FOTO CAPA

BI-CAMPEÃO

Publicado às 22h40 deste domingo, 8 de Maio de 2016.
O Santos é bi-campeão paulista mais uma vez. Com um gol do centroavante Ricardo Oliveira, o Peixe conquistou seu 22o. título estadual. O alvinegro é o clube que mais venceu o torneio na era do futebol profissional. Se juntar com a era amadora, já tinha ultrapassado o São Paulo, igualou ao Palmeiras e agora está atrás apenas do SCCP.

O Glorioso pela segunda vez na história chegou de forma consecutiva em uma oitava decisão de Paulista. Há 54 anos atrás, durante a era Pelé, o clube também havia atingido o mesmo feito entre os anos de 55 à 62 e conquistou a competição em 55,56,58,60,61 e 62.

O meia Lucas Lima que durante toda a semana se recuperava de um estiramento e um edema, fruto de uma contusão, na primeira partida da decisão, pediu para jogar e foi escalado. Durante 22 minutos, o camisa 20 ficou em campo, porém, era visível que não tinha a miníma condição. O jogador até mancou em alguns momentos e foi substituído ainda na primeira etapa por Paulinho. 

Os primeiros 45 minutos do Peixe não traduziram o que o clube tinha feito no campeonato. Foi completamente envolvido pelo adversário, que se tivesse um melhor definidor, tinha matado o jogo. E como o futebol não tolera desaforo, Ricardo Oliveira, que por muito pouco também não desfalcou o Peixe na decisão, recebeu de Vitor Bueno num contra-ataque fulminante e após dar um drible desconcertante no defensor do Audax, fez o gol do título, no fim do primeiro tempo, para o delírio da Vila Belmiro que recebeu seu melhor público na temporada - 16.018 pagantes.
"Muito trabalho, muita lágrima, muita dor. Você sabia. Não treinei durante a semana toda. Até antes de começar o jogo, eu era dúvida, mas tinha vontade de ajudar. Só queria estar aqui, dentro de campo e Deus me abençoou com o gol do título." disse o herói da conquista aos prantos, após o apito final a este que vos escreve na Rádio Tropical 107,9 FM. Ele fez fisioterapia durante toda a semana.
No segundo tempo, nova pressão do time de Osasco e a bola que já havia atingido o poste de Vanderlei no primeiro tempo, voltou a bater no travessão, há poucos minutos do fim. Dorival ainda queimou as substituições de Vitor Bueno e Olivera para dar vagas a Ronaldo Mendes e Joel.

Por falar em Ronaldo Mendes, o camisa 23 perdeu um gol incrível debaixo da trave quando a partida já se encaminhava para os acréscimos. 

Apesar da pressão do bom time montado por Fernando Diniz, o Peixe conquistou seu sétimo titulo estadual nos últimos 10 anos - 2006, 2007, 2010, 2011, 2012, 2015 e 2016. 

FICHA TÉCNICA
SANTOS 1 X 0 OSASCO AUDAX
Vila Belmiro
Árbitro: Raphael Claus 
Auxiliares: Anderson José de Moraes Coelho e Alex Ang Ribeiro
Público/renda: 16.018 pagantes/R$ 934.920,00
Cartões amarelos: Victor Ferraz, Gustavo Henrique, Thiago Maia e Gabriel (SAN); Velicka e Bruno Paulo (AUD)
Gol: Ricardo Oliveira (44'/1ºT) (1-0)
SANTOS: Vanderlei; Victor Ferraz, David Braz, Gustavo Henrique e Zeca; Thiago Maia, Renato, Lucas Lima (Paulinho, aos 25'/1ºT) e Vitor Bueno (Ronaldo Mendes, aos 21'/2ºT); Gabriel e Ricardo Oliveira (Joel, aos 28'/2ºT). Técnico: Dorival Junior.
GRÊMIO OSASCO AUDAX: Sidão; Francis (Rodolfo, no intervalo), Yuri, Bruno Silva (Felipe Rodrigues, aos 33'/2ºT) e Velicka; Tchê Tchê, Camacho e Juninho (Wellington, aos 18'/2ºT); Bruno Paulo, Mike e Ytalo. Técnico: Fernando Diniz.

Entrevistado e entrevistador se emocionam. A foto diz mais que qualquer legenda.
NOTAS DOS JOGADORES DO SANTOS: 
Vanderlei: Goleiro bom tem que ter sorte. E o camisa 1 do Santos teve. Viu duas bolas se chocarem contra seus postes. - 6,5
Victor Ferraz: De forma surpreendente pois é um jogador de muita lealdade, largou o braço no adversário no começo do jogo e podia ter sido expulso. Muito participativo na defesa e deu assistência maravilhosa para Ronaldo Mendes liquidar a partida, mas o camisa 23 desperdiçou. - 7,0
David Braz: Jogador que cresce muito em decisões. Fez dois desarmes providenciais na grande área que poderiam proporcionar o empate ao Audax. - 7,0
Gustavo Henrique: Rebatedor. Sempre bem colocado. - 6,5
Zeca: O Santos atrás de um ala e ele estava na base e quase saiu pela porta dos fundos. Marcou bem e ainda apareceu no ataque. - 7,0
Thiago Maia: O que esse menino desarmou foi uma grandeza. Seu futebol cresce assustadoramente a passos largos. - 7,5
Renato: Joga de terno. Quase não erra passes. Novamente não levou um cartão amarelo no campeonato, a exemplo de 2002. - 6,5
Lucas Lima: Não tinha condições de jogo. Substituído ainda na primeira etapa. - 5,0
(Paulinho): Se tecnicamente não foi brilhante, taticamente muito útil. Voltava pra ajudar na marcação e sem a bola fez o quarto homem do meio-campo. - 6,5
Vitor Bueno: Jogador inteligente que pode crescer. Começou muito mal, entretanto, sabe ler o jogo e melhorou no decorrer da partida. Foi dele o desarme e a assistência no lance do único gol da partida. - 7,0
(Ronaldo Mendes): Prendeu bem a bola nos minutos finais. Desperdiçou uma oportunidade incrível. - 5,5
Gabriel: Se movimentou constantemente. Abusou de jogadas individuais em alguns momentos. Apareceu por jogo. - 7,0
Ricardo Oliveira: Não treinou uma vez durante a semana e teve uma única oportunidade o jogo todo. Deu um "sprint" que surpreende e intimida o adversário. Deixou o zagueiro órfão e fez o gol do título. - 9,0
(Joel): Fez um gol legítimo mal anulado. - 6,5
Técnico: Dorival Junior: Criador e criatura. Se o Santos tem um dos melhores futebol do país se deve ao seu comandante técnico. Peixe apesar de não ter jogado bem na decisão, joga com a bola no chão. Invicto em casa desde que chegou. - 7,5


DECISÃO TOMADA

Por razões pessoais, de foro íntimo, pedi demissão da Rádio Tropical e a final do Campeonato Paulista entre Santos e Osasco Audax foi a minha última partida pela Equipe Líder, onde fiquei por quase 10 anos.

Nesse período pude conquistar prêmios, como por exemplo, o melhor repórter de rádio esportivo de São Paulo, o ano passado pela ACEESP (Associação dos Cronistas Esportivo do Estado de São Paulo), mas muito mais do que isso, pude compartilhar com o torcedor santista muitas alegrias, sonhos, incertezas, expectativas e principalmente dezenas de títulos.

Agradeço imensamente primeiro a Deus, depois ao Alexandre Barros, que foi meu comandante de rádio nesse período, por ter podido conhecer diversos lugares do mundo, onde o alvinegro mais famoso jogou. Tive a oportunidade de conversar com centenas de pessoas boas nos inúmeros estádios que estive, amizades novas que criei, que só me passaram energias positivas.

Dedico esta mensagem a você torcedor santista, o mesmo que me enche de carinho diariamente, que esteve ao meu lado nas mais de mil coberturas do mais respeitado time do Brasil no exterior.

Entretanto, como diz uma música da minha banda predileta, Roupa Nova, na vida tudo tem seu começo, seu meio e seu fim.

Estou convicto que apenas um ciclo se encerrou e sou eternamente grato e honrado por ter feito a cobertura e transmissões de jogos nesses 19 anos de carreira como repórter de rádio (1997 à 2016) sempre do time que eu amo, "onde e como o Santos estivesse".

Aos que me acompanham e confiam no meu trabalho, ratifico que permanecerei no Blog com informações diárias do Peixe. 

Quem não tem passado, não tem história e essa que fica para trás está em uma das páginas do livro da minha vida que ninguém jamais apagará.

Peço desculpas por essa pausa, perdão se algumas vez exagerei no meu jeito apaixonado de fazer rádio, mas tenho convicção de que dei o meu máximo e que este coração permanecerá alvinegro, como sempre foi nesses 43 anos de vida.

Feliz por mais uma decisão que eu fiz a cobertura através das ondas do rádio, mas com o coração apertado por saber que à partir da próxima quarta-feira (11), eu não estarei atrás do gol com um microfone como fiz por quase duas décadas.

Não é um adeus e sim um até breve, pois não me vejo longe dos gramados, sem falar ou poder entrevistar através da "latinha". 

Espero que outros convites possam surgir, e que em breve, eu possa retomar a minha carreira, mesmo consciente de que estou na contramão do mercado que pouco tem contratado, em razão da crise.

Saudações alvinegras de alguém que é apaixonado pelo que faz.


 

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