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SEM EVOLUÇÃO

Publicado às 22h35 deste domingo, 16 de fevereiro de 2020.
O Santos segue sendo o único 'grande' a não perder para clubes do interior de São Paulo, entretanto, o time tem tido postura apática, estática, com pouca imaginação para abastecer o ataque e o empate sem gols diante da Ferroviária, na noite deste domingo (16), em Araraquara, pela sexta rodada do Campeonato Paulista ficou 'barato' para o 'futebol econômico' produzido pelo time de Jesualdo Ferreira.


Os primeiros 45 minutos do duelo foram efetivamente apenas dos donos da casa. O Santos passou 14 minutos sem passar do meio-campo e deu um mísero chute ao gol na primeira etapa. A Ferroviária que está na lanterna do seu grupo, ao lado do Água Santa (não estamos falando do Flamengo, do River Plate ou algo assim), dominou completamente as ações e não fosse o goleiro Everson e 'a vaca teria ido para o brejo'. O camisa 22 realizou duas milagrosas defesas.

Na etapa complementar, o Peixe seguiu lento, com transição através de 'balões' efetuados pelos zagueiros para frente e teve apenas mais uma chance com Felipe Jonatan que parou nas mãos do goleiro do time grená. 

O alvinegro depende única e exclusivamente da individualidade do atacante Soteldo. Não tem aproximação dos meias, compactação, ultrapassagem dos laterais, não tem quase nada. Para não dizer que não falei das flores e que tudo não presta, a defesa está mais protegida, entretanto, ela só não foi vazada esta noite, muito em razão da boa performance do seu goleiro.

Se o time oscilasse, eu classificaria como normal, mas até o momento, não consegui ver 45 minutos descentes do vice-campeão brasileiro. Passaram as poucas semanas, mesmo com jogos apenas uma vez a cada sete dias e não observo evolução no trabalho, a tentativa de construção de algo. O time está completamente desorganizado em campo. 

Assistir jogos do Santos em 2020, tem sido uma demonstração incondicional de amor ao maior alvinegro do planeta. Um time lento que troca muita bola entre os zagueiros sem progressão nas linhas e se não bastasse isso, a qualidade técnica dos jogos da fase de classificação do estadual, são muito abaixo do que o clube vai encontrar a partir de 3 de março, na Libertadores, nos clássicos que estão por vir, além do Brasileiro e Copa do Brasil.

Um dos líderes do elenco Sánchez saiu de campo e citou na entrevista a 'falta de atitude'. Sasha deixou o gramado com cara de poucos amigos e na leitura labial era perceptível o atacante se referindo aos companheiros com a seguinte frase - "A bola não chega".

Após o carnaval, o time só tem pedreiras pela frente. O clássico diante do Palmeiras, os emergentes e melhores equipes do interior Santo André e Mirassol, outro duelo diante de um rival, o São Paulo e estréia na Argentina, pela Libertadores.

Se mudanças tiverem que ser feitas, que não se perca tempo, como em 2018, quando levaram sete meses para perceber que Jair Ventura e não Santos, não mereciam estar numa mesma sentença, quanto mais juntos como patrão e funcionário. 

No próximo sábado (22), o time atua novamente no interior de São Paulo, diante do Ituano.

FICHA TÉCNICA
FERROVIÁRIA 0 X 0 SANTOS
Arena Fonte Luminosa, em Araraquara (SP)
Árbitro: Leandro Carvalho da Silva (SP)
Cartões amarelos: Lucas Mendes, Max, Mazinho (AFE) e Luiz Felipe (SFC)
Cartão vermelho: Max 44'/2ºT (FER)
FERROVIÁRIA: Saulo, Lucas Mendes, Elton, Max e Bruno Recife; Mazinho, Tony, Felipe Ferreira (Patrick intervalo) e Claudinho; Henan (Yuri 29'/2ºT) e Hygor (Léo Artur 38'/2ºT). Técnico: Sérgio Soares.
SANTOS: Everson, Pará, Luiz Felipe, Luan Peres e Felipe Jonatan; Alison, Pituca (Jean Mota 16'/2ºT) e Sánchez; Raniel (Arthur 45'/1ºT), Sasha (Kaio Jorge 26'/2ºT) e Soteldo. Técnico: Jesualdo Ferreira.

O sucessor de Sampaoli, Jesualdo Ferreira ainda não conseguiu dar padrão ao time.

NOTAS DOS JOGADORES DO SANTOS
Everson: Disparado o grande nome do Santos e do jogo. Duas milagrosas defesas no primeiro tempo. - 8,0
Pará: Limitou-se a marcação. Em um lance não conseguiu evitar o drible do adversário que acertou a trave, no segundo tempo. - 5,0
Luiz Felipe: O melhor da defesa, principalmente no primeiro tempo, onde bem colocado, tirou muitas bolas, principalmente de cabeça. - 5,5
Luan Peres: Sem opção para entregar a bola, fez muitas ligações diretas para o ataque. No primeiro tempo, não conseguiu rebater a bola com precisão e quase proporcionou o gol dos donos da casa. - 5,5
Felipe Jonatan: No primeiro tempo, sofreu, assim como já tinha acontecido em Itaquera. O lateral adversário apoiava, faz dois contra um contra o jovem santista em razão do atacante, no caso Soteldo, pouco acompanharem a subida do ala. Melhorou no segundo tempo e quase marcou o gol da vitória. - 5,5
Alison: Muito bem na marcação, como de costume, mas não dava opção para começar a transição da primeira para a segunda linha. - 5,5
Pituca: Sempre pedi Pituca pisando na área e numa posição um pouco mais a frente, mas não isolado como tem ficado. É o grande sacrificado do esquema do 'português'. - 5,5
(Jean Mota):  Jogou cerca de meia hora. Entrou para dar mais qualidade no passe. Teve uma oportunidade no fim do jogo. - 5,5
Sánchez: Outro que sente falta da aproximação de outros jogadores para poder fazer uma tabela. Honesto na entrevista quando fala em falta de atitude. - 5,5
Raniel: Bem apagado. Joga fora de posição e a culpa não é dele. Tem talento, porém é desprovido de um drible curto ou jogada de intensidade. O bom dele é o giro e a finalização. - 5,0
(Arthur): Entrou para dar profundidade e o drible, mas não teve muito sucesso. - 5,5
Sasha: Dedicado, procura abrir espaços, volta para buscar a bola, mas só chega de costas. - 5,5
(Kaio Jorge): Deu um pouco mais movimentação. Conseguiu a expulsão do zagueiro do time da casa, no fim da partida. - 6,0
Soteldo: Solitariamente tenta fazer tudo sozinho, porque o coletivo, não existe. - 6,0
Técnico: Jesualdo Ferreira: O Santos não tem o mínimo padrão de jogo. Desprovido de ultrapassagem, linhas compactas, triangulações ou algo parecido. Apesar de pouco tempo, o time precisava demonstrar evolução, algo que não se vê. Mesmo após o intervalo, observou seu time de forma passiva, ser amassado pela Ferroviária. Com exceção da substituição de Artur, trocou apenas peças. Só ganhou um ponto, graças a ótima atuação do goleiro. Não realiza bom trabalho até aqui. - 4,0

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