TABUS QUEBRADOS POR UM VISITANTE INDIGESTO

Publicado às 21:05 deste domingo, 06 de setembro de 2026

(*) Pedro La Rocca

Uma infinidade de tabus foram quebrados pelo triunfo do Santos sobre o Internacional de Porto Alegre no gigante da Beira-Rio. Um deles era sobre a última vitória Alvinegra no estádio, em 2008. O Santos marcou três vezes, com Gabigol (dois) e Oliva, já os mandantes diminuíram com Aguirre e Bruno Henrique. 3x2 no final.

Cuca, não tinha três dos seus principais jogadores e precisou fazer mudanças significativas após a eliminação na Copa do Brasil. Veríssimo, Barreal e Neymar estão entregues ao DM. Arao foi deslocado para a zaga, Gustavinho voltou ao time, Caballero e Rollheiser ganharam chance.

Não há dúvida que o Santos ganhou o jogo no meio-campo. Oliva e Gustavinho fizeram um primeiro tempo de manual e foram peças cruciais para Gabigol, duas vezes aproveitar a lentidão da defesa adversária. 

No primeiro gol, aos sete minutos, o Inter estava melhor na partida, mas o próprio Gabriel roubou a bola de Félix Torres e saiu na cara do gol. 

21 minutos depois, Rollheiser aproveitou desarme Santista no meio-campo e serviu Gabigol novamente em velocidade. Matheus Bahia cometeu pênalti e foi expulso. Gabigol marcou. Internacional entregue emocionalmente, com torcida vaiando e inclusive deixando o estádio na metade da etapa inicial.

O Peixe precisou de 10 minutos para novamente Rollheiser colocar bola na cabeça de Oliva para o uruguaio marcar o terceiro.

A estratégia de Cuca foi irrefutável. Com Arão na zaga, se deu mais velocidade no meio-campo com maior poder de marcação. Os colorados com a confiança lá embaixo e com dois zagueiros lentos, até mesmo se jogasse o chileno Maripán.

Curiosamente o Alvinegro finalizou menos, metade (8x4), mas com uma letalidade invejável.

Desde 2019 que o Peixe não ia ao intervalo com três gols de vantagem no placar.

Na segunda etapa a situação não ficou nada tranquila. Aguirre acertou chute de rara felicidade logo aos dois minutos e, emocionalmente, era tudo que não podia ocorrer. Desde muito tempo que não se confia no time do Santos quando está acuado.

A ação de Cuca foi veloz em promover a estreia de Arthur. Me arrisco a dizer que se não tem a calma, experiência e qualidade do camisa seis, os operários, porém pouco pensantes poderiam entregar um jogo ganho.

Como aconteceu com Miguelito aos 43. Boliviano, tanto pedido pela torcida, cometeu pênalti infantil - para ser generoso com o menino. A ausência de calma colocou os gaúchos, com um a menos, de volta no jogo. 

Mas espero que esse segundo tempo tenha sido um recado para a diretoria que a necessidade de um homem de lado de campo para situações como essa urge. Peixe colocou praticamente cinco volantes e não tinha mais profundidade para matar a partida.

Os mais de 65% de posse de bola, até de certa forma inteligente, não adiantariam nada se o triunfo fosse entregue.

Cuca está tomando muitas críticas, algumas com parcela de razão, mas é inegável o feito do treinador. São três vitória seguidas fora de casa no Brasileiro, feito que desde 19 não acontecia.

Uma vitória contra o Inter, em qualquer lugar, não rolava desde 2020, no sul desde 2013 e, repito, no Beira-Rio desde 2008, quando o atual treinador fazia sua primeira das quatro passagens pela Vila.

Além disso, o SFC conquistou apenas sua segunda vitória no Brasileiro sem Neymar. Será imprescindível que o Peixe aprenda a jogar sem seu principal jogador, que fica fora, no mínimo, dos próximos quatro jogos - sendo dois do certame nacional.

FICHA TÉCNICA
INTERNACIONAL 2 X 3 SANTOS

Competição: Campeonato Brasileiro, 26ª rodada
Local: Beira-Rio, Porto Alegre (RS)
Árbitro: Alex Gomes Stefano (RJ)
Cartões amarelos: Vitinho, Paulinho, Ronaldo, (INT) e Gabriel Barbosa, Escobar, Gustavo Henrique e Rolheiser (SAN)
Cartões vermelhos: Matheus Bahia (INT)

Gols: Gabigol, aos 7’/1ºT (0-1), aos 28’/1ºT (0-2), Christian Oliva, aos 38’/1ºT (0-3), Aguirre, aos 3’/2ºT (1-3), Bruno Henrique, aos 45’/2ºT (2-3)

INTERNACIONAL: Matheus Cunha; Bruno Gomes, Félix Tores, Mercado e Matheus Bahia; Ronaldo (Bruno Henrique, aos 29’/2ºT), Thiago Maia (Paulinho, aos 16’/2ºT) e Alan Patrick (Villagra, aos 29’/2ºT); Vitinho, Carbonero (Eliasson, aos 39’/2ºT) e Sanabria (Aguirre, no intervalo). 

Técnico: Esteban Conde.

SANTOS: Gabriel Brazão; Igor Vinícius, Willian Arão, Luan Peres e Escobar; Gustavo Henrique (João Schmidt, aos 37’/2ºT) Christian Oliva, Gabriel Bontempo (Lima, aos 32’/2ºT e Rollheiser (Miguelito, aos 37’/2ºT); Caballero (Arthur, aos 9’/2ºT) e Gabriel Barbosa (Thaciano, aos 32’/2ºT). 

Técnico: Cuca.

Arthur deixou boa impressão na estreia
NOTAS DOS JOGADORES DO SANTOS

Brazão - Havia falhado nos primeiros minutos numa jogada aérea, depois corrigiu o atributo. - 6,0

Igor Vinícius - Seguro. Não comprometeu. O jogador expulso do adversário ser um lateral-esquerdo colaborou. - 6,0

Arão - Voltou a jogar como zagueiro, e mais uma vez não deixou a desejar. - 6,0

Luan Peres - Apesar dos gols sofridos, também não teve culpa alguma. - 6,0

Escobar - Liderou o jogo em interceptações. Menos afobado na saída de bola. - 6,5

Gustavinho - Liderou o jogo em desarmes, com cinco. Junto com Oliva, dominaram o meio-campo. Bloqueou dois chutes perigosos. - 7,5

Oliva - Outro grande jogo do uruguaio, que passa a pisar mais na área rival. - 7,5

Bontempo - Ofensivamente apareceu pouco, porém importante na saída de bola apoiada. - 6,0

Rollheiser - Deu o passe para Gabigol sofrer o pênalti e deu a assistência para Oliva. Seus melhores jogos na temporada, curiosamente, foram na ausência de Neymar. - 7,0

Caballero - Destoou dos demais. Falha no primeiro gol adversário e não aproveitou nenhuma chance de contra-ataque que lhe foi ofertada. - 4,5

Gabigol - Apesar das falas infelizes no meio de semana, decidiu mais um jogo e chegou a 19 gols na temporada. - 7,0

Arthur - Se não fosse o camisa seis com sua calma e elegância, Peixe poderia sair com um trágico empate do sul. - 6,5

Thaciano - Muita dificuldade para sustentar no pivô e no jogo aéreo. - 5,0

Lima - Ainda sem ritmo. Perdeu chance para matar jogo no final. - 5,0

Miguelito - Cometeu pênalti infantil que colocou os gaúchos de volta na partida. - 4,5

Schmidt - SEM NOTA

(*) Pedro La Rocca - Estudante de jornalismo, repórter na Energia 97FM.

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