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"TENHO FOLHA DE SERVIÇOS PARA MOSTRAR"

Postado às 14h00 deste domingo, 26 de outubro de 2014.
Neste domingo (26), o Blog do ADEMIR QUINTINO publica a quarta de uma série de cinco entrevistas com os candidatos que afirmam que irão inscrever chapas a presidência e ao Conselho Deliberativo do Santos, marcada para 6 de dezembro. O primeiro foi Fernando Silva, o segundo Orlando Rollo, o terceiro José Carlos Peres e dessa vez é a vez de Modesto Roma, candidato oposicionista da "Santos Gigante"

Nos próximos dias será publicada a última entrevista da série com Nabil Khaznadar da "Avança Santos". 

Todas as entrevistas estão sem edição em seus conteúdos ou seja, publicadas em sua íntegra.


- ENTREVISTA COM MODESTO ROMA JUNIOR, CANDIDATO A PRESIDENTE DO SANTOS FC.

Ademir Quintino: Quais as razões que levaram o Senhor a ser candidato a presidência do Santos FC?
Modesto Roma Junior: Primeiro, eu com meu grupo União Alvinegra, defendíamos a candidatura do Marcelo Teixeira. Quando ele explicou que não poderia ser candidato porque tem outros projetos de vida e indicou meu nome, não poderia deixar de atender. Afinal foi meu pai, Modesto Roma, ex-presidente do clube na década de 70 e vice nos anos dourados de 50 e 60, que foi buscar o Milton Teixeira, já nos anos 70, para a diretoria do clube e ele prontamente atendeu. Não poderia fazer diferente já que tenho história no Santos e compromisso com o clube. Vivo o Peixe desde que me associei em 1958. Fui diretor da gestão do meu pai em 1975 e atuei diretamente na contratação de três futuros Meninos da Vila, campeões paulistas de 1978: Ailton Lira, Neto e João Paulo. Depois fui vice-presidente de Comunicação da gestão do Milton Teixeira, em 1983, e inovamos em várias ações neste setor. Virei supervisor administrativo em 2004 e, a pedido do Marcelo Teixeira, modernizamos a gestão do clube. Acabamos com as máquinas de escrever, que ainda sobreviviam na Vila e implantamos uma rede moderna de informática. Criamos o projeto Vila Digital, que possibilitou as catracas e carteiras inteligentes. Graças a este projeto, o sócio do Santos não precisava mais pegar fila para comprar ingressos. Com a própria carteira ele liberava a catraca e pagava o ingresso via boleto ao fim do mês. Também conseguimos o valor de meio ingresso aos sócios. Disponibilizamos gratuitamente internet para a Imprensa. Graças a nossas ações, encadeiramos todos os setores de sócios da Vila Belmiro e ampliamos a área do quadro associativo contribuinte no estádio para o retão contrário ao das sociais. Além disso, nos foi confiado à gestão do projeto Sereias da Vila e montamos uma das principais equipes do planeta dentro do futebol feminino, conquistando a inédita Taça Libertadores da América logo em sua primeira edição, competição que ajudamos a criar dentro da Conmebol com minha atuação direta. Enfim, tenho folha de serviços para mostrar e o sócio me conhece.

AQ: Por que o associado do clube deve votar em Modesto Roma Junior e não nos demais candidatos?
MRJ: Porque sou o único candidato que representa o oposto do que vemos hoje no clube. Sabe, dizem que a oposição no Santos é desunida. Não vejo assim. A oposição é unida, quem está dividida é a situação. Eu explico e mostro falando dos outros candidatos: Um foi o gestor do futebol da atual gestão e é conselheiro eleito pela chapa Luiz Álvaro e Odílio Rodrigues. O outro foi vice-presidente do Conselho da atual gestão e também é conselheiro eleito pela chapa Luiz Álvaro e Odílio Rodrigues. Tem o candidato do Odílio que diz que é o “novo” de verdade, porque tem vergonha do que representa. Tem um outro que durante a eleição de 2009, já trocou de lado e afinou com a atual diretoria pretendendo ficar em seu cargo no G4 Paulista, ou seja, ele é pelo poder transvertido de novo. Então, a única candidatura que representa o oposto do que vemos hoje no clube é a nossa. Contamos com o apoio de grupos oposicionistas na essência como a Santos Sempre Santos, União Alvinegra, Orgulho de Ser Santos e Re9. Além disso, conto com o apoio importante do Marcelo Teixeira, de outros ex-presidentes do clube e do Conselho, além de diversos ex-jogadores. Ter esses apoios são importantes, mas não serei refém de nenhum deles. Quem irá decidir e se responsabilizar pelo Santos serei eu como presidente.

AQ: De que maneira o candidato pretende lidar com a divída do clube? 
MRJ: Ademir, antes de te responder preciso explicar os principais pontos do nosso Plano de Gestão. Nossa proposta tem cinco eixos básicos e sete pilares. Caso o internauta queira se inteirar mais, há um post com todas as nossas ideias no meu blog. O primeiro eixo é o gerenciamento da crise financeira do clube. E a palavra de ordem é a seriedade. Outro eixo será a reestruturação do clube, na área administrativa e do seu estatuto social. A palavra de ordem nesse eixo é a experiência. Temos como terceiro ponto a Administração. Não podemos gastar mais do que arrecadamos. A palavra de ordem aqui será a transparência. Outro eixo será o Marketing. Queremos inovar na busca de receitas, e melhorar os ganhos alternativos do clube. Aqui a palavra de ordem será a criatividade. O último eixo e o mais importante é o futebol. E a palavra e ordem nesse eixo será alma. A alma do torcedor santista. Mas voltando à dívida, vamos enfrentá-la com a criação um gabinete de renegociação, formado por profissionais de mercado, que vai alongar prazos dos quase R$ 160 milhões de passivo de curto prazo que o clube terá que pagar em 2015. Não dá para brincar com amadores pensando o futuro do clube. Vamos também administrar o clube dentro de sua realidade. Hoje para cada R$ 100 gastos no Santos, o clube dispõe apenas de R$17 para pagar os débitos. Um absurdo. Um suicídio financeiro. Vamos mudar esse quadro.

AQ: Caso vença as eleições, o candidato pretende reformar a Vila, construir uma Arena ou tem uma outra alternativa?
MRJ: Sabe, lá em casa, quando eu era um menino, eu e meus irmãos dizíamos que a Vila Belmiro era nossa primeira casa. Papai levava sempre todos pra lá, pois ia dirigir o clube. Lembro quando pedi para entrar de sócio em 1958 para ter uma cadeira com meu nome nas sociais do estádio. Enfim, amamos a Vila e ela é a casa do Santos. Nossa ideia é valorizar a Vila, mantendo como um estádio, um verdadeiro templo do futebol de alma do Peixe. Vamos continuar mandando jogos em nossa casa. Sempre que for possível e estratégicamente importante para os negócios dentro e fora de campo do clube nos apresentaremos na Vila Belmiro. Sabe, o Santos perdeu o bonde da história para construir uma nova arena que foi a Copa do Mundo. Oferecemos de graça à Vila e o CT e não colocamos um tijolo em lugar algum. Nova arena só sai se conseguirmos bons parceiros e se acharmos uma área interessante na Baixada Santista ou em São Paulo. Agora, o Santos tem que jogar em todos os lugares. Vamos jogar sempre onde os santistas estiverem, seja no Pacaembu, Morumbi, Maracanã, estádios onde estamos acostumados a jogar e que foram palcos de alguns dos nossos principais títulos, como também na Arena Pantanal e em outros novos estádios feitos para a Copa. Porém, sempre mantendo os direitos dos sócios nesses estádios, como se eles estivessem na Vila Belmiro. Tem que ser feita uma coisa competente. Fazer um estudo de mercado. Onde há a carência do torcedor ver jogos do Santos? Onde estão os torcedores do Santos? E ter um espetáculo bom. Ninguém vai ver jogador que mata a bola de canela e chuta com a trava da chuteira. Vai ver se tiver espetáculo. Torcedor não dá esmola para o clube, não. O segredo é fazer um futebol competente. Pensamos que onde estiverem os santistas, lá estará o Santos. Você não perguntou se o Santos deve assumir o Pacaembu. Mas eu respondo: Porque assumir um estádio tombado pelo patrimônio histórico, onde não posso fazer sequer um banheiro, para administrar? É melhor alugarmos o Pacaembu, o Morumbi, a Arena Corinthians e a Arena Palestra sempre que optarmos por jogar na Capital.

AQ: Caso eleito, o Santos terá um time competitivo? Vai investir em contratações? Se sim, de que tipo? Ou vai apenas investir na base?
MRJ: Nosso futebol terá a alma do torcedor santista. Queremos montar times que representem o futebol que o torcedor santista gosta de ver, ofensivo, como sempre foi na história do clube. Investimentos serão feitos dentro da realidade de momento do clube. Porém, nunca vamos deixar de priorizar o futebol e o bom espetáculo, que são o negócio do Santos. Ninguém vai aos estádios ver um time ruim, por mais apaixonado que seja. Queremos montar uma equipe competitiva, com revelações da nossa base e jogadores que darão sustentação a eles. Além disso, queremos construir uma escola de gestores e de treinadores do Santos. Não vamos ser reféns de treinadores donos do clube, que aparecem na Vila impondo seu jeito de jogar. Treinador o Santos faz em casa. Mas, não dá para pegarmos um bom treinador da base, como o Márcio Fernandes, o Narciso e o Claudinei, colocar no time profissional e depois dispensar. Vamos capacitar nossos treinadores, levá-los para intercâmbios para que no dia que for preciso eles estejam prontos para repetir o sucesso de Luis Alonso, o Lula, que dirigiu o Santos por 12 anos em suas principais conquistas. E era treinador da base.

AQ: O candidato acredita que o Santos tem poucos, muitos ou a quantidade ideal em seu quadro de funcionários? Pretende aumentar ou diminuir esse número?
MRJ: Um dos nossos eixos de campanha é a reestruturação do clube. Administrativa e estatutária. Com isso, vai envolver essa sua questão. O quadro de funcionários do Santos FC chegou nesta gestão a mais de 400 pessoas. Na anterior, o clube era tocado com cerca de 150. É um aumento significativo. Vamos implantar a política da meritocracia. Quem tiver capacidade e prestar um serviço de excelência como o Santos precisa é claro que terá seu espaço garantido em nossa gestão. Não vamos fazer perseguições políticas, mas valorizar o quadro de funcionários do clube. Quem faz a grandeza do Santos são as pessoas. É importante termos um quadro de funcionários comprometidos com os objetivos do Santos FC.

AQO senhor convidou o ex-presidente Marcelo Teixeira para fazer parte do Comitê de Gestão, caso eleito, porém, o mesmo recusou. O candidato acredita que durante o seu mandato, repetindo, caso vença as eleições, ele possa mudar de ideia?
MRJ: O Marcelo Teixeira estará presente em nossa gestão. Não no Comitê Gestor, nem em alguma função administrativa. Vai me aconselhar muito. Porém não serei fantoche de ninguém. E acho injusto quando fazem essa acusação de que eu seria fantoche do Marcelo. Quem diz isso não conhece a grandeza do Marcelo Teixeira. Vou abusar da experiência dele e de outros ex-presidentes do clube antes de tomar algumas das decisões estratégicas. Mas tais decisões serão minhas como presidente, e de mais ninguém.

AQ: O candidato afirma que foi o responsável por cadeiras no antigo retão (sócios que entram pelo portão 1). Alguns criticam essa decisão somada a construção de camarotes térreos em transformar a Vila Belmiro em um estádio frio, um ex-Caldeirão. Caso eleito, qual o seu projeto para o Centenário da Vila Belmiro em 2016?
MRJ: A Vila Belmiro é a casa do associado do Santos e ele tem que ser bem recebido, ter onde sentar além do cimento, e ter serviços de qualidade. Quanto o Centenário da Vila, estamos com um projeto de realizar a Sanfest, uma verdadeira festa de santistas que irá marcar o centenário do Estádio
Urbano Caldeira.

AQ: Caso eleito, o gerente de futebol de sua gestão será o ex-jogador Léo que o apoia? É sábido por muita gente que acompanha os bastidores do clube que ele e o atual capitão do time, Edu Dracena, não sentam a mesma mesa. Se ele for o escolhido pra cuidar do futebol e o camisa 2 ainda tem pelo menos mais um ano de contrato com o clube, como lidar com essa situação?
MRJ: O Léo está nos apoiando assim como outros ex-jogadores. Para tanto, ele nem pediu cargo algum e quer apenas colaborar com o clube. Ele inclusive está fazendo curso de gestão no futebol. Mas, o Léo não será nosso gerente de futebol, pois carece de experiência para isso, e o Santos precisa de gestores experientes para vencer esse momento difícil que enfrenta.

                                                   

 

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