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MANTER O ÍDOLO É FUNDAMENTAL?

Publicado às 9h30 desta sexta-feira, 8 de novembro de 2019.

(*)Por Paulo de Carvalho

O Santos é um clube abençoado. Um histórico celeiro de grandes jogadores, craques de destaque mundial, ídolos para seus torcedores e para os admiradores do futebol em geral – mesmo os simpatizantes dos rivais!

Como se costuma dizer, são os “raios” que caem seguidamente no bendito território da Vila Belmiro.

Mas, tão ou mais importante que formar esses atletas de grande capacidade técnica, é saber trabalhar com sua imagem e agregar ganhos ao clube não apenas durante sua passagem, mas mesmo após sua transferência para o exterior, o que, queiramos ou não, acontecerá mais cedo ou mais tarde.

Vamos analisar dois casos muito conhecidos relacionados ao Santos nos últimos anos. O que foi feito à época e o que poderia ter sido realizado posteriormente.

Em 2010, o “raio” era o Neymar. Sua temporada espetacular despertou o interesse de diversos clubes da Europa e, por muito pouco, muito pouco mesmo, o atacante não foi vendido para o Chelsea, da Inglaterra, naquele mesmo ano.

Mas, uma operação audaciosa que envolveu o presidente Luís Álvaro, o executivo Fernando Silva e o grupo Guia, fez com que o craque ficasse por mais tempo no Santos.

Isso não somente rendeu seis importantes títulos (Libertadores, Recopa Sul-Americana, Copa do Brasil e três Paulistas), como também o crescimento da torcida do Santos e aumentou significativamente valores de venda dos jogadores que jogavam ao seu lado, como André, Zé Love, Wesley, Danilo e Alex Sandro, entre outros. 

O Santos soube fazer o “antes” e o “durante”, mas esqueceu-se de fazer o “depois”, que ainda poderia estar gerando receitas ao clube! 

Vincular o nome de Neymar ao Santos, mesmo após sua saída, e em que pese as diversas polêmicas envolvendo o jogador, poderia ter rendido muito mais exposição mundial à marca do clube. E, por consequência, aumento de receita e de torcida.

Mais recentemente, o “rayo” que caiu sobre a Vila Belmiro foi Rodrygo. Não teve tempo de o atleta criar maiores vínculos com a torcida alvinegra e o Santos negociou-o com o futebol espanhol. Na verdade, ele só não foi antes porque ainda não havia completado 18 anos de idade, como determina a legislação para transferências internacionais.

Pode-se dizer que a proposta do Real Madrid era “irrecusável”. Mas a feita pelo Chelsea por Neymar, em 2010, também era.

A pergunta que fica é: se Rodrygo ficasse o mesmo tempo que Neymar ficou - de 2010 a meados de 2013 - o que ele poderia render de frutos ao Santos? 


(*) Paulo de Carvalho - Executivo de Futebol


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