SOFREU DO INÍCIO AO FIM, MAS A BASE SALVOU (DE NOVO)

Publicado às 19:31 deste domingo, 14 de maio de 2023

(*) Pedro La Rocca

Depois de muito sofrimento e vontade, o Santos conquistou a sua vitória mais importante no início da caminhada no Campeonato Brasileiro. Depois de perder dois pontos jogando dentro de casa contra o Atlético-MG, era crucial recuperar o que foi perdido longe de casa. Contra o Vasco, em São Januário, nesse domingo, o Alvinegro de Vila Belmiro chegou aos 10 pontos, porque venceu por 1x0. A joia Deivid marcou o único gol da partida.

Como o técnico Odair Hellmann não pôde contar com Lucas Pires e Mendoza, ambos com problemas musculares, Nathan e Lucas Braga receberam oportunidade no time titular. Rodrigo Fernández, que voltou de suspensão, no lugar do Camacho, foi outra mudança. 

O início de partida foi totalmente de domínio do time mandante, que escalou a sua equipe pensando nas dificuldades do Peixe. Como o Santos marca num 4-4-2, o Vasco trazia seus meias para triangular pelo lado do campo e colocar a defesa Santista em inferioridade numérica. 

Se Lucas Braga e Inocêncio tiveram muita dificuldade na marcação, sendo dois jogadores com essa característica, Nathan e Ângelo iriam sofrer muito mais se o adversário acionasse mais aquele lado. 

O primeiro tempo Santista foi de apenas 38% de posse de bola. Esse será o Santos jogando fora de casa neste Brasileirão. Como já diria a velha expressão - "o Peixe soube sofrer" e só veio a finalizar pela primeira vez aos 28 minutos de jogo. E quem diria que seria tão certeiro.

Lucas Lima tabelou com Lucas Braga e o camisa 23 encontrou o garoto Deivid na entrada da área. Em frente ao capitão adversário Léo, o Menino da Vila mostrou mais uma vez sua grande personalidade, calma e poder de decisão, colocou no canto esquerdo do goleiro Léo Jardim.

Como tem jogado o Menino de apenas 17 anos. No sub-17, em 2022, já mostrava seu potencial. Eu até dizia, que parecia um adulto jogando em meio à crianças. Em São Januário, estádio que oferece uma das maiores pressões do país, o gol mostrou que o garoto se sentia em mais um jogo da base no CT Rei Pelé, tamanha a calma.

O time adversário sentiu o golpe e João Paulo, que até então vinha sendo o grande nome da primeira etapa, não fez mais nenhuma defesa após a abertura do placar.

No segundo tempo, o Santos abdicou de jogar bola. Plantou dois ônibus em frente à área e sobreviveu na base dos chutões e rebatidas dos zagueiros. Se Joaquim no último jogo teve 18 rebatidas, nesse teve 21 - Messias 13.

Foram mais três finalizações pelo lado Santista, mas duas originadas de bolas paradas - Daniel Ruiz de falta e Joaquim aproveitando a segunda tentativa de uma bola alçada na área.

O Vasco tentou 54 cruzamentos ao longo da partida e o Santos tem dois bons jogadores na bola aérea. Era tudo que o time de Vila Belmiro queria, porque quando o Vasco colocou todo o seu time do lado esquerdo para jogar por dentro, foi um Deus que nos acuda.

O Santos em toda partida, teve 173 passes, enquanto os mandantes tiveram 248 só na segunda etapa.

A principal válvula de escape do Santos era o Lucas Lima e apesar de fazer mais uma partida abaixo tecnicamente, Lucas Braga também era opção. Quando os dois saíram, em 21 e 39 minutos, respectivamente, o Peixe perdeu completamente sua força para atacar e por isso sofreu demais, especialmente nos últimos 10 minutos regulamentares mais os 10 de acréscimo.

Ao torcedor, esse será o Santos quando jogar fora de casa. Não espere algo diferente. Principalmente quando fizer um gol no primeiro terço de partida, a postura de marcação será no bloco baixo para obrigar o adversário a jogar na bola aérea. 

Mais do que a organização, a postura do time desde a ridícula derrota para o Ituano já mudou muito. Um time que nas duas últimas partidas vendeu muito caro um gol sofrido - e por isso não sofreu. 

Importante as últimas vitórias, porque são dois adversários que jogarão o mesmo campeonato do Santos. Pode-se dizer, que a sequência é para ter medo, eu prefiro ter outra visão. Os próximos jogos, especialmente no próximo jogo do Brasileiro, no sábado (20), contra o Palmeiras, será para provar que o time realmente evoluiu.

Não posso chegar aqui, falando que o time, por ter jogado bem e evoluído vai conquistar o título de um dia para o outro. Pelo campeonato que o Santos vai enfrentar até o final da competição, sair de 33,3% para 55,5% de aproveitamento é bom, construir uma gordura já de 10 pontos em seis jogos é importantíssimo. A luta continua, faltam 35 para os sonhados 45.

O próximo jogo do Santos será contra o Bahia, porém pela Copa do Brasil. Na quarta-feira (17), o Peixe encara o jogo de ida do confronto de oitavas de final, na Vila Belmiro. A bola rola às 19 horas.

FICHA TÉCNICA
VASCO X SANTOS

Local: São Januário, no Rio de Janeiro (RJ)

Árbitro: Rodrigo Jose Pereira de Lima

Cartões amarelos: Erick Marcus, Puma, Robson Bambu e Léo (Vasco); Nathan e Odair Hellmann (Santos)

Gols: Deivid, aos 28’ do 1ºT (Santos)

VASCO: Léo Jardim; Puma, Robson, Léo e Lucas Piton; Jair, Galarza (Alex Teixeira) e Barros (Orellano); Gabriel Pec (Erick Marcus), Figueiredo (Rodrigo) e Pedro Raul
Técnico: Maurício Barbieri

SANTOS: João Paulo; Nathan, Messias, Joaquim e Gabriel Inocêncio; Rodrigo Fernández, Dodi e Lucas Lima (Lucas Barbosa); Ângelo (Daniel Ruiz), Deivid (Alison) e Lucas Braga (Ed Carlos).
Técnico: Odair Hellmann

O "Presidente" Deivid marcou pela segunda vez consecutiva no time profissional


NOTAS DOS JOGADORES DO SANTOS

João Paulo - Fez uma partida digna de Papa João Paulo III, como foi no ano passado. Ele e o time precisam desse goleiro até o final do ano, sem oscilar como tem sido. - 8,0

Nathan - Gera muito espaço defensivamente e ainda não tem cobertura. - 4,0

Messias - Tem muita dificuldade no mano a mano e teve momentos em que sofreu nesse tipo de jogada, mas na jogada aérea é dominante. É o famoso "zagueiro, zagueiro". - 6,0

Joaquim - Mais uma vez fez uma partida de muita segurança. É um zagueiro muito veloz, mas que sabe a hora de fazer o simples. Teve 21 rebatidas. Muito seguro. - 6,5

Inocêncio - Apesar de ser muito acionado defensivamente, deu conta do recado e não deixou Gabriel Pec jogar. - 6,5

Fernández - Quando está no mano a mano é um grande jogador e dificilmente perde, mesmo se para a jogada com falta, é sua característica, não tem para onde fugir, mas segue com muita dificuldade de manter o posicionamento e quase cometeu um pênalti muito infantil no final do jogo. - 5,0

Dodi - Não foi muito presente no ataque, mas isso foi muito bom, porque o time do Vasco estava encaixado com o do Peixe e segurou as subidas do meia Barros. - 6,0

Lucas Lima - Quando saiu, o time sofreu, porque era o único que puxava os contra-ataques. Deu mais uma assistência na temporada, a sétima. Sua dobradinha com Deivid tem dado certo. - 6,5

Ângelo - Início desligado do camisa 11, segurando muito a bola. Depois fez duas jogadas individuais. Não era jogo para ele mostrar suas qualidade. - 5,5

Deivid - A primeira chance que teve, guardou. Me impressiona a calma de um menino de 17 anos em frente a um zagueiro que é capitão do adversário, num momento em que o Peixe sofria demais na partida. A Vila Belmiro segue sendo uma fábrica de centroavantes. - 7,5

Lucas Braga - Assistente de lateral. Abaixo tecnicamente. - 4,5

Lucas Barbosa - Muito esforçado. Ajudou na marcação em todos os lados do campo. - 6,0

Daniel Ruiz - Pouco participativo. O segundo jogador que menos tocou na bola. - 4,5

Ed Carlos - Ficou mais na ponta do que na sua posição original - o meio. O jogo não pedia a sua entrada. - 5,0

Alison - SEM NOTA.

(*) Pedro La Rocca - Estudante de jornalismo e repórter na Web Rádio Piabanha.

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