutos. Ele estava conversando com o presidente Modesto Roma Junior. 

O comandante técnico garante que nunca pensou no seu futuro no futebol e sim, no momento e afirma que deseja renovar o seu contrato com o Santos que termina no final de 2017.

BLOG ADEMIR QUINTINO: Como é ser o único treinador da série A, em 2016, que permanece no clube desde o começo da temporada? É uma satisfação pessoal?
Dorival Junior: "Satisfação pessoal, sim, porém não está acima do que eu penso como profissional. Nesse sentido, eu lamento. Eu vejo que o futebol brasileiro mudou muito pouco depois dos 7 a 1 (que sofreu da Alemanha na semifinal da Copa em 2014), eu gostaria que tivéssemos falado exatamente o contrário de que apenas um treinador da série A, não conseguiu permanecer 2016 no comando da sua equipe. O clube demora tanto para definir o perfil de um profissional, por que não mantê-lo para ser avaliado depois de um período maior? Sinceramente, depois de um ano é que às vezes eu começo a perceber muito do que vem acontecendo com o nosso trabalho dentro do Santos. As evoluções, alguns fatos que precisam de uma interferência maior para que mudem, mais o crescimento de um modo geral de um garoto da base que vai amadurecendo, de um jogador que foi contratado, mas não chegou em suas melhores condições, ou seja, somente após um período longo que eu me dei conta do quanto passa a ser importante para montar, corrigir e depois sim, alcançar resultados. E a grande maioria desses trabalhos que tiveram longevidade, alcançaram resultados significativos. Por isso, o meu questionamento. Eu tenho certeza que você quando tem mudança no seu trabalho, você leva um período para uma recolocação e se for cobrado ao extremo no primeiro mês não conseguirá produzir todo o teu potencial. Porém,  futebol o curto prazo permanece e as cobranças absurdas permanecem, e tenho convicção que isso tem interferido nos resultados brasileiros nos últimos 20, 30 anos"
Dorival falou por quase 30 minutos com o blog
BAQ: Até onde o Santos pode ir nesse semestre? Luta por vaga na Libertadores ou pode sonhar com título no Brasileiro e Copa do Brasil? Por que a equipe perdeu pontos para times da parte debaixo da tabela na tabela?
DJ: "Nós temos que ser sempre otimistas. É natural que todas as equipes tenham oscilado. Se pegarmos apenas a pontuação dos times no segundo turno do Brasileirão, elas estão muito próximas. Os que iniciaram bem o primeiro turno, também iniciaram o segundo, mas também tiveram uma barrigada. A nossa aconteceu no primeiro momento do primeiro turno e agora, do segundo. Espero que tenha sido só esse período, porque se repetir o que fizemos depois desse mal início de competição, fatalmente brigaremos por posições lá em cima e é tudo que desejamos. Eu não tenho dúvidas que o Santos está muito próximo de atingir algo de nível, de reconhecimento um pouco maior, porque está se preparando para isso. Se vai ser agora ou daqui alguns meses, um ano, ainda não sei, mas o Santos está no caminho certo. Eu já falava em 2010 que o Santos entraria numa era de conquistas, desde que mantivesse o seu plantel, o trabalho realizado, continuar desenvolvendo atletas de qualidade na base e aconteceu naquela oportunidade, espero que isso também se confirme, nesse momento".
BAQ: Recentemente recebi críticas em rede social de torcedores que afirmam que super-valorizo o Renato, que ele já tem uma certa idade e deveria ser poupado em algum momento? Ele é digno desses elogios ou há um exagero meu e de parte da imprensa? Você pretende poupa-lo, em algum momento? Qual teu pensamento do camisa 8 do seu time?
DJ: "Nós vamos fazer sempre dessa maneira. O Renato é um dos atletas que mais se cuidam e mais se preparam. Você tem razão em elogiá-lo, neste instante, porque é um dos grandes profissionais com que trabalhei. Por incrível que pareça, todos os treinadores das equipes que jogam contra o Santos falam alguma coisa positiva a respeito do Renato".  
Fábian Noguera chegou há 70 dias no Peixe. Ele está se recuperando de lesão na panturrilha.

BAQ: E o Fábian Noguera? Quando ele vai estrear? Foi a contusão que ele sofreu que o atrapalhou? O que você pensa desse reforço que foi o único que ainda não estreou. Por que ainda não jogou?
DJ: "Primeiro, eu sempre fui muito leal a todos os jogadores que chegam aqui. No começo do ano, perdemos o Leonardo, o Werley nao teve a renovação e iniciamos com o Gustavo e o David Braz lesionados, não tínhamos nenhum nome e tentávamos uma contratação para o setor. Teve o Oliver Benitez (zagueiro argentino) que observamos, um emissário nosso foi enviado para a Argentina e nesse período, surgiu o Lucas Veríssimo. O menino foi jogado numa fria muito grande, porque ele não fez uma pré-temporada, em razão de estarmos sempre esperando dois, três, quatro dias depois a chegada de um jogador para a defesa e ele foi muito bem no Paulista. Nesse intervalo, surgiu a possibilidade do Luiz Felipe que chegou também como uma grande surpresa. Quase que simultaneamente a volta do Braz, surge a contratação do Nogueira. Eu já tenho três jogadores - O David (Bráz), o Luiz (Felipe) e o (Lucas) Veríssimo, que me deram uma resposta muito boa, até então. O Fábian ficou quase oito meses parado, sem jogar, a última partida dele foi em outubro do ano passado. Eu coloquei essa situação muito clara para ele. Ele levou um certo tempo para entrar numa boa condição. Nesse último mês que estava readquirindo uma sequência de treinamentos coletivos para tirar esse atraso anterior".
BAQ: Mas o gringo tem qualidade ou não, Dorival?
DJ: "Ele tem qualidade, sim. O futebol argentino tem uma característica diferente de marcação. Eles não fazem a marcação alta, como nós brasileiros. Eles esperam os times pressionarem e aguardam quase que na linha da grande área. É diferente o posicionamento. Ele tem uma bola aérea muito boa e tem também uma ou outra dificuldade, o que é normal para qualquer profissional e já estamos corrigindo isso. Porém, eu tenho que respeitar aquilo que os jogadores que aqui estavam, realizaram. Eu não poderia ser incoerente com profissionais que deram uma resposta e ele me entendeu. No futebol, o treinador erra sim uma, duas, dez vezes, mas você tem que ter coerência, pois se não será fatalmente cobrado. Infelizmente ele teve uma lesão (na panturrilha), muito também desse período de inatividade, na vontade de antecipar a sua volta. Eu cheguei a coloca-lo em alguns momentos nos coletivos de titular, para ele se adaptar a quem está ao seu lado, ora com o Gustavo, ora com o Luiz, ora com o Braz e até com o Veríssimo para que ele conheça todos os jogadores que estão a seu lado, porque daqui a pouco ele pode ter a oportunidade e teoricamente ele já conhece o companheiro".
BAQ: Por que o Santos tem um comportamento tão diferente fora da Vila. Você pede pro time marcar mais no seu campo? Por que o alvinegro tem resultados tão significativos como mandante e não repete como visitante, apesar de ter melhorado em relação ao ano passado?
DJ: Nenhum treinador faz isso. Nossa marcação sempre é agressiva. O gol que fizemos contra o Botafogo no Rio foi com a marcação no campo adversário, contra o Coritiba, a mesma coisa, diante do Inter também. Agora é um fato natural, a equipe adversária ter uma outra postura quando joga dentro de casa, completamente diferente de quando joga fora. Eu acho que o Santos está começando a pegar gosto dos resultados fora de casa, eu acredito que nos últimos anos é um dos melhores aproveitamentos. Boa parte desse caminho está sendo resgatado, já ganhamos quatro no Brasileiro, porém, ainda não é o suficiente. Isso não acontece do dia para noite. 
Yuri está emprestado ao Santos até o fim de 2017.
BAQ: E o Yuri? O que falta para ele ser titular? Ele foi uma contratação pedida por você...
DJ: "O Yuri foi sim uma pedida minha. Um grande jogador, vem desenvolvendo uma ótima condição, um dos jogadores de melhor passe, uma característica de times treinados pelo Fernando (Diniz) e tem sido aproveitado, entretanto você mesmo falou de um jogador que disputa a posição diretamente com ele - o Renato, são jogadores que se assemelham muito e responde essa pergunta".
BAQ: Ele é o substituto do Renato, num curto espaço de tempo?
DJ: "Não tenho dúvidas disso, ele pode ser sim, desde que permaneça desenvolvendo essa condição que vem apresentado. Ele pode até jogar do lado do Renato também. A equipe vive um grande momento. A equipe vem mostrando uma maturidade. É natural de que os jogadores que cheguem tenha paciência para enfim ter o seu espaço, como agora foi com o Copete, que aos poucos foi inserido, se adaptou e hoje é importantíssimo. Esse cuidado é importante, nem sempre o tempo do atleta é o do treinador e da torcida. No dia a dia, temos de ter essa sensibilidade. às vezes erramos, mas a grande maioria dos treinadores, creio que acertamos"
BAQ: Você tem contrato com o Santos até 2017. Qual o futuro de Dorival?
DJ:  "Engraçado, nunca fiz uma projeção. Eu sempre deixei as coisas acontecerem de uma forma natural, estou muito satisfeito com o que eu alcancei em tão pouco tempo de trabalho, dirigindo grandes clubes do futebol do Brasil".
BAQ: Mas você acha que nasceu para treinar o Santos?
DJ: "De um modo geral, eu completei em agosto, 13 anos de treinador. Eu fiquei parado dois anos nesse intervalo, em razão de um problema meio sério de saúde da minha esposa. Não foi seguido, foi nove meses uma vez, mas um outra,intervalo que totalizam dois anos. São 11 anos de trabalho e nesse período, conquistei 11 campeonatos e mais alguns objetivos como vaga de Libertadores, livrar o clube de um rebaixamento, enfim, então me dou mais do que satisfeito ao viver um momento desse e em diferentes equipes. Lógico que no Santos é diferente e espero que continue por mais tempo. Eu quero que esse trabalho possamos alcançar os resultados que eu desejava ter conquistado em 2010, em minha primeira passagem aqui, não é uma obsessão minha, mas um desejo particular.  O principal é que o Santos esteja bem melhor do dia que cheguei de volta, naquele dia de agosto de 2015 e  reiniciado um trabalho que foi interrompido em 2010".




 

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