DOIS CLÁSSICOS SEM VENCER, COINCIDÊNCIA?

Publicado às 00:17 desta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
(*) Pedro La Rocca

O empate em 1x1 é para se comemorar e muito perto do que foi realmente o Clássico Alvinegro. O resultado ainda mantém o Santos fora da zona de classificação do limitado Campeonato Paulista. Yuri Alberto abriu o placar no início de jogo e Gabigol empatou de falta na reta final. 

Vojvoda fez três mudanças em relação ao empate contra o Guarani. Os titulares Igor Vinícius, Schmidt e Gabigol foram poupados e retomaram suas vagas no time inicial. Mayke, Zé Rafael e Gabriel Menino voltaram ao banco de reservas. 

Sinceramente eu não vi um jogo tão ruim do Santos num intervalo de 10 anos. Mas sem nenhuma brincadeira. Eu lembrei do time do Jair Ventura em 2018, que jogava num 4-2-4 sem meio-campo algum, porém com uma única diferença: aquele time tinha qualidade técnica e conseguia ligeiros resultados. 

Troca-se Gabigol, Bruno Henrique, Rodrygo e Sasha, pelo mesmo Gabigol, Rollheiser, Barreal e Thaciano.

Dorival Júnior foi muito inteligente em colocar cinco meio-campistas dando profundidade aos laterais. O ex-treinador Santista percebeu que o argentino do Peixe deixa seus volantes expostos e que eles não têm velocidade para cobrir os alas.

E que não caiam na ilusão e no discurso que tentarão vender de atacar o menino Lira. Todos, que o acompanham desde a base, sabem que é um ala ofensivo, precisando de cobertura. Schmidt não tem velocidade para isso.

Yuri Alberto perdeu um pênalti aos 13 minutos e abriu o placar aos 16. Era para encerrar os 45 minutos iniciais com o placar decidido, tendo em vista que o goleiro Hugo Souza não sujou o uniforme.

No segundo tempo, o treinador tentou corrigir com Gabriel Menino, que tem mais velocidade que os companheiros de posição. A troca durou 25 minutos, porque com a entrada de Zé Rafael, o camisa 25 migrou à lateral-direita. 

Essa troca coincidiu com o momento que o time de Dorival abdicou completamente de jogar e chamou o Santos para o seu campo. 

Assim como no clássico contra o Palmeiras, o Santos só levou perigo ao rival nos acréscimos. O árbitro que foi horrível para os dois lados, marcou uma falta que para mim não houve e o empate saiu dos pés de Gabriel Barbosa. Três minutos depois Adonís cabeceou muito perto do gol.

Num passado recente, nunca senti o time tão impotente perante a um rival. Isso que eu vi goleadas sofridas para todos do trio de ferro nos últimos anos. 

Contra o time que um dia o Rei marcou mais de 50 gols, ficou 11 anos sem vencer o Alvinegro da Vila e sempre se protagonizou pelo estilo de jogo reativo, jogou como quis na Baixada Santista.

O empate com atuação para sofrer goleada e sensação de alívio está na conta do treinador, que escalou o time da maneira que o adversário queria, mas também da diretoria, que está chegando no segundo mês desde que a última temporada se encerrou e não trouxe um volante combativo e rápido. 

FICHA TÉCNICA

Santos 1 x 1 Corinthians

Competição: 4ª rodada do Campeonato Paulista
Local: Vila Belmiro, em Santos (SP)
Árbitro: Lucas Canetto Bellote
Cartões amarelos: Igor Vinícius, Willian Arão, Gabriel Menino, Gabigol, Adonis Frías, Mayke, Robinho Jr, e Juan Pablo Vojvoda (SAN); André Ramalho, André Carrillo, Matheus Pereira, André, Gustavo Henrique e Dorival Júnior (COR)

Gols: Yuri Alberto aos 16 minutos do primeiro tempo (COR); Gabigol aos 48 minutos do segundo tempo (SAN)

SANTOS: Gabriel Brazão; Igor Vinícius (Zé Rafael), Adonis Frías, Zé Ivaldo e Vinicius Lira; Willian Arão, João Schmidt (Gabriel Menino), Rollheiser (Robinho Jr) e Barreal (Miguelito); Thaciano (Lautaro Díaz) e Gabriel Barbosa. 

Técnico: Juan Pablo Vojvoda

CORINTHIANS: Hugo Souza; Matheuzinho, Gustavo Henrique, André ramalho e Matheus Bidu; Raniele (Gabriel Paulista), Breno Bidon, André, Matheus Pereira (Charles) e André Carrillo (Rodrigo Garro); Yuri Alberto (Vitinho). 

Técnico: Dorival Júnior

Vojvoda fez seu pior jogo no comando Santista
NOTAS DOS JOGADORES DO SANTOS

Brazão - Hoje ficou claro quem tem nível de Seleção. Mais uma vez evitou uma derrota Santista. - 6,5

Igor Vinícius - Não tem repetido as atuações da reta final do ano passado. Recebeu a primeira bola em ultrapassagem perto dos acréscimos. - 5,0

Adonís - Assim como outros, mal demais nas coberturas. Já deu para ver que o mano a mano não é sua especialidade. - 4,5

Zé Ivaldo - Segundo jogo consecutivo que comete um pênalti. Ele quem perde a bola que dá origem ao gol adversário. Não conseguiu fazer a cobertura do lateral-esquerdo. - 3,5

Lira - Tem qualidade e muita margem de evolução. 18 anos e sexto jogo como profissional. Estava muito exposto pela ausência de volantes rápidos para cobertura. Teve zero culpa no cartório. - 6,0

Arão - Longe das boas atuações de outrora, mas assim como Lira estava exposto pela falta de jogadores no meio-campo. - 5,0

Schmidt - Concordo que estava exposto pela inferioridade numérica no meio, mas está no bolso de Yuri Alberto. Não pode ser o homem da cobertura. - 3,5

Rollheiser - Deu o passe que originou o contra-ataque do pênalti perdido e isso se repetiu num outro momento. - 4,0

Barreal - Começou de ponta-direita, caiu pela esquerda e terminou por dentro. Mal nas três funções. - 4,5

Thaciano - Naquilo que sabe fazer (jogo aéreo) foi pouco acionado. Sem função ofensiva. - 5,0

Gabigol - Inteligente ao procurar o canto do goleiro na falta. No restante do jogo foi pouco acionado. - 6,5

Gabriel Menino - Deu três passes para finalização. Tem característica diferente dos outros volantes. Melhor de volante do que lateral. - 6,0

Lautaro - Não foi uma tragédia como no último jogo, mas muito pouco para ser atacante do Santos. Tem velocidade, mas deixa a desejar quando precisa da técnica. - 4,5

Zé Rafael - Apesar do adversário ter recuado a partir da sua entrada, tecnicamente foi bem, apesar da baixa intensidade. - 6,0

Robinho - Errou mais do que o normal, mas não anula o fato de que sai dos pés dele o início da jogada que originou a falta. - 5,5

Miguelito - Entrou muito bem e pela esquerda do ataque. Chamou responsabilidade e foi muito mais efetivo que Barreal. - 6,0

 (*) Pedro La Rocca - Estudante de jornalismo, repórter na Energia 97FM e no Esporte por Esporte. 

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