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MAIS QUE A DERROTA NO CLÁSSICO, OS RUÍDOS DE COMUNICAÇÃO PREOCUPAM DEMAIS

Publicado às 09h50 deste domingo, 11 de agosto de 2019.
O Santos perdeu a invencibilidade de sete vitórias seguidas que tinha no Brasileirão ao ser derrotado pelo São Paulo, no Morumbi, de virada, por 3 a 2, no fim da tarde deste sábado (10), em jogo da 14a. rodada.  Após largar na frente com gol de Sasha e ir para o intervalo com a vantagem parcial, o time deu um 'apagão' e em menos de nove minutos sofreu a virada. Foi a segunda derrota da equipe no Brasileiro, coincidentemente ou não, ambas fora da casa e em clássico regional.

Sampaoli colocou em campo, três defensores de ofício, porém Lucas Veríssimo, na linha de quatro como lateral improvisado. O capitão Victor Ferraz e o recém chegado Pará, ficaram como opção no banco de reservas. O polivalente e 'forte' Felipe Jonatan parece pelo menos por enquanto, ser o substituto de Jean Luca como segundo volante e iniciou novamente nesta função com Pituca recuado para a cabeça de área.

Apesar de ter indo para o vestiário no intervalo com a vantagem parcial, o Santos não realizava um bom jogo. O time errava muitos fundamentos, principalmente no passe e alguns destaques do inicio do campeonato, não reeditava um bom jogo - casos de Soteldo e Sánchez. Ainda assim, após chute de Pituca, o bem colocado e 'matador' Sasha abriu o marcador no fim do primeiro tempo e o alvinegro conseguia aquilo que mais desejava. Ia ter o contra-ataque para o segundo tempo com os donos da casa com necessidade de dar uma resposta ao seu torcedor e tudo levava a crer, que o segundo tempo com algumas tomadas de decisão certas, o Peixe ia sair novamente com os três pontos. Doce ilusão.

Começou a etapa complementar e um festival de horrores de falhas individuais. Após dois escanteios, o São Paulo virou com uma facilidade digna de se tirar um doce de uma criança. No primeiro gol do tricolor, a defesa rebateu a cobrança de escanteio para a dentro da área e Pato fuzilou. No segundo, Felipe Aguilar colocou a mão na bola de forma infantil e Reinaldo bateu o pênalti e colocou o time da capital na frente.

Como não existe nada tão ruim que não possa piorar, Pituca não dominou bem uma bola e Pato ficou com a mesma, Felipe Aguilar em tarde irreconhecível, tomou a frente do jogador revelado pelo Internacional-RS, mas caiu de forma grotesca e o camisa 7 São Paulino, não teve trabalho nenhum para ampliar o marcador aos 36 minutos. 

Quatro minutos depois de sofrer o terceiro gol, Jean Mota, que entrou na segunda etapa fez boa cobrança de falta e o atacante Raniel jogou contra as próprias redes e diminuiu a contagem.

Na saída dos atletas para o ônibus, o meio-campista Jean Mota deu declarações fortes, principalmente contra a direção e disse que precisava de esclarecimentos se deixou a condição de titular da equipe, em razão de alguma possível proposta que tenho chegado e ele cita até uma possibilidade de empréstimo ou se foi única e exclusivamente técnica?
"No último jogo que joguei (titular)contra o Atlético-MG, tinha feito um gol, dado uma assistência, e no outro jogo sequer entrei. Mas respeito a opinião do treinador. Tem coisas lá dentro nos bastidores que as pessoas não passam para mim." disse o camisa 41.
O meio-campista, eleito o melhor jogador do último estadual se refere a uma possível oferta do futebol exterior por empréstimo. Assim que o jogador foi em direção ao ônibus, o presidente José Carlos Peres apareceu na zona mista e deu sua versão, diferente da do atleta:
"Não chegou proposta alguma pelo Jean (Mota). Não sei quem disse para ele que tem. Se tiver, estou à disposição, todo mundo sabe onde fica a Vila Belmiro. Mas não tem proposta pelo Jean Mota. Se tiver, a gente vai estudar com carinho, até porque a gente sempre vai pelo desejo do jogador. Não adianta falar "não vendo, é inegociável" afirmou o presidente após perguntarmos em meia a dezenas de microfones no saguão do estádio Cícero Pompeu de Toledo, na zona Sul da capital.
Jean Mota falou na saída do Estádio.
Jean Mota antes de deixar o local em direção ao ônibus afirmou que deseja permanecer no Santos, mas quer díalogo transparente e satisfação dos dirigentes:
"São propostas que dizem existir, mas na minha mão não chegou nada. Não sei se a direção conta comigo. Se decidiram não me emprestar, foi decisão dele (presidente José Carlos Peres). Não chegou nada até mim. Tenho contrato até 2022 e espero seguir aqui no Santos  Espero que essas coisas sejam resolvidas o mais rápido possível", garantiu Mota.
O primeiro dos treinadores a falar após o término do clássico seria Jorge Sampaoli. Após as declarações de Jean Mota, Cuca foi para o reservado destinado as entrevistas coletivas e somente após o término da fala do treinador tricolor e que o argentino Jorge Sampaoli respondeu aos repórteres sobre a derrota. 


Além disso, indaguei se foram as atuações individuais que foram determinantes para derrota e até minha sobrinha de quatro anos sabe que foi, mas o comandante santista para blindar o grupo, e nisso, ele age acertadamente, disse que não. Ele também falou sobre as declarações de Jean Mota:
"Ele (não) tem jogado porque não tem sido o melhor. Não foram os erros individuais que determinaram a derrota e sim os coletivos. O rival correu muito para ganhar. Eles só correram e nós não jogamos. Sobre a outra pergunta, existem um montão de diversas coincidências. As vezes você não alcança eficácia nas transições com apenas dois centrais, vai precisar de um terceiro, depende do momento do jogo" afirmou. 
Um time que deseja ser campeão, luta pelo título, não pode ter tanto erro individual em um só jogo. Apesar do revés seguirá líder, mesmo que o segundo lugar Palmeiras vença o Bahia na manhã deste domingo (11). Sem caça as bruxas, a campanha é fantástica, mas que os erros sirvam de lição para as próximas rodadas.

Mas pior que a derrota diante de um adversário que vai lutar pelas primeiras posições foi o 'pós-clássico' com entrevista de jogador disparando contra a direção e o presidente com ironia na resposta. Parece que o exemplo da roupa suja lavada por Sampaoli, em entrevista há dez dias, quando garantiu que os últimos reforços - Luan Peres, Pará e Lucas Venuto foram pedidos nos começo do ano e não agora, não serviram de exemplo que isso joga contra a instituição e pouco aprenderam com o episódio. 

O ruído na comunicação entre jogadores, direção e comissão técnica é estupidamente clara e necessita ser resolvido o mais urgente possível para não passar para o 'campo' em uma campanha maravilhosa que o clube realiza, após muitos anos, sem largar bem em uma competição nacional de pontos corridos.

O alvinegro da Vila só volta a campo, domingo que vem em Belo Horizonte, diante do Cruzeiro. Felipe Aguilar está suspenso por ter recebido o terceiro amarelo e desfalcará a equipe.

Sasha marcou seu sétimo gol no Campeonato e está a um de voltar a artilharia.

FICHA TÉCNICA
SÃO PAULO 3 X 2 SANTOS
Estádio do Morumbi, São Paulo (SP)
Público e Renda: 47.277 pagantes/ R$ 3.103.842,00
Árbitro: Raphael Claus (Fifa/SP)
Cartões amarelos: Raniel, Everton, Bruno Alves, Tchê Tchê, Arboleda, Reinaldo (SP); Aguilar (SFC)
GOLS: Sasha (43’/1ºT, 0-1), Alexandre Pato (3’/2ºT, 1-1 e 26’/2ºT, 3-1), Reinaldo (11’/2ºT, 2-1), Raniel - contra (40’/2ºT, 3-2)
SÃO PAULO: Tiago Volpi; Igor Vinícius, Bruno Alves, Arboleda e Reinaldo; Luan (Hernanes, intervalo, Hudson, 15’/2ºT), Tchê Tchê, Toró e Everton; Alexandre Pato (Vitor Bueno, 36’/2ºT) e Raniel. Técnico: Cuca
SANTOS: Éverson; Lucas Veríssimo, Aguilar, Gustavo Henrique e Jorge; Pituca, Sánchez (Evandro, 28’/2ºT) e Felipe Jonatan (Jean Mota, 12’/2ºT); Derlis González (Marinho, 23’/2ºT), Sasha e Soteldo. Técnico: Jorge Sampaoli

NOTAS DOS JOGADORES DO SANTOS
Éverson: Saiu mal em uma bola na primeira etapa que poderia custar um gol. Na segunda etapa sem culpa nos gols sofridos e uma boa defesa num chute de Pato. - 5,5
Lucas Veríssimo: Conseguiu no início do clássico o seu objetivo que era dar melhor poder de marcação. Quase marcou um gol de cabeça em grande defesa de Volpe. Sucumbiu com o time na segunda etapa. - 5,0
Aguilar: Vinha de boas apresentações. É o defensor mais rápido do time, mas tá com uma marca ruim para o setor onde joga. Quando ele falha e de forma acintosa e mais de uma vez. Foi assim no estadual na goleada diante do Ituano e contra o Vasco, na Copa do Brasil, em São Januário. Segundo tempo, onde errou tudo. - 3,0
Gustavo Henrique: O melhor da defesa, setor que mais comprometeu no jogo. - 6,0
Jorge: Dono de uma qualidade técnica fora do comum, mas me parece sem explosão física. Bem apagado. - 5,0
Pituca: Autor intelectual do gol de Sasha ao de forma inteligente chutar com jeito e não com força na trave direita do goleiro tricolor e na volta Sasha empurrar para a rede. No segundo tempo não conseguiu dar a proteção que a defesa necessitava e ainda perdeu a bola no terceiro gol dos donos da casa. - 4,5
Sánchez: Participou do começo da jogada no gol de Sasha. Mas longe do jogador que na minha opinião e do comentarista e ex-jogador Vampeta foi o melhor do começo do Brasileirão. Bem substituído. - 5,0
(Evandro): Entrou para dar melhor qualidade ao meio-campo. Não tem a intensidade que Sampaoli tanto cobra, mas é dono de um bom passe. - 5,5
Felipe Jonatan: Mal substituído. Caiu como uma luva na função. Quase marcou dois gols na primeira etapa. - 6,5
(Jean Mota): Deu a assistência do auto-gol de Raniel e trouxe o Santos para o jogo. Pouco tempo em campo. - 5,5
Derlis: Ainda não é o jogador do primeiro semestre que era a grande referência do ataque santista. Cumpriu mais funções táticas de recompor do que apareceu com seus rápidos ataques pela direita do ataque. - 5,0
(Marinho): Entrou bem, com muita vontade e velocidade pela direita do campo. Atualmente merece chance de ser titular neste rodízio de 14, 15 jogadores empregado por Sampaoli. - 6,0
Sasha: Eficiente naquilo que é sua função atualmente na equipe. 'Espetado' como referência do ataque, a chance que teve guardou. Saiu fora da área e deu sequência na maioria das jogadas. O melhor do time. - 7,0
Soteldo: Perdeu quase todas para o Igor Vinícius. Como o São paulino tem fama de mal marcador, esperava mais do jovem venezuelano que até então vinha em bom momento. - 5,0
Técnico: Jorge Sampaoli: Não conseguiu mexer com o time no intervalo. O Santos aceitou passivamente o São Paulo avançar as linhas pra causas a blitz que virou o jogo em nove minutos. Errou ao tirar o até então, melhor jogador do time, Felipe Jonatan. Pagou pelos erros individuais de alguns jogadores. Ainda assim, o grande responsável pela campanha do Santos no Brasileiro. - 5,0


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