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WLADIMIR MATTOS - "NÃO É GOLPE"

Publicado às 11h43 desta quarta-feira, 12 de setembro de 2018.

(*) Por Wladimir Mattos

O processo de impeachment iniciado nesta segunda-feira expôs uma ferida aberta no clube.

Apesar de a maioria ampla dos conselheiros ter decidido pela continuidade do processo, o fato é que os associados estão divididos em relação ao tema: enquanto boa parte apoiou, outra parcela relevante é contra, classificando-o como “golpe”.

Enfatizo que, por mais traumático que seja, não há a menor dúvida de que José Carlos Peres desrespeitou o estatuto e por isso foi denunciado.

Além de ter legitimidade para julgar um presidente, havia um consenso amplo – não absoluto – entre os membros do Conselho Deliberativo a respeito da legalidade do processo, observados a lei e o rito, apesar do forte contexto político.

De fato, o impeachment só deveria ser invocado em casos extremos. Sempre com a máxima responsabilidade e dentro de parâmetros e valores que devem pautar um conselheiro. Não se votou pelo impedimento como forma de protesto pela desclassificação da Libertadores, pelo aumento do dólar, pelo preço do combustível ou pela extinção das araras azuis. Valeu o parecer apresentado pela Comissão de Inquérito e Sindicância.

Paralelamente, uma chave para entender o ambiente político é o fato de o presidente ter perdido a popularidade junto a determinado grupo muito cedo. O resultado: um debate raivoso e violento, que criou desafetos poderosos.

Até as pedras sabem quem é o principal deles e como trabalhou duro para que o processo de impeachment fosse acolhido.

Por outro lado, é bom lembrar que uma das características de José Carlos Peres sempre foi namorar com Deus e flertar com o Diabo simultaneamente. Desde que rompeu com Modesto Roma Júnior (após meses trabalhando para ele), quando soube que o então presidente havia decidido concorrer a mais um mandato, Peres tratou de construir sua base de apoio, que culminou com sua eleição, invocando uma gestão honrada e responsável.

O que se viu, porém, foi uma sucessão de erros. As arbitrariedades reportadas por ex-membros do Comitê de Gestão e sua incapacidade em manter sua base apoio, pelo acúmulo de denúncias até o clímax da descoberta das relações entre JCP e as empresas de agenciamento de atletas, transformaram sua gestão em um verdadeiro campo minado.

Certamente, não são as ações de seus desafetos que tornam ilegítimo o pedido de impeachment, pelo contrário, se o associado acha que trata-se de uma punição muito dura, na verdade deveriam questionar o Estatuto, que prevê o impedimento e as bases legais que podem ser usadas para tal.

Fatos não podem ser ignorados, por mais dura que a realidade possa ser.

De acordo com uma das denúncias, do conselheiro Esmeraldo Tarquínio Neto, José Carlos Peres teria infringido o artigo 61 do Estatuto Social, que “proíbe que qualquer membro do Comitê de Gestão seja sócio de pessoa jurídica que tenha como objeto social agenciar ou negociar atletas”. A outra denúncia, do conselheiro Alexandre Santos Silva, aponta que o presidente santista seria sócio de duas empresas, o que também estaria em desacordo com o estatuto do clube.


(*) Wladimir Mattos é empresário do setor marítimo e conselheiro eleito do Santos FC pela Santastica União e escreve para o site http://www.noangulo.com.br/

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