CAMPO REFLETE ERROS FORA DELE

Publicado às 23:21 deste domingo, 22 de fevereiro de 2026
(*) Pedro La Rocca

Fim de Campeonato Paulista para o Santos. Nem mesmo o retorno do principal jogador  foi capaz de encobrir os problemas do time - que são muitos. Rômulo e Léo Naldi colocaram o Novorizontino nas semifinais e Bontempo marcou o único tento do Peixe. 2x1 no placar. É a quinta vez nos últimos sete anos que o Alvinegro de Vila Belmiro se ausenta dos quatro melhores do estado.

Após a goleada sobre o rebaixado Velo Clube, Vojvoda se aventurou em fazer seis alterações no 11 inicial. Igor Vinícius (suspensão) e Adonís (lesão) ficaram aptos para jogo e retomaram seus lugares no time. Mayke e Zé Ivaldo saíram.

Além deles, Lira, Bontempo, Thaciano e Moisés também começaram no banco para as entradas de Escobar, Menino, Neymar e Rony.

Não dá para dizer que ambas equipes fizeram por merecer alguma positividade no placar no primeiro tempo, porque Brazão e Jordi pouco trabalharam embaixo da trave. Mas a ideia de jogo era clara. Santos queria ter a bola e os locais faziam de bom grado a pressão alta. Foram quase 50 passes errados do time Santista na primeira etapa.

Além disso, os 72% de posse de bola do time de Vojvoda não surtiu efeito algum, já que os comandados de Enderson Moreira finalizaram 12 vezes contra três.

Com 43 minutos, o Peixe desperdiçou sua única e grande chance. Gabigol foi parado por Jordi e na sequência Rony, com goleiro vendido, perdeu a oportunidade. Como no futebol a bola costumeiramente pune, o placar foi aberto pelo adversário dois minutos depois.

Do intervalo Vojvoda voltou com o óbvio. Bontempo na vaga de Menino. Estou até agora tentando entender o motivo do treinador ter mudado a dupla de volantes do último jogo. O campo implorava pelo guri e mostrou mais uma vez. Longe de sua melhor atuação, mas deu dinâmica, qualidade e ainda marcou o tento de empate.

Não sou maluco de julgar as entradas de Igor Vinicius e Neymar, por exemplo, mas não tinha necessidade de fazer todas as outras quatro alterações. Time que ganha até se mexe, mas não de forma drástica como aconteceu.

O gol que aconteceu aos 64 minutos deixou o Peixe melhor no jogo por algum momento e terminou o segundo tempo com o dobro de chutes em relação ao primeiro. Neymar fez o goleiro adversário trabalhar em bolas paradas e Moisés perdeu grande chance aos 91.

O que mais incomodou nesse intervalo de tempo, foram as tomadas de decisão equivocadas do ataque. Oportunidades não faltaram, mas paravam no último passe ou em finalizações, que não eram as escolhas certas nos respectivos momentos.

Num roteiro parecido da primeira etapa, o Peixe tomou um balde de água fria com o gol de Léo Naldi e consequentemente a desclassificação no estadual. Gol nada surpreendente.

Falta de concentração absurda para um momento daquele do jogo. Adonís indo dar bote fora da área, Miguel tomando drible desnecessário, Arão e Luan Peres fora da cobertura. 

Nada surpreendente, porque venceu o time que se organiza dentro de campo, que se planeja fora dele e que tem projeto esportivo. Futebol não é ciência exata, mas a atual gestão Santista acha que é, contratando a esmo sem explicação técnica alguma pensando que dará certo. 

Preocupa o Brasileirão. Já são sete enfrentamentos contra equipes da elite com nenhuma vitória. São 12 jogos no ano com três resultados positivos apenas. 

Claro que o fator Neymar dá esperança de um destino diferente, mas o entorno e treinador também não ajudam e coloca o time numa condição de novamente brigar para não cair. Além de que não se sabe quanto tempo o camisa 10 irá precisar para readquirir o ritmo de jogo ideal.

Futebol profissional necessita de profissionalismo. Não há dentro do Santos. Por dois anos e meio venderam o discurso de reconstrução. Mas no último ano de gestão, é o único grande a ficar fora das quatro forças do estado. Sintomático. Transfer ban, fora das semifinais do estadual, dívida que já ultrapassa a casa do bilhão.

FICHA TÉCNICA
NOVORIZONTINO 2 X 1 SANTOS

Competição: Campeonato Paulista (Quartas de final)
Local: Jorge Ismael de Biasi, Novo Horizonte (SP)
Árbitro: Flávio Rodrigues de Souza
Cartões amarelos: Juninho e Enderson Moreira (técnico) (Novorizontino); Luan Peres (Santos)

Gols: Rômulo, aos 45’/1ºT (1-0), Gabriel Bontempo, aos 19’/2ºT (1-1), Léo Naldi, aos 51’/2ºT (2-1)

NOVORIZONTINO: Jordi; Alvariño, Patrick, Dantas e Mayk (Eduardo Brock, aos 50’/2º); Léo Naldi, Luís Oyama (Caio Dantas, aos 50’/2º), Tavinho (Vinícius Paiva, aos 15’/2ºT), Titi Ortiz e Rômulo (Juninho, aos 39’/2ºT); Robson. 

Técnico: Enderson Moreira

SANTOS: Gabriel Brazão; Igor Vinícius, Adonis Frías, Luan Peres e Escobar; Willian Arão, Gabriel Menino (Gabriel Bontempo, no intervalo), Barreal (Moisés, aos 17’/2ºT) e Neymar; Rony (Miguelito, aos 44’/2ºT) e Gabriel Barbosa (Thaciano, aos 36’/2ºT). 

Técnico: Juan Pablo Vojvoda

Neymar foi titular pela primeira vez após cirurgia

NOTAS DOS JOGADORES DO SANTOS

Brazão - Fez uma grande defesa no segundo tempo. Não estava saindo bem do gol. - 5,5

Igor Vinícius - Deu o passe para o gol de empate. Não comprometeu na defesa. - 6,0

Adonís - Ao mesmo tempo que deixava espaços como aconteceu no tento que culminou na derrota ao não guardar posição, pela mesma virtude iniciou a jogada do gol. - 4,5

Luan Peres - Vinha fazendo uma grande partida, mas também teve culpa no segundo gol sofrido pelo Peixe. Tem muita dificuldade no jogo aéreo. - 5,0

Escobar - Abaixo no primeiro tempo, mas cresceu no segundo. Ficou mais preso à defesa e parou contra-ataques do adversário. Várias vezes precisou da cobertura de Luan Peres. Teve 15 perdas de posse. - 5,0

Arão - Também falha no gol ao marcar a bola e não Léo Naldi que chegava por trás. - 5,0

Menino - Com 10 minutos já tinha perdido a bola quatro vezes. - 4,5

Neymar - Ainda vai adquirir o ritmo ideal com o tempo. Mesmo cansado, não deixou de correr e ficaria duas vezes na cara do gol se os companheiros o vissem no segundo tempo. Erra o passe que culmina no primeiro gol adversário. - 5,5

Barreal - Sumido do jogo. - 4,0

Rony - Muita correria, mas pouco apareceu seu futebol. Perdeu grande chance com goleiro já vendido antes da abertura do placar. - 5,0

Gabigol - No mesmo lance do gol perdido de Rony, o camisa nove desperdiçou ótima oportunidade. - 5,0

Bontempo - Inexplicavelmente foi reserva. Longe do seu melhor jogo tecnicamente falando, mas dá outra dinâmica para o time lento que o SFC tem. Não por acaso foi coroado com um gol. - 6,5

Moisés - Se tomasses decisões como tem recurso técnico certamente não estaria no Santos. Pecou em pelo menos duas escolhas. - 5,0

Thaciano - Pressionou mais que Gabriel, mas a bola pouco chegou para que finalizasse. - 5,5

Miguelito - SEM NOTA

 (*) Pedro La Rocca - Estudante de jornalismo, repórter na Energia 97FM. 

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