FOTO CAPA

TRADIÇÃO É TRADIÇÃO

Postado às 13h15 desta quarta-feira, 2 de abril de 2014.
(*) Colaboraram na matéria Guilherme Nascimento e Wesley Miranda  

Uma das tradições do futebol brasileiro é a numeração da defesa do Santos, uma linha de quatro defensores com a numeração: 4-2-6-3. Mas, de onde vem essa numeração tão diferente, já que os outros clubes usam 2-3-4 e 6? 

Uma explicação plausível para tal fato nos força a analisar o passado. Até o final dos anos 50 os times brasileiros atuavam na disposição tática chamada de “2-3-5”, isto é, dois defensores, três médios e cinco atacantes. A imprensa divulgava as escalações dos times desta forma (apesar de que nem sempre as equipes atuavam desta maneira tão rígida). 

Foto 1 - Veja a disposição dos atletas através dos “botões” do SFC
Pela foto abaixo, identificamos uma linha de dois “defensores”, três “médios” e cinco “atacantes” Os defensores eram os “beques” (2 e 3); Na linha média, tínhamos o médio (ou asa) direito (4), central (5) e (asa) esquerdo (6) ; E no ataque, eram dois pontas: direito (7) e esquerdo (11), dois meias: direita (8) e esquerda (10) e o centroavante (9) 


No início dos anos 60, a imprensa divulgava os times na formação “3-2-5”: Percebe-se o recuo de um dos médios para a linha de defesa, e forma-se a linha de 3 “beques”, o direito (4), central (2) e esquerdo (3) O médios passam a ser dois apenas, o (5) e o (6) A linha de atacantes continua igual, porém surgem novos nomes. O meia direita (8) é o meia armador, enquanto que o meia-esquerda (10) será o ponta de lança. 


Em 1966, o desenho tático divulgado pela imprensa passa a ser o 4-2-4 (que já era usado antes da Copa de 1958): Agora a linha de defesa passa para quatro defensores, os “zagueiros”, com o recuo de um dos médios. 

No Santos, o médio recuado foi o nº 6, que passou a ser um “quarto zagueiro”. E a defesa ficou assim: Lateral direito (4), beque central (2), quarto zagueiro (6) e o lateral esquerdo (3). No meio de campo ficaram o volante (5) e o meio armador (8); E Finamente o ataque, com seus dois pontas (7 e 11), o centroavante (9) e o ponta-de-lança (10). 


Ao chegar em 1971, o Santos passa a atuar nitidamente num 4-3-3, com o recuo de um atacante para o meio de campo, esse papel foi desempenhado por Pelé, que reduziu o seu número de gols. Em amistosos (e eram muitos) o Santos continuava a adotar o 4-2-4 mais ofensivo, e Pelé fazia gols aos montes. 

Observando a foto 4, vemos que o nº 10 “recua”, e retorna o termo meia-esquerda. 


Após a despedida do Rei, o desenho tático do alvinegro divulgado pela imprensa será o 4-3-3, mas já é possível identificar o 4-4-2 em diversas partidas. Essa variação (4-4-2) será adotada a partir dos anos 80 até os nossos dias. Uma linha de 4 zagueiros, 4 meio de campo e 2 atacantes. As mudanças apenas do meio para frente. Os volantes são dois (5 e 8) e os meias (10 e 11). E os dois atacantes (7) e (9). Recentemente com Neymar na equipe os atacantes usavam as camisas 9 e 11. 


Uma outra variação tática foi o 3-5-2, usado no final dos anos 90 e início do século XXI. A linha de 3 defensores usava a numeração 2, 5 e 6. O meio de campo contava com dois laterais avançados, um volante de armação e dois meias (4, 3, 8, 10 e 11). E os dois atacantes (7 e 9).

(*) Guilherme Nascimento e Wesley Miranda são Pesquisadores e Historiadores que torcem pelo Santos FC.

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