Lutar contra o rebaixamento no Brasileiro não diz sobre quem acerta mais, mas sim sobre quem erra menos. Santos erra além da conta. Pode não cair, mas dependerá e muito dos demais. No Rio de Janeiro, com requintes de crueldade, Botafogo 2x1 Santos. Barreal marcou. Mas Lucas Emanuel e Kadir também.
Cuca desfez boa parte daquilo que havia preparado na intertemporada. Sacou Rony do time para Thaciano ser o centroavante. Igor Vinícius, que passou boa parte do período sem jogos entregue ao DM, retomou a lateral-direita, que estava sob controle de Gabriel Menino.
A proposta de jogo que o treinador enviou ao Rio de Janeiro não é coerente com a mudança feita no setor ofensivo. A profundidade do time era zero, já que por trás vinham Barreal, Rollheiser e Miguelito, da esquerda para a direita.
Ainda assim, quando resolvia colocar a bola no chão, conseguia chegar a partir do jogo apoiado. Miguelito ainda finalizou na trave aos 23 minutos, antes do adversário abrir o placar com 40. Aos 44, Barreal obrigou Léo Linck a fazer milagre.
Para a segunda etapa, Barreal empatou aos 56 minutos, quando o Alvinegro de Vila Belmiro vivia seu melhor momento.
A partir dali, o time de Cuca deu pouquíssimas chances para o adversário, apesar de uma posse de bola inferior, e ainda empilhou oportunidades desperdiçadas. Thaciano perdendo sem goleiro, Veríssimo cara a cara com Léo Linck, bola na trave no que seria um gol contra, Rony também no poste.
Mas o filósofo contemporâneo, Muricy Ramalho, já diria: "a bola pune". E puniu o Santos. Em novo erro individual. Brazão e Luan Peres não se comunicaram. Assim como faltou comunicação entre Escobar e a dupla de zaga no primeiro gol do adversário.
Apesar do resultado passar muito longe da responsabilidade da comissão, ela merece alguns questionamentos.
Desde o pré-copa Luan Peres já se mostrava sem confiança. O menino Ananias vinha de melhores jogos e está com ritmo de jogo, porque vem atuando pelo sub-20. Por que não colocar o garoto?
Coragem essa que sobrou ao treinador botafoguense ao colocar um centroavante de 17 anos recém-completos para estrear no profissional. Coroado com um gol.
Aqui está falando um crítico inconteste do Rony, mas se treinou o tempo todo com ele, fez dois amistoso com ele entre os titulares e vai ao RJ para jogar no contra-ataque, não tinha sentido Thaciano ser escolhido na vaga dele.
Há exatos 46 dias foi o último jogo do Peixe antes da parada. Não tem cabimento dois jogadores pedirem substituição por cansaço (Rollheiser e Igor Vinícius), Barreal com 75 minutos não aguentar mais dar um pique e Gustavinho "estourar" a coxa com menos de 10 minutos da etapa final.
BOTAFOGO: Léo Linck; Vitinho (Mateo Ponte, aos 41/2T), Ferraresi, Justino e Alex Telles (Marçal, aos 41’/2ºT); Huguinho, Medina, Lucas Villalba e Matheus Martins (Santi Rodríguez, aos 19’/2ºT); Lucas Emanuel (Edenílson, aos 31/2ºT) e Kauan Toledo (Kadir, aos 31’/2ºT) . Técnico: Franclim Carvalho
SANTOS: Gabriel Brazão; Igor Vinícius (Gabriel Menino, aos 24’/2ºT), Lucas Veríssimo, Luan Peres e Escobar; William Arão, Gustavo Henrique (Christian Oliva, aos 8’/2ºT) e Rollheiser (Gabriel Bontempo, aos 24’/2ºT); Miguelito (Nadson, aos 18’/2ºT), Thaciano (Rony, aos 18’/2ºT) e Barreal. Técnico: Cuca
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| Barreal marcou pela quinta vez no ano |
Brazão - Fez um jogo quase perfeito. Tecnicamente não errou nada. Quase porque está entre os responsáveis pelo gol da derrota. - 6,0
Igor Vinícius - Atacou muitas vezes por dentro e assim construiu seus poucos, mas melhores lances. - 5,0
Veríssimo - Perdeu muitos lances em velocidade, o que não acontecia antes. Foi colocado na fogueira no primeiro gol. - 5,0
Luan Peres - Falha diretamente nos dois gols. Passe muito curto para Veríssimo e sem avisar do adversário chegando por trás, além de não ouvir Brazão no gol da derrota. Além disso, pouco antes do segundo gol, já havia deixado um adversário cara a cara com o goleiro Santista. - 3,0
Escobar - Participa também efetivamente do primeiro gol dos cariocas. Vai sonhar a noite toda com Villalba. Um jogador de Série A não pode acertar apenas 75% dos passes. - 4,0
Arão - Dentro de suas limitações, principalmente físicas, não fez um jogo trágico como em outrora. Bem posicionado no jogo aéreo. - 5,0
Gustavinho - Mais preocupante do que qualquer atuação do menino é sua questão física. Inexplicável voltar após 40 dias com lesão muscular. - 5,0
Rollheiser - Reitero o que disse a Gustavinho. Como que fica um mês se preparando e volta sem aguentar 75 minutos. - 4,5
Miguelito - Não acho que deveria ter saído aos 63 minutos. Deu cinco passes para finalização. É verdade também que perdeu um gol perdido quando o jogo estava zerado. - 6,0
Barreal - Jogador com mais coragem de finalizar em todo jogo, enquanto aguentou. De esquerda marcou, mas também com a direita fez Léo Linck trabalhar e muito. - 6,5
Thaciano - Perdeu um gol sem goleiro no melhor estilo Lautaro. - 4,5
Oliva - Deveria ser titular absoluto como primeiro volante. - 6,0
Nadson - Entrou com personalidade. Ainda vai amadurecer sua tomada de decisão. Mas pelo que vem fazendo no sub-20 com 17 anos e agora iniciando no profissional, já dá para ver que algum fruto vai gerar. - 6,0
Rony - Fazia mais sentido estar no primeiro tempo quando o Peixe buscava o contra-ataque. Acertou uma bola na trave. - 6,0
Bontempo - Deixou Barreal na cara do gol, obrigou Léo Linck a fazer grande defesa. Recuperado fisicamente, é muito titular do time. - 6,5
Menino - SEM NOTA
(*) Pedro La Rocca - Estudante de jornalismo, repórter na Energia 97FM.




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