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O PRIMEIRO CAPITÃO A LEVANTAR O BRASILEIRO APÓS A ERA PELÉ E COM APENAS 19 ANOS

Publicado às 15h30 desta quarta-feira, 15 de abril de 2020.
O capitão do título do Santos pelo Brasileiro de 2002, Paulo Almeida participou conosco de uma 'live especial no dia do aniversário do alvinegro', que completou 108 anos nesta terça-feira (14) através de uma rede social. 

Em um papo bem descontraído, o volante que começou a ser capitão do Peixe com apenas 19 anos de idade, falou da carreira, relembrou com saudade de quando morava embaixo da arquibancada onde tem o placar eletrônico na Vila e o quanto foi importante a conquista do título mais importante do clube durante 40 anos (anos 70, 80, 90 e 2000):
"Em 2001 eu participei daquele drama (gol sofrido no último minuto contra o Corinthians). O ano começou bem, mas terminou mal para nós.Aquela derrota fez com que o nosso presidente a época, Marcelo Teixeira, começasse a dar moral para a base que tinham grandes jogadores. Foi assim que surgiu o time que seria campeão no ano seguinte."  confessou.
Sobre o quanto representou aquela conquista, o encarregado de levantar a taça após a decisão diante do rival de Itaquera, disse que sempre é reconhecido pelos torcedores alvinegros e sempre o citam como o Paulo Almeida do 'Santos', mesmo tendo jogado até em time rival após retornar da Europa.  
"Em 2002, ainda não tinham sido reconhecidos os títulos do Santos dos anos 60 com o Pelé, seu Zito e outros, então, naquela época para a torcida foi o primeiro título nacional do Santos que o clube conquistou. Até hoje, ainda estamos tendo ideia do nosso feito. Felicidade grande de fazer parte deste time. Foi o melhor time que eu joguei. A melhor fase da minha vida, em todos os termos. Se a gente tivesse mantido aquele time, teríamos conquistados mais títulos do que conquistamos." garantiu.
Os bastidores das 24 horas que antecederam a grande decisão foram contados pelo camisa 5. Disse que Leão era enérgico, mas foi um dos principais, se não, o principal, que ele já trabalhou
"No hotel, ninguém dormiu (na véspera da decisão). Teve até desfile de chuteira no corredor (risos). Todo mundo mostrando a que ia usar na final. No vestiário, o professor Leão nos passou tranquilidade, para fazermos o que fizemos em toda a competição. Sabíamos que o Santos vinha de muitos anos sem conquistar títulos. Perder ali, podia deixar uma sequela grande, principalmente nos jovens como eu, Robinho e Diego. Graças a DEUS deu tudo certo." revelou.
Assim como Robert nos revelou na live do dia anterior, Paulo Almeida temeu pelo pior quando o Corinthians virou o jogo e precisava apenas de mais um gol para ser campeão. O pesadelo do ano anterior, quando o mesmo adversário, ganhou nos acréscimos, veio a mente de todos, inclusive a sua: 
"Passou o filme de 2001 na minha cabeça. O empate era nosso e tomamos aquele gol. Não tínhamos mais o professor Leão (expulso), que sempre foi para a gente, nosso porto seguro. A gente se acertou e o neguinho resolveu. Pedalada resolveu para a gente (risos)”.
Paulo Almeida conta que desde que chegou na base santista, sempre jogou uma categoria acima e apesar de ter subido em 2000, com apenas 16 anos e participado da campanha do vice estadual com Carlos Alberto Silva e posteriormente com Giba no comando técnico, foi outro treinador que deu a oportunidade de uma sequência no time principal. 
"O primeiro treinador a me colocar no profissional foi o Geninho em 2001 e depois quando voltei da Europa também me levou para o Corinthians." revelou.
Sobre as broncas que dava nos seus companheiros, mesmo mais velhos, Paulo Almeida disse que alguém tinha que fazer aquele papel e ele era um dos mais cotados porque conhecia a grande maioria do elenco: 
Sempre tem que ter um né que chama a atenção dos demais? (risos). A vantagem, é que muitos me conheciam da base. Eu era capitão na base também. Já dormiam me escutando. Fui capitão no Sub-17. Quem me colocou de capitão no juvenil foi ‘só’ o Coutinho”.
Sobre a sequência de cinco vitórias em seis jogos da fase final do Brasileiro de 2002, o jogador disse que o São Paulo era o time a ser batido e que a confiança voltou após eliminar o time de melhor campanha: 
"Naquele mesmo ano, perdemos um jogo para o São Paulo (2x3), que eles não passaram do meio no primeiro tempo. Nosso time jogou demais, demais mesmo, criamos muitas oportunidades e acabamos não matando eles. Ficamos felizes ao saber do adversário nas quartas de final e na nossa primeira concentração, em Extrema, indo e voltando para a concentração, o professor Leão colocou o vídeo do primeiro tempo para vermos várias vezes e disse que se fizéssemos igual, íamos passar. Não deu outra e eliminamos o melhor time do Brasil” relembrou.
Paulo Almeida em 2002 pelo Peixe
Paulo Almeida deixa o sorriso de lado e lembra com tristeza a perda do título das Américas, no ano seguinte. Seria o primeiro capitão depois de Zito a erguer o principal troféu sul-americano pelo alvinegro mais famoso do mundo. O time chegou a decisão de forma invicta: 
Faltou experiência. A maioria dos nossos jogadores jogava a primeira Libertadores. O Boca era um time cascudo. Tinha vencido a competição em 2000. Saiu um ou outro, mas a base deles foi mantida. De 2000 a 2004 eles ganharam três libertadores." 
Perguntado de quem deu mais trabalho para que ele marcasse, o capitão santista elencou três jogadores: 
"Kaká, Marcelinho e Valentierra (Once Caldas) me deram muito trabalho."  
Após um Brasileiro e dois vice-campeonatos - Brasileiro 2003 e Libertadores do mesmo ano, Paulo seguiu no Peixe apenas por alguns meses da temporada seguinte e foi embora para a Europa. Porém, não ficou tanto tempo e explica o por quê? 
Saí no meio do ano de 2004. Participei acho que dez rodadas do Brasileiro, aquele ano, antes de ir para Portugal. Podia ter sido melhor minha passagem lá. Tem a adaptação, mas eu quis voltar. Se tivesse a cabeça de hoje, sem os poucos cabelos como estão (risos) tinha concluído meu contrato (no Benfica). Fiquei dois das cinco temporadas. A gente sabe que demora para adaptar, não quis esperar. Vim para o Corinthians, na época da MSI. E conseguimos ajudar o time não cair em 2006. Saiu o Geninho que me trouxe e chegou o Leão. Contribuímos para tirar o time daquela situação” lembrou.
Quase no fim da entrevista o jogador deu detalhes sobre como deu cartão para o árbitro da final entre Santos e Boca no Morumbi e não levou o vermelho: 
“O Fábio Costa fez um pênalti perto do meio do campo e o Jorge Larrionda (árbitro) ia dar o cartão. O Fabiano (genro do Luxemburgo) tirou o cartão dele e me deu. Eu mostrei o cartão para ele (risos). Era para ter me expulsado, mas levou na brincadeira. Já estava no final do jogo” disse a base de muitas gargalhadas. 
O ex-jogador de apenas 38 anos e encerrou sua carreira há quase cinco hoje é empresário da agropecuária. O atleta chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira no começo do século e até participou de um pré-olímpico. 
Estou no meio do mato (na Bahia). Eu que tomo conta da fazenda. Agora sou vaqueiro”.
Por fim, o jogador relembrou como e quem o trouxe para o Peixe no fim dos anos 90: 
"Tive uma passagem na base do Cruzeiro. E um amigo de Itarantim, minha cidade aqui na Bahia, conhecia o Zé Paulo Fernandes e vim para o juvenil do Santos"
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