SANTOS RESPONSÁVEL QUEBRA TABU

Publicado às 23:50 deste domingo, 30 de agosto de 2026
(*) Pedro La Rocca

Nove meses e oito partidas depois, o Santos enfim conseguiu uma vitória em clássicos na temporada. A vítima, o Corinthians, jamais havia perdido para o Peixe na Neo Química Arena pelo Campeonato Brasileiro. Oliva colocou fim no tabu marcando o tento da vitória por 1x0.

Apesar da traulitada da Copa do Brasil, no meio de semana, Cuca fez apenas três alterações na equipe que iniciou a partida e todas do meio para frente. Bontempo, Neymar e Gabigol voltaram ao time. Schmidt, suspenso, ficou fora, além de Rollheiser e Caballero que ficaram no banco de reservas.

Santos, apesar da uma posse de bola bem inferior em relação ao seu rival, começou melhor o jogo. Cuca montou o time para Bontempo carregar o piano, Neymar lançar e Gabigol correr nas costas da boa zaga, porém lenta da equipe local.

O camisa nove teve um gol bem anulado por impedimento e depois perdeu grande oportunidade num lance também irregular. 

O time, muito equilibrado pela presença de Bontempo, precisou que o camisa oito sofresse uma falta frontal para abrir o placar.

Aos 32 minutos, Neymar fez a cobrança com maestria após o goleiro adversário deixar muito espaço na parte de fora da barreira. Hugo fez grande defesa, mas Oliva chegou para conferir o rebote.

12 minutos depois, Neymar teve grande chance no mano a mano com Gustavo Henrique. Há 10 anos atrás ele só pararia de correr dentro do gol. Ainda assim, sob trancos e barrancos achou passe magistral de calcanhar para Barreal, que chutou para boa defesa do goleiro.

Na volta para a etapa final, o time Santista não conseguia contra-atacar, isso porque o adversário rapidamente tirou um de seus volantes para colocar outro centroavante. O Peixe tinha o meio-campo, é verdade, mas recebeu um bombardeio de jogadas aéreas.

Porém, até nesse quesito defensivo, que foi uma tragédia na partida mais recente, melhorou demais. Apesar das 18 finalizações do rival, foram sete bloqueadas e 10 de fora da área. Brazão não fez milagre algum.

O jogo só recebeu novas grandes chances nos acréscimos. Nos últimos dois minutos, Oliva perdeu grande chance após maravilhosa jogada de Davizinho e Gui Negão, do lado contrário, idem. Um 2x1 para o Alvinegro Mais Famoso do Mundo estava de perfeito tamanho e equilíbrio.

Explico o motivo da melhora defensiva. Diniz joga com posse de bola aproximada - muitos jogadores no mesmo setor. A marcação individual de Cuca é o antídoto perfeito para esse estilo de jogo. O Santos ainda tinha a vantagem de ter um Garro pouco móvel sendo marcado por Arão.

SFC também teve muito mérito. Além do volante, Veríssimo, Luan Peres e Oliva fizeram um maravilhoso clássico.

Se o time vai manter essa mesma postura e resultado é difícil dizer, já que nem todo mundo joga com posse apoiada como o SCCP, e nem sempre essa formação dará certo. 

FICHA TÉCNICA
CORINTHIANS 0 X 1 SANTOS

Competição: Brasileirão, 25ª rodada
Local: Neo Química Arena, em São Paulo
Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (GO)
Cartões amarelos: Gabriel Paulista, Garro, Raniele (Corinthians), Barreal, Willian Arão, Lucas Veríssimo (Santos)

GOLS: Christian Oliva, aos 33 minutos do 1º tempo

CORINTHIANS: Hugo Souza; Matheuszinho, Gabriel Paulista, Gustavo Henrique e Matheus Bidu; Allan (Pedro Raul) e Raniele (Matheus Pereira); Kaio César, Garro e Dieguinho (Gui Negão); Memphis Depay. 

Técnico: Fernando Diniz

SANTOS: Gabriel Brazão; Igor Vinicius, Lucas Veríssimo, Luan Peres e Escobar; Gustavo Henrique (Christian Oliva), Willian Arão, Gabriel Bontempo (Rony), Barreal (Davizinho) e Neymar; Gabriel Barbosa (Rollheiser).  

Técnico: Cuca

Neymar vive seu melhor momento físico desde que voltou
NOTAS DOS JOGADORES DO SANTOS

Brazão - Não precisou fazer nenhuma grande defesa. Participou muito mais com os pés, onde errou alguns lançamentos. - 6,0

Igor Vinícius - Teve certa dificuldade na primeira etapa, depois se ajustou e comprometeu muito pouco. - 5,5

Veríssimo - Teve a árdua tarefa de marcar Memphis individualmente e foi muito bem. Está fora do próximo jogo. - 6,5

Luan Peres - Fez maravilhosas coberturas das costas de Escobar. Terminou o jogo como líder em interceptações. - 7,5

Escobar - Teve dificuldade com a dobra de Kaio César e Matheuzinho na sua ala, tanto que venceu pouquíssimos duelos e precisou muitas vezes de Luan Peres. - 5,0

Arão - O fato de Garro ter pouca mobilidade ajuda, mas fez um jogo inteligente. Quando o time tinha a bola baixava para ajudar na saída de três e fez isso sem a posse também na reta final de jogo. - 6,0

Gustavinho - SEM NOTA

Bontempo - Fica nítido que após a saída do camisa oito o time não consegue colocar a bola no chão e fazer também o tal jogo apoiado. Enquanto teve gás foi o carregador de piano. Sofreu a falta que gerou o gol da vitória. - 8,0

Barreal - Pode não ter feito tecnicamente seu melhor jogo (e não fez), mas taticamente muito correto. - 6,5

Neymar - Apesar de impedido, deixou Gabigol duas vezes na cara do gol, cobrou com qualidade absurda a falta que gerou o gol, jogando muito mais leve, vi driblar, vi tabelar. Na minha visão, está entre os três melhores jogos do camisa 10 desde que retornou à Vila. - 8,0

Gabigol - Até deixou sua marca, mas em posição irregular.  Só no clássico foram três impedimentos. - 6,0

Oliva - Deu equilíbrio para um meio-campo mais lento com Arão. Primeiro gol com a camisa Santista. - 7,0

Rony - Começou pela direita depois virou assistente de Escobar na esquerda. - 6,0

Davizinho - Nos acréscimos, Oliva perde um gol embaixo da trave com jogada do Menino da Vila. Deixou um rival no chão e deu caneta em outro, tudo na mesma jogada. Marcou muito bem Bidu. - 6,5

Rollheiser - SEM NOTA

(*) Pedro La Rocca - Estudante de jornalismo, repórter na Energia 97FM.

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