INSUSTENTÁVEL

Publicado às 02:12 desta quinta-feira, 19 de março de 2026


(*) Pedro La Rocca

Depois de 33 jogos, 10 vitórias, 13 empates e 10 derrotas, sendo uma delas para o Internacional nessa quarta-feira (18) por 2x1, a era Vojvoda foi interrompida ainda no vestiário pela diretoria Santista. Neymar (pênalti) de um lado e Zé Ivaldo (contra) e Carbonero marcaram os gols do jogo que deram fim ao trabalho do argentino no Peixe.

Como a demissão partiu do lado do clube, agora há uma dívida com o treinador de cerca de R$11,7 milhões, representando todos os salários que tinha a receber até o final do contrato. Somada à multa de Pedro Caixinha, agora já acumula-se quase R$30 milhões em pendências com treinadores da atual gestão.

O aproveitamento de 43% é igual ao de Pedro Caixinha e 1% superior a Cléber Xavier.

Cuca é o preferido da alta cúpula.

Ainda que o treinador fosse o menor dos culpados, já que não tem culpa do elenco caro e desequilibrado que lhe foi ofertado, os dois últimos jogos foram de imensa responsabilidade dele - especialmente pelas escalações.

Três zagueiros e três volantes contra o Corinthians, volta do 4-2-4 contra o Inter, sem meia de ligação, sem profundidade em uma das laterais, sem jogador de drible curto no ataque, espetando Neymar e Gabigol sem a bola chegar, nem quadrada nem redonda. Não há como criar sem um elo de ligação entre o meio e ataque.

Além disso, contar com o zagueiro mais caro do país e deixá-lo no banco em dois jogos, tendo Adonís e Zé Ivaldo jogando é um crime. Ainda que o Veríssimo não esteja bem fisicamente, não havia necessidade de terminar o jogo do Inter com a dupla. 

Subindo patamares no clube, não me surpreende, mas me decepciona muito que a demissão de um treinador de um clube como o Santos tenha que ser anunciada pelo gerente de comunicação sem a presença de um membro do departamento de futebol.

Sem colocar na conta a falta de respeito com o profissional Vojvoda que sabia que seria demitido, mas a gestão esperou um momento conveniente para eles para tomar tal ação. 

Não quero ser profeta do apocalipse, mas o roteiro de 23 está sendo seguido à risca. Diretor de futebol gastando horrores na montagem de um elenco onde não há compatibilidade entre valores e qualidade. Presidente que some no momento de crise e as poucas entrevistas que dá são desconexas com a realidade.

No final de tudo, sobra para o treinador, porque é mais fácil. Mas se para todas as situações a solução for essa, não só o treinador entraria no barco (ou navio)...

FICHA TÉCNICA

Santos 1 x 2 Internacional

Competição: 7ª rodada do Campeonato Brasileiro
Local: Vila Belmiro, em Santos (SP)
Árbitro: Davi De Oliveira Lacerda (ES)
Cartões amarelos: Escobar, Igor Vinícius, Zé Ivaldo e Neymar (SAN); Féliz Torres e Vitinho (INT)

Público: 10.031
Renda: R$ 631.264,73

Gols: Carbonero e Zé Ivaldo (contra – INT); Neymar (SAN)

SANTOS: Gabriel Brazão; Igor Vinícius, Adonis Frías, Zé Ivaldo e Escobar (Rollheiser); Willian Arão (Gabriel Menino), Christian Oliva e Neymar (Thaciano); Rony (Moisés), Barreal e Gabriel Barbosa. 

Técnico: Juan Pablo Vojvoda

INTERNACIONAL: Rochet; Bruno Gomes, Félix Torres, Victor Gabriel e Matheus Bahia; Bruno Henrique (Bruno Tabata), Villagra (Ronaldo), Alan Rodríguez (Thiago Maia) e Vitinho; Alerrandro (Aguirre) e Borré (Carbonero). 

Técnico: Paulo Pezzolano

Zé Ivaldo fez o primeiro gol do jogo, porém contra
NOTAS DOS JOGADORES DO SANTOS

Brazão - Por se tratar do melhor goleiro do país, o segundo gol era defensável e não havia necessidade de espalmar a bola para frente no lance anterior. Ainda assim evitou uma goleada do adversário no primeiro tempo. - 5,5

Igor Vinícius - Segundo gol nas costas do lateral, que já teve melhores dias ofensivamente falando. - 4,5

Adonís - Se o Inter tivesse mais qualidade tinha falhado em dois gols. - 4,0

Zé Ivaldo - Fez um gol contra bizarro. Jogou sem segurança alguma. - 3,0

Escobar - Nulo. - 4,5

Arão - Não tenho informação da sua parte física, mas estava sempre atrasado nas jogadas. - 4,5

Oliva - Um oásis no deserto. Volante mais rápido do elenco. Titular sem sombra de dúvidas, mas como primeiro volante. - 6,0

Neymar - Jogou como segundo atacante, mas foi pouco acionado. Não tinha um jogador para fazer aproximação com o craque. - 5,5

Barreal - Começou pela esquerda, quando foi à direita foi mais acionado, mas nada além do normal. - 5,0

Rony - Muita volúpia, mas não tem drible curto para jogar de ponta num 4-2-4. - 4,5

Gabigol - Centroavante que mais passa fome no país. - 5,5

Moisés - Precisa de 10 para acertar uma, mas tem drible curto e qualidade técnica - algo que falta nos que disputam na sua posição. - 6,0

Menino - Importante para fazer o box-to-box. Deixou Neymar menos órfão. - 5,5

Rollheiser - Teve falha de escolinha ao virar de costas no lance do segundo gol. - 5,0

Thaciano - SEM NOTA

(*) Pedro La Rocca - Estudante de jornalismo, repórter na Energia 97FM.


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