Após 12 dias sem jogos, o Santos voltou a campo pelo Brasileiro e foi ao interior paulista buscar um ponto contra o Mirassol. Num duelo de defesas frágeis, o jogo teve quatro gols e um 2x2 no placar. Igor Formiga e Negueba deixaram os mandantes em vantagem, enquanto Gabigol (duas vezes) foi buscar o empate.
Em relação à vitória sobre o Vasco, ainda em fevereiro, Vojvoda fez três alterações, colocando Schmidt na vaga de Neymar, preservado para controle de carga, Gabigol na vaga de Miguelito e Moisés na vaga de Rony.
O time começou definido com uma linha de cinco no meio com Gabigol isolado na frente, mas após sofrer o primeiro gol, voltou às tradicionais duas linhas de quatro com Thaciano, que vinha aberto pelo lado, fazendo dupla com o camisa nove.
O adversário não fez nada de diferente do que os outros vinham fazendo ao enfrentar o Santos saindo jogando. A ideia dos mandantes era forçar a bola em Adonís e forçar o erro do argentino. Isso aconteceu duas vezes e na terceira o defensor deu um contra-ataque de presente que originou no gol de Igor Formiga.
O primeiro tempo Santista terminou com 11 finalizações, mas nenhuma efetivamente levou perigo ao gol de Walter. Com 45 minutos surgiu a primeira oportunidade a partir de uma jogada trabalhada coletivamente. Bontempo desperdiçou a chance.
De maneira inexplicável, Vojvoda voltou para o segundo tempo sem nenhuma alteração. Arão e Schmidt juntos sempre terão dificuldades se o meio-campo não estiver mais povoado do que o adversário. Neto Moura e Aldo pareciam craques, tamanha liberdade oferecida pelos volante do Peixe.
Com 65 minutos, o treinador mudou os dois volantes colocando o estreante Oliva e Gabriel Menino. Melhorou, ainda que o segundo gol tenha saído cinco minutos depois.
Na base do abafa, Gabigol marcou aos 35 após falha do zagueiro adversário e o mesmo camisa nove empatou após sofrer pênalti nos minutos finais. O centroavante, que pouco foi abastecido no decorrer do jogo, precisou de duas bolas limpas para guardar - ainda que tenha sido da marca da cal.
Sim, o gol de Gabriel foi a primeira finalização do Peixe na segunda etapa. Nos minutos anteriores o time de Vojvoda não sabia se a bola era azul ou amarela e viu Brazão fazer ao menos três milagres, evitando uma goleada histórica.
Quem acompanha o Santos de forma mais detalhada e minuciosa sabe que pelo segundo ano consecutivo o elenco foi mal montado e é desequilibrado, sob vários aspectos. Mas o treinador errou nas escolhas no interior.
O meio-campo do Mirassol é leve e leva muitos jogadores no mesmo setor. Era nítido que o meio Santista, que é pesado, não conseguiria acompanhar o ritmo. Por isso foi colocado na roda no início da segunda etapa.
Apenas no final do jogo o Alvinegro de Vila Belmiro se preocupou em tirar seu adversário da zona de conforto. O time de Rafael Guanaes se incomoda quando não tem a bola, já que também possui uma defesa exposta - assim como a do Peixe. Nos primeiros 10 minutos de jogo, o time de Vojvoda beirou os 70% de posse de bola, mas viu o quesito ser maior para os mandantes após o apito final (54% x 46%).
Se mostrar o jogo (sem os gols) para alguém que não assistiu dirão que foi uma goleada para o time da casa. Isso explica a comemoração dos jogadores do Peixe após o apito final.
12 dias para treinar para ver um repeteco do time do início do ano é no mínimo decepcionante. E só o fator Neymar não pode servir de muleta para outras escolhas sem menor cabimento.
MIRASSOL: Walter; Igor Formiga, João Victor, Willian Machado e Reinaldo; Neto Moura (Eveerton Galdino, aos 46’/2ºT), Aldo Filho e Shaylon (Gabriel Pires, aos 33’/2ºT); Negueba (Galeano, aos 33’/2ºT), Alesson (Edson Carioca, aos 23’/2ºT) e Nathan Fogaça (André Luís, aos 23’/2ºT).
Técnico: Rafael Guanaes
SANTOS: Gabriel Brazão; Igor Vinicius, Adonis Frías, Luan Peres (Zé Ivaldo, aos 28’/2ºT) e Vini Lira (Barreal, aos 19’/2ºT); Willian Arão (Christian Oliva, aos 19’/2ºT) , João Schmidt (Gabriel Menino, aos 19’/2ºT) e Gabriel Bontempo (Rollheiser, aos 28’/2ºT); Rony, Thaciano e Gabigol.
Técnico: Juan Pablo Vojvoda
NOTAS DOS JOGADORES DO SANTOSBrazão - Fez três grandes milagres no segundo tempo que evitaram o decreto da derrota. - 7,0
Igor Vinícius - Deixou o adversário cruzar em diversos momentos. Defensivamente não repete as boas atuações do ano passado. - 4,5
Adonís - Que joga exposto é uma verdade, mas sua saída de bola piora a cada jogo. Tinha errado duas vezes em 10 minutos e posteriormente da o contra-ataque que gera o gol do adversário. - 3,5
Luan Peres - Fez várias coberturas de Adonís e Lira, mas não bloqueou Negueba no segundo gol. - 5,0
Lira - Não repetiu a grande atuação do duelo contra o Vasco. Tem apenas 18 anos. Tirar o menino do time não é a solução. Há margem de evolução. - 5,0
Arão - Teve a mesma quantidade de participações com a bola que Brazão. - 4,5
Schmidt - Perdeu todas na velocidade e não conseguia fazer coberturas, deixando a defesa exposta. - 3,5
Bontempo - No segundo tempo ficou aberto pelo lado e consequentemente se tornou menos participativo. Vai melhor de segundo volante do que terceiro homem. - 5,5
Rony - Não conseguiu aproveitar as costas do lateral adversário, que não guardava posição. - 4,5
Thaciano - Titular com menos participações com a bola. Começou aberto pelo lado depois centralizou. - 4,5
Gabigol - De três bolas limpas que teve chance, guardou duas. Longe daquele jogador de seis, sete anos atrás, mas o oportunismo segue. - 7,0
Oliva - Estreou, melhorou o quesito das coberturas, iniciou a jogada do primeiro gol, mas para não dizer que não falei das flores, não fez a "bola coberta" na origem do segundo tento adversário. - 5,5
Menino - Não precisava de muito, mas foi ligeiramente melhor do que o substituído. - 5,5
Barreal - Entrou como lateral, função que não está acostumado na carreira. Também faltou fazer a bola coberta no segundo gol, no caso no momento da assistência. - 4,5
Rollheiser - SEM NOTA
Zé Ivaldo - SEM NOTA
(*) Pedro La Rocca - Estudante de jornalismo, repórter na Energia 97FM.




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