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MT - ONTEM, HOJE E O AMANHÃ

Publicado às 12h01 desta terça-feira, 1 de dezembro de 2015.
O ex-presidente do Santos durante uma década Marcelo Teixeira, foi o convidado do Blog ao vivo, projeto do Blog do ADEMIR QUINTINO que tem ido ao ar às segundas-feiras, à partir das 19 horas. Durante 40 minutos, o ex-mandatário alvinegro falou de tudo um pouco. Do momento do clube, da negociação conturbada do meia Rodrigo Tabata, do desejo da volta de Robinho e PH Ganso e garante que hoje não se movimenta mais nos bastidores e diz que é apenas um torcedor. 

Ademir Quintino: Qual a expectativa do Sr. para esta final da Copa do Brasil? 
Marcelo Teixeira: Uma expectativa muito grande, a gente sabe da importância do título da Copa do Brasil, principalmente por poder ir a Libertadores. O Santos desperdiçou a chance de conquistar esta vaga no Campeonato Brasileiro, de ficar entre os quatro principais times. A última boa campanha no nacional foi em 2007, quando fomos vice-campeões e de lá pra cá não tivemos mais bons resultados e acredito que também no aspecto financeiro o clube não poderia abrir mão dessa vaga porque existe uma premiação muito boa para os melhores, mas infelizmente não foi possível e agora o foco principal é na Copa do Brasil. Encontraremos um adversário que lutará muito por esta conquista até porque vem de uma derrota recente no Campeonato Paulista, mas creio que temos mais qualidade técnica e o único empecilho na prática é o fator campo. Mas jogar em uma Arena sofisticada, moderna, como a do Palmeiras, dá uma vantagem ao Santos que tem melhor toque de bola. Na Copa do Brasil nós fomos bem em jogos fora contra o São Paulo, eliminamos o campeão brasileiro em seu estádio com apresentações muito boas e estou muito confiante para que sai de lá com o título.  

AQ: Este é o oitavo ano que o Santos não faz uma campanha da sua grandeza no Brasileiro. Tem alguma explicação para isso?
MT: O Brasileiro é bem diferente, exige um elenco melhor, precisa de qualidade no seu grupo, mesmo com o futebol do país passando por uma transição. Se compararmos o atual campeão brasileiro com equipes do passado, com todo o respeito, não tem um futebol vistoso. O treinador (Tite) teve a chance de montar através de sua metodologia uma forma de ir bem. Acho que dos últimos anos, nosso grupo de trabalho fez muito e o que me deixa mais frustrado, foi com a geração Neymar e Paulo Henrique em comparação com a geração de Robinho e Diego em termos de campeonatos nacionais. Aquela equipe sim (2010), tinha condição de manter o Santos a altura da sua tradição no Brasileirão. Este ano, creio que a campanha foi relativamente interessante e se não fosse os dois últimos tropeços contra Coritiba e Vasco, equipes que lutam contra o rebaixamento, daria condição favorável pela quarta colocação. Não alcançamos essas vitórias e o Santos precisa mentalizar, conscientizarmos e focar o Brasileiro nos próximos anos.
AQ: Teve alguma surpresa nesse último Brasileiro?
MT: A grande surpresa de 2015 é o Santos. Tem um meio-campo muito versátil. Thiago Maia e Renato dão uma dosagem exata para o alicerce deste time. O clube se dá o luxo de manter um Geuvânio no banco. Além disso, não se fala dele, mas o Vanderlei é um arqueiro fantástico, muito seguro, orienta a defesa e dentre as contratações que a diretoria atual fez, o Vanderlei foi uma das melhores. Confio muito nos jovens talentos de goleiros que o clube possui, principalmente da base, vamos ter surpresa futura.

AQ: Acredita no Santos para a próxima temporada?
MT: Se mantiver esta base e se reforçar com outros jogadores e até com alguns identificados com o Santos e poderão voltar para defender o clube se conseguirmos a classificação a Libertadores e aí sim lutar também no segundo semestre por melhores posições no Campeonato Brasileiro

AQ: O Sr. disse na resposta anterior que "alguns jogadores que tem identificação com o clube, podem voltar". De quem se refere? PH Ganso e Robinho?
MT: Eu estou só dizendo o que li e ouvi da mídia. Ficamos na expectativa. Sabemos da limitação financeira e creio que esses jogadores entenderão o momento do clube. Gostaria muito da volta dos dois.
O ex-presidente Marcelo Teixeira apoiou e pediu votos para o atual presidente Modesto Roma Jr.

AQ: O ex-presidente ainda é muito participativo na vida política do clube? Ainda participa de decisões da atual administração? Pergunto porque o sr. foi o maior cabo eleitoral do atual presidente nas eleições.
MT: Nós (Marcelo e Modesto) temos uma ligação de raízes no clube, desde meu pai com o dele. Realmente eu fiz esta indicação, porque entendi que o Modesto (Roma Junior) tem um conhecimento por ter uma visão muito moderna de diversos setores do clube e achava que era a melhor candidatura. Foi na história, uma das eleições mais concorridas com cinco chapas participantes e não acho isso positivo. Duas correntes são suficientes. Acho que o processo eleitoral oxigena e dá oportunidades, mas cinco chapas é negativo, muita divisão interna. Hoje, vejo um respeito dos oposicionistas a administração do Modesto. Se tivéssemos uma oposição dura sem ser construtiva, o Santos sofreria muito e vejo um amadurecimento nesse sentido. Minha participação hoje é meramente como torcedor, sou membro do Conselho Deliberativo, algumas vezes sou consultado pelo Conselho Consultivo. Eu vou realmente em jogos. Faço questão de cumprimentá-lo sempre quando você passa no nosso gramado, quando está trabalhando, sempre uma satisfaço em revê-lo, próximo ao camarote em que fico ao lado do Modesto, mas é uma participação que não é direta, até porque não tenho mais esse tempo e algumas correntes queriam a nossa candidatura na eleição passada. Foi uma honra ter sido indicado por alguns candidatos que participaram do pleito passado, e talvez tivéssemos até  menos nomes se eu saísse candidato. Mas imaginei que pudesse transferir isso ao Modesto.    

AQ: A família Teixeira pode seguir com presidentes no Santos? A família pretende colocar nomes a disposição para conduzir o clube por mais alguns anos?
MT: Eu acho que a nossa família nunca teve ambição de ocupar cargos. Foi sempre uma situação natural. Sempre estivemos dispostos a ajudar. Foi assim com meu pai, comigo. Os integrantes da família são ainda muitos jovens. Aqueles que estão fazendo, ainda não estão amadurecidos. Eles devem ocupar cargos e funções no clube, ter uma participação mais direta, conhecendo os bastidores da Vila Belmiro, porque a marca da família Teixeira é realmente forte. Acho que devem percorrer alguns caminhos internos, conhecer a base, os bastidores, viajar para que no futuro, se o quadro associativo entender, a família mereça essa distinção, aí sim, colocar o nome a disposição.   Agora é precoce. Eu sempre recomendei e aconselho que antes de aceitarem essa tarefa precisam de experiência. Ambos, Miltinho (irmão e presidente da Associação Nação Santista) e Marcelinho (filho), tem potencial muito grande, estão já iniciando seus passos e terão todas as chances no futuro de ter sua vida política no clube.  
Marcelo Teixeira ao lado do atual presidente Modesto Roma e o ex-presidente Samir Jorge Abdul-Hak.

AQ: O Sr. temeu que o Santos pudesse ser rebaixado quando apareceu em Julho desse ano nas últimas colocações? Em 2009, o sr. disse que se o clube caísse o time teria problemas para voltar. Por que a sua administração nos dois últimos anos (2008 e 2009) não foi tão vitoriosa como nos anos anteriores?
MT: A nossa administração não se restringe apenas a dois anos - 2008 e 2009. Ela se estruturou por uma filosofia que hoje é um diferencial pra todos os clubes no Brasil e exemplo até no mundo. Você presidir por 10 anos um clube é muito tempo. Meu pensamento era ficar até no máximo 2007. Mas naquele momento, meu foco foi a renovação daquele plantel com a chegada de Rafael, Neymar, Alan Patrick e outros que acabaram dando certo e seria fácil eu sair como vice-campeão brasileiro daquele ano, mas minha obrigação era levar esses valores ao profissional, como fizemos. Tivemos um ato de coragem em 2004 de retirar o Neymar que estava indo pro Real Madrid e trouxemos de volta. Todos sabiam que existiam um grupo, mas o foco era o Marcelo Teixeira, e eu tirei a atenção da renovação que estava sendo feita e hoje existe a identidade de atletas com nossa agremiação e fico feliz por exemplo, em ver o Neymar como um dos três melhores do mundo. Eu não temia que o Santos tivesse disputando o rebaixamento esse ano, pelo elenco, pela experiência da comissão técnica e tudo levava a crer que o Santos reagiria. Meu pensamento era de que o clube ocupasse uma posição intermediária. E mais uma vez o Santos reagiu e nós esperávamos mais até pela reação que o clube teve e por ter ficado na quarta rodada por muito tempo

AQ: Explique o caso Rodrigo Tabata. O que aconteceu? O Santos já recebeu os valores da sua negociação? Primeiro era empréstimo e o jogador foi repassado a outra agremiação da Turquia sem que o Santos recebesse por isso. Como ficou?
MT: Não tivemos nenhum tipo de dificuldade. O passe do atleta (Tabata) estava fixado e o clube turco repassou para outro time sem o devido pagamento ao Santos. Mas após um ano da nossa saída,  e já tínhamos entrando na justiça com o Dr. Marcos, ainda no último ano da nossa administração, se não me engano - U$ 250 mil ou U$ 300 mil e o clube recebeu integralmente esses valores e tudo foi altamente resolvido e solucionado. Você sabe, isso  foi tudo muito usado a época, tudo política.

Clique no bunner e ouça o Blog ao Vivo com a entrevista do ex-presidente Marcelo Teixeira do Santos F.C.

AQ: Pelos valores que Neymar foi vendido, como o Sr. classifica? Foi um bom número, os 17 milhões de euros mais os bônus? O Sr. se estivesse presidente, também venderia? O Senhor acredita que quando ele voltar ao país ele volta ao Santos, mesmo com o clube entrando na justiça contra ele?
MT: Não venderia pois a proposta dos últimos presidentes anteriores (LAOR e Odílio) era de que o atleta permanecesse. Primeiro deu a carta e não poderia ter dado e já que deu, imagino que desejavam que ele permanecesse até o fim do contrato, mas é inadmissível um atleta do nível do Neymar saia da maneira que ele saiu e dos valores financeiros que o clube alcançou. Classifico como péssimo para todas as partes. Até o dia de hoje, pontos não são esclarecidos e se briga de forma até irracional na justiça na busca real dos fatos, e creio que tanto Santos e Neymar, deveriam sentar a mesa e resolver isso. Creio no retorno dele ao clube sim quando do seu retorno ao Brasil, no futuro. Vejam o Robinho em 2005: Não visto essa camisa mais, saídas traumáticas. Quando acontecer o retorno com a identificação, a postura que ele tem com o Santos certamente isso irá acontecer. Vejam o Ricardo Oliveira, o Renato que praticamente jogaram de graça, então fatalmente o caminho do Neymar quando voltar ao Brasil é retornar o Santos.

AQ: O senhor vai ao estádio do Palmeiras acompanhar a decisão da Copa do Brasil?
MT: Estarei lá. Creio que o Santos sairá com o título. Pode ser de qualquer forma. Esse campeonato é fundamental pro retorno a Libertadores. Importantíssimo para volta do nome Santos ao mercado internacional.

AQ: O senhor não tem dado entrevistas ou estou equivocado?
MT: Vocês fazem um trabalho isento das questões políticas e foi uma grande satisfação em participar. É uma oportunidade de esclarecer e colocar os nossos pontos de vistas.



 

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