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"COMIGO FOI BEM..."

Publicado às 14h08 desta terça-feira, 24 de novembro de 2015.
O ex-presidente do Santos entre 2010 e 2013, Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro foi o convidado do Programa Blog ao Vivo, projeto do Blog do ADEMIR QUINTINO, nesta última segunda-feira (23). O ex-mandatário santista está lançando sua biografia  “Paixão e Ousadia: Uma Vida que Vale a Pena Contar”. A obra é assinada pelo jornalista Bruno Freitas, com colaboração de Arnaldo Hase. No livro, o presidente campeão da Taça Libertadores de 2011 destaca as principais passagens da carreira, tanto dentro quanto fora do esporte. Durante quase uma hora de entrevista, o dirigente relembrou as seis conquistas e se defende afirmando que enquanto esteve no comando do clube praiano, a receita era de superávit.

Para quem tiver tiver interesse em adquirir o livro, pode pedir através da internet através do http://bookstart.com.br/laor.


ADEMIR QUINTINO: O que você conta no livro? Apenas a passagem como dirigente do Peixe?
Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro: "Sempre tive uma vida muito atribulada. Nasci em Santos, no canal 3, mas com um ano e meio eu vim para o Planalto, mas com a paixão confirmada pelo Santos, mesmo naquele tempo que não ganhava nada. Eu era apenas um santista perdido na neblina de São Paulo tomando gozação dos amigos rivais e vivendo um complexo de inferioridade. À partir de 55, minha história mudou, com o título daquele ano e a supremacia que viriam nos anos seguintes. O Santos é o futuro e o presente time dos jovens revelados vindos da base. Em 78, se confirmou com Nilton Batata, Juary, Pita e outros, em 84, já sem o estilo revelador e voltamos a ganhar expressivamente em 2002, com garotos da base. Essa é a história do Santos, o sangue do Santos, dos meninos jovens. Eu tive a oportunidade de trazer um técnico, o Dorival Junior, que deu chance aos reservas. Você se recorda que o Luxemburgo chamava o Neymar de "Filé de Borboleta". O Dorival entendeu que tinha que dar chances a esses garotos e ganhamos tudo. Foram seis títulos em três anos de gestão. Isso eu conto no livro, e mais do que isso, eu conto os bastidores da conquista da Libertadores, o resgate do prestígio junto a imprensa mundial, como saneamos as dívidas deixando o caixa em 2012 com R$ 15 milhões de superávit."
AQ: O senhor se sente injustiçado pelas críticas?
LAOR:  "Os meus problemas de saúde acabaram comigo. Fui internado sete vezes em 2013, sendo uma delas com mais de 60 dias, com 30 dentro da UTI. Seu espaço no facebook tem uma audiência extraordinária e trocamos uma mensagem semana passada e você se referiu a mim com muita gentileza, mas sempre tem algumas pessoas do contra e acham que eu tenho culpa do restante do meu mandato completado pelo meu vice que deixou o clube quebrado. Imaginamos que o goleiro Vanderlei defenda o time em um jogo e termine o primeiro tempo 0 a 0. Ele realizou defesas espetaculares e na segunda etapa, entra o reserva imediato e o time perca por 4 a 0. Vai responsabilizar o Vanderlei por isso? Evidente que não. O presidente é o presidente e o vice é o vice. Eu ajudei a encher de orgulho, o amor próprio da torcida.  Sempre fui pioneiro. No Santos, fui pioneiro no futebol brasileiro tanto que na minha reeleição tive 87% dos votos". 
O Rei do Futebol - Pelé, o ex-presidente do Santos - Luís Álvaro e o atual governador, o torcedor do clube Geraldo Alckmin.
AQ: Mudou tanto assim da gestão LAOR para a gestão Odílio? Afinal de contas, o mesmo grupo que o reelegeu deu sustentação ao mandato completado pelo seu vice, já que o sr. falou em superávit, porém, a realidade encontrada foi totalmente diferente no final de 2014?
LAOR: É muito fácil e simples. Eu me chamo Luís Álvaro e ele Odílio. Nesse livro você vai entender que a bagagem de vida que eu trouxe para o Santos Futebol Clube, com as minhas experiências no Banco Central, Banespa, diretor de multi-nacional, eu era homem de negócios e trouxe comigo na assessoria da presidência, pessoas conhecidas e das mais importantes no mercado econômico brasileiro. A medida que minha saúde ia piorando, esses mesmos assessores em 2012, pediram para que eu me licenciasse. Nesse ano, eu participei apenas de 40% das reuniões do Comitê de Gestão durante um semestre. Eu tenho uma maneira de administrar, o Odílio tem a dele. Eu o conheci, as vésperas da primeira eleição que vencemos, em 2009. Nos demos muito bem nos dois primeiros anos, ele era Secretário de Saúde da cidade de Santos, não participava muito. À partir de dezembro de 2012, eu ficava em uma posição mais como representante da entidade diante de entrevistas e compromissos externos e fui passando as responsabilidades administrativas para o vice. Quando pedi licença em agosto de 2013, o Odílio tirou todos do CG que eu nomeei e colocou um novo grupo, sem que eu fosse sequer consultado, eu havia me afstado, mas ainda era presidente. Tinha alguns que eu sequer conhecia. Toda a equipe técnica que eu levei foi demitida. Ele formou o seu time ao seu estilo.
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Clique na figura e ouça na íntegra o "Blog ao Vivo" que foi ao na última segunda-feira e teve o ex-presidente Luís Álvaro

AQ: O Neymar por tudo que representa não foi vendido muito barato? os 17 milhões e a engenharia financeira ara dar um chapéu na DIS com a preferência de compra por parte do Barcelona no futebol de Giva, Victor Andrade e Gabriel?
LAOR: "Não demos balão em ninguém. Vou dar um exemplo. Você chama um corretor de imóveis ele traz um cliente e vende o apartamento que você desejava. Assim que o cliente chega ao apartamento, deseja que os livros, quadros e bandeiras do Santos que ainda estão lá, também sejam comprados por ele. Eu tenho que pagar a comissão desses livros e artigos que eu mesmo negociei? O Barcelona nos propôs uma parceria e ambos tem vocação de revelar jogadores na base. Depois, nos propôs mais duas partidas amistosas. Estipulamos um piso mínimo de 4,5 milhões de euros por um jogo no Brasil. Em 2010, eu fiz a loucura de repatriar o Robinho junto ao Manchester City e demos a preferência do Ganso e do Neymar ao clube inglês. A maledicência imaginária de quem tinha parte dos direitos econômicos acredita que tem parte de todo o resto. Nós vendemos o Neymar e o Odílio conduziu bem. Em 2012, Neymar não participou de quase 50% dos jogos do Santos em razão de torneios caça-niqueis e jogos amistosos da Seleção Brasileira. Em 2013, véspera do Mundial do Brasil, seria o mesmo e à partir de dezembro, ele podia assinar com quem quisesse pois seu contrato se encerraria no ano seguinte e o clube não ficaria com nada. O Odílio fez um cálculo pró-rata (valor proporcional ou residual) e chegou aos 17 milhões de euros. Barato? Acho que sim, mas jogador não é mercadoria. Ele se manifestou dizendo que desejava sair e ele me afirmou que queria ir para o Barcelona e tudo sem eu saber que as vésperas do Mundial que disputamos em 2011, no Japão, ele já tinha recebido dinheiro dos espanhóis".

AQ: Presidente Luís Álvaro, o senhor é conhecido também por ter uma grande lábia. O sexo frágil foi uma das razões dos seus problemas de saúde?
LAOR: "Não tenho lábia. Eu sou um senhor, pai de seis filhas, tive três casamentos. Qual tempo eu teria para mulheres se eu saia do clube às 23 horas de um dia e às 9 do dia seguinte eu já estava despachando? Eu só argumento quando estou convencido. Se pedir para eu argumentar a favor dos terroristas de Paris eu não vou conseguir. Sou uma pessoa séria, ocupei postos importantes, tudo isso está no livro. Nunca recebi 1 tostão do Santos e nas minhas empresas deixei um administrador que me deu um prejuízo de R$ 600 mil, mas a alegria na final da Libertadores de 2011, no Pacaembu tomado, a energia me transferiu para o céu e se ele existisse, só por isso, tudo já teria valido a pena. Não posso dizer que sou um fracassado respondendo a sua pergunta, pois, após sair do hospital, acabei namorando a minha enfermeira. Uma dica: Sorria e olhe sempre nos olhos quando falar com as mulheres".
O ex-presidente do Santos, durante sua juventude no Banco Central.
AQ: Por que o Santos ficou apenas com o lucro de R$ 800 mil na despedida do Neymar, em Brasília, no estádio Mané Garrincha e a empresa que comprou a partida lucrou muito mais?
LAOR: "Fui procurado pelo presidente da Federação paulista que tinha um grupo interessado em comprar os direitos da partida. Eles nos ofereceram 800 mil, 900 mil, não me recordo ao certo, livres de despesas com passagens aéreas e hospedagem incluídas. Olhei o borderô das últimas 20 partidas do Santos na Vila e na capital e nenhuma delas nem chegava perto desse valor. Para manter elenco campeão tem de ganhar dinheiro".
AQ: Pra finalizar, qual a avaliação que o senhor faz dos primeiros 11 meses da gestão Modesto Roma Junior a frente do clube? 
LAOR: "Eu liguei outro dia para ele para dizer quais eram as minhas impressões. Acho que o Modesto dentro de campo está bem. O clube continua a missão de manter e revelar jovens. A equipe está vencendo e produzindo resultados. A parte financeira não tenho acompanhado, mas espero que quem sabe com mais um título, o da Copa do Brasil, o Santos possa voltar a ter patrocínio master e ganhar um pouco mais de dinheiro".

Torcida promete uma linda festa para receber os finalistas da Copa do Brasil.
CORREDOR DE FOGO


Uma grande festa está sendo preparada para recepcionar o ônibus da delegação santista na sua chegada a Vila Belmiro, para o duelo diante do Palmeiras pelo primeiro jogo da grande decisão da Copa do Brasil 2015. 

Um evento criado no Facebook, onde já contam com mais de duas mil confirmações de presença convoca os torcedores para o "Corredor de Fogo" 

Para participar é fácil, basta comparecer, munido de sinalizadores, "piscas", fumaças, bexigas, bandeiras, ou simplesmente ar nos pulmões para cantar com toda força e incentivar os jogadores antes mesmo da bola rolar. 

A concentração será na Rua Princesa Isabel a partir de 19h30. 

Compareça a festa, e façamos das ruas da Vila Belmiro, um verdadeiro caldeirão alvinegro. 



 

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