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MIL TRANSMISSÕES DO SANTOS

Postado às 06h27 desta quarta-feira, 9 de outubro de 2014.
Nesta quinta-feira, 9 de outubro de 2014, no estádio da Vila Belmiro, na partida Santos e Bahia pela 27a. rodada do Campeonato Brasileiro completo uma marca impressionante no rádio esportivo para os dias de hoje. Será minha milésima transmissão de rádio em jogos do Santos. São 18 anos de carreira e há 17 acompanhando o alvinegro mais famoso. Já transmiti mais de mil jogos contando outros times, mais com todo o respeito aos demais clubes, o que conta para mim são os do "Embaixador do mundo".

Entre jogadores de futebol no Brasil só o goleiro Rogério Ceni pelo São Paulo, Pelé, no Santos, e Roberto Dinamite, no Vasco, têm mais partidas por um mesmo clube. Longe de mim querer comparar a minha marca com as desses grandes nomes, até porque não fui jogador, não marquei gols, porém, me sinto muito feliz com a cobertura em um número de quatro dígitos. Pode ser um pensamento pequeno da minha parte, mas eu nunca quis ser conhecido pelas outras torcidas, apenas a do Santos e isso graças a Deus, creio que consegui.

Me tornei radialista por tentar ser jogador de futebol no início dos anos 90 e não ter conseguido. Joguei em algumas equipes de base, não no Peixe, uma das minhas poucas frustrações na vida. Pra ficar perto dos gramados, resolvi largar o curso de engenharia eletrônica e entrei na faculdade de Jornalismo. Paralelamente, fui trabalhar em rádio em 1997 e sempre em paralelo com outras atividades profissionais (trabalhei 13 anos no SESI e depois mais três anos e dois meses na Câmara Municipal de Cubatão, nesse período). Viver só de rádio era impossível para pagar as contas.

Meu primeiro jogo do Santos como repórter de campo foi em 22 de janeiro de 1998, na Vila Belmiro - Santos 2x2 Fluminense - Torneio Rio São Paulo. Os gols do Peixe foram de Jorginho e Edgard Baez. Eu ainda não cobria o Santos e esse dia fui repórter do time carioca. 

De lá para cá, pude acompanhar "in loco" as conquistas do Brasileiro de 2004, os paulistas de 2006, 2007, 2010, 2011 e 2012, a Copa do Brasil de 2010, a Libertadores de 2011 e a Recopa de 2012. Acompanhei também no Oriente, a derrota no mundial interclubes do Japão. Em 2002, durante o campeonato nacional, eu estava em uma emissora de rádio que não transmitia jogos, apenas fazia programas, mas estive na maioria das partidas (principalmente em Santos e na capital) da histórica conquista daquele ano (que obviamente não estão inclusas nas mil transmissões). 

E quis o destino que, para que a data ficasse ainda mais especial, eu chegasse à essa marca de 1.000 jogos justamente no templo sagrado do futebol - a Vila Belmiro.

Premiações não foram muitas ao longo da carreira. Fui eleito a revelação do rádio pela Associação dos Cronistas Esportivos de Santos em 1998. Em 1999, veio o prêmio de melhor repórter pela mesma instituição e em 2007, fui eleito o melhor repórter de rádio esportivo do estado de São Paulo, no site do gaúcho Edu César - Papo de Bola.

E esse milésimo jogo quase não acontece. Em agosto do ano passado, indo para a Vila Belmiro, sofri um acidente motociclístico que poderia me levar ao óbito e que tenho sequelas (ainda estou de muletas) até hoje. Ele também me atrapalhou a chegar a marca milenar um pouco antes, pois deixei de transmitir algumas partidas.

Até aqui, nunca estive em nenhum veículo grande de comunicação e ter esse reconhecimento é o meu maior troféu e combustível, pois o "Santos é a minha vida".

Já perdi oportunidade profissional por ser declaradamente torcedor do Santos, até em um grande clube paulista em 2008, mas não faria diferente se pudesse voltar atrás. Quanta gente maravilhosa eu conheci ao longo desses anos? Nada me faria tão feliz. 

Tive transmissões inesquecíveis. Em 2004 na véspera do último jogo que consagrou o Peixe campeão brasileiro, meu filho estava internado entre a vida e a morte e passou por intervenção cirúrgica no dia seguinte. Deixei o meu garoto com minha ex-esposa em um hospital em Campinas e viajei para Rio Preto. Acabou o jogo e nem comemorei o título. Desci de madrugada na estrada e peguei um táxi até o hospital, para ver meu guri que tinha acabado de operar. 


Na semifinal da Libertadores 2011, cheguei tarde no estádio em Assunção (o voo atrasou) e os paraguaios não me deixaram ir pra cabine. Tive que reportar a partida contra o Cerro Porteño, via celular, da Laje do estádio, com um vento muito forte. De quebra, eu tinha perdido meu notebook no táxi que me levou ao estádio Coronel Pablo Rojas (conhecido por "La Olla"). Consegui recuperá-lo após o jogo. 

Mas a minha transmissão mais inesquecível e emocionante foi no dia 4 de agosto de 2010. Meu menino nunca tinha viajado de avião e o levei comigo para Salvador para assistir a final da Copa do Brasil daquele ano. A Associação de Cronistas da Bahia, não o deixou ficar nas cabines de rádio. Fiquei preocupado, porém, ele foi parar na cabine que comandava o placar eletrônico do estádio do Barradão. Todos que trabalhavam na sala eram torcedores do Bahia e não do adversário santista, o Vitória. Quando o zagueiro Edu Dracena marcou o gol, após cruzamento de Neymar, pude ver meu menino comemorando muito. Ele fazia aniversário no dia seguinte. Após o termino do jogo, fui até o alambrado e pedi ao fiscal que o deixasse entrar no campo. A princípio ele não permitiu, mas ao perceber a emoção de nós dois chorando e nos abraçando, autorizou. E meu filho disse: "Pai, nunca imaginei ver o Santos campeão após fracassos seguidos nos últimos anos". As lágrimas voltaram a minha face.

Gostaria de agradecer algumas pessoas que marcaram ao longo da minha carreira. O primeiro e o mais importante foi o advogado Aníbal Gomes, comentarista consagrado no rádio santista durante a Era Pelé e que acreditou no meu potencial. Ao Paulo Alberto, do Radar Esportivo, que ouviu o Aníbal e me deu a oportunidade em 1997, em um jogo da Portuguesa Santista (que ainda estava na primeira divisão do futebol paulista) contra o Ituano, na Rádio Cacique Jovem-Pan.

Aos amigos do Show de Rádio, que tive a felicidade de trabalhar em 2006, quando fui para a Rádio Capital em São Paulo e tive o prazer de transmitir jogos com o falecido Fiori Gigliotti. Ao Alexandre Barros, que me trouxe para a Equipe Líder em 2007 e aceitou o meu pedido de priorizar o Santos nas transmissões da Super Rádio Tupi-SP e agora na Rádio Terra-SP .

Muito Obrigado ao meia Robert, campeão brasileiro pelo Peixe em 2002. Graças ao eterno camisa 11 do time da Vila essa marcada foi lembrada, pois ele que me perguntou se tinha mil jogos acompanhando o Peixe, há alguns meses e me permitiu fazer essa pesquisa (eliminando os jogos que fiz posto e outros pouquíssimos que não transmiti).

Agradeço demais ao trabalho sensacional do Pastor Evaldo  Rodrigues e do Wesley Miranda da ASSOPHIS (Associaçao dos Pesquisadores e Historiadores do Santos) que me auxiliaram na confirmação dos jogos que transmiti; ao web-designer Felipe Takashi, meu parceiro de Blog que ilustrou a contagem regressiva nas últimas semanas, a minha família que deixei ausente para muitas viagens, inclusive em datas comemorativas e sempre me deram força e principalmente ao torcedor santista, razão da minha existência e que acompanha meu trabalho. 

Ficaria aqui contando muitas histórias boas, outras nem tanto, mas o mais importante e que pude vivenciar momentos maravilhosos na história do clube, com um porcentual de informações muito bom de acertos e como diz o hino do glorioso: "Nascer, viver e no Santos morrer é um orgulho que nem todos podem ter"

"O patrimônio profissional mais valioso que um jornalista (radialista) pode obter é a credibilidade". 

Agradeço a torcida santista por me ouvir (e ler) e confiar nas minhas informações e muito obrigado ao Santos FC - "o grande amor da minha existência".

                                       

 

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