COMPLICOU

Publicado às 00:18 desta segunda-feira, 10 de agosto de 2026


(*) Pedro La Rocca

O Santista terá de passar uma semana amargando a zona do rebaixamento. Tudo porque, a gestão que mais quebra tabus positivos na história do clube, quebrou mais um. O Athletico-PR que jamais, em Brasileirões, havia vencido o Peixe na Vila, ganhou por 2x0. Ambos gols marcados por Viveros. 

Cuca fez com que o Santos, seja qual fosse o treinador, repetisse sua primeira escalação na temporada. Como Neymar foi banco contra o Remo e estava suspenso desse jogo, o treinador manteve Caballero no ataque ao lado de Gabriel.

Caballero esse, que voltou a desperdiçar chances importantíssimas. Aos quatro minutos, Barreal deixou o paraguaio frente a frente com o goleiro adversário. Chance perdida. 

A partida seria outra, já que com Caballero por dentro, Barreal na armação junto com Bontempo, o Alvinegro estava armado para o contra-ataque e, com o placar em seu favor, veria o adversário ser obrigado a sair para o jogo. 

O hiato entre 13 e 25 minutos foi o suficiente para os paranaenses saírem de Urbano Caldeira com três pontos.

Primeiro Viveros aproveitou rebatidada defesa Santista e marcou. Depois o mesmo colombiano, recebeu lançamento ainda na defesa e venceu o lento Adonís na disputa em velocidade. 

A principal característica do centroavante é a sua força e explosão. Como deixar um atacante desse calibre bater de frente na individual com um zagueiro como o argentino, sem sobra? Erro crasso da comissão técnica.

A semelhança entre os dois tentos sofridos pelo Peixe: a segunda bola. A tese da defesa Santista sofrer muitos gols, também tem a ver com estar desprotegida. Ambos gols saem de disputas pela bola onde o adversário termina com a posse. Não é um caso isolado. Há alguns jogos isso vem se demonstrando real.

A situação escancara o quão mal distribuído foi o elenco Alvinegro. Pedíamos Schmidt com Oliva - os dois estiveram muito abaixo da média. O substituto seria Arão (este sem condições) ou Samuel Pierri, jogador promissor que poderia ganhar chances. 

No segundo tempo essa deficiência fica ainda mais clara. Cuca precisava de um jogador para atacar as costas de Mendoza, que apesar de estar de ala, não é um grande marcador. Demorou até Cuca acionar Rony.

“Nós temos 17 jogos, 7 em casa e 10 fora. Em casa tem Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Grêmio… Me preocupo com essa situação no Brasileiro. Estamos em outras duas frentes e não temos elenco para disputar as três competições da mesma forma. Não nessa quinta, mas na outra vamos em Macará com horas de ônibus depois de Quito e domingo tem Mirassol em confronto direto. Não contratamos na janela e ainda perdemos, somos um dos poucos que não contratamos e temos o transfer ban", disse Cuca.

Transferban, necessidade de 23 pontos em 17 jogos e adversários jogando um futebol infinitamente melhor do que o praticado pelo Peixe. Santista terá de se apegar no aproveitamento com Neymar, que supera os 50%, e em Cuca ter uma criatividade grande.

Não vai contratar, não tem perspectiva de pagar os débitos com os atletas. Um rombo imenso deixado pela atual diretoria. Apenas uma ideia muito diferente da comissão técnica e melhora anímica dos atletas pode evitar o segundo descenso.

Além de tudo isso, a sequência dos próximos quatro jogos irá definir o destino do Peixe no campeonato. Vasco, Inter e Corinthians fora, e Mirassol em casa. São três confrontos diretos, sendo que o rival ainda pode aparecer na disputa da parte baixa. 

Se não somar no minímo sete pontos e eu penso ser uma loucura acreditar nisso, vai complicar para a reta final.

FICHA TÉCNICA
SANTOS 0 X 2 ATHLETICO-PR

Competição: Campeonato Brasileiro, 22ª rodada
Local: Vila Belmiro, Santos (SP)
Árbitro: Rafael Rodrigo Klein (RS)

Cartões amarelos: Adonis Frías (SAN) e Viveros (ATH)

Público: 7.026
Renda: R$357.468,75

Gols: Viveros, aos 13’/1ºT (0-1) e aos 25’/1ªT (0-2)

SANTOS: Gabriel Brazão; Gabriel Menino (Thaciano, aos 33/2ºT), Adonis Frías, João Ananias e Escobar; Christian Oliva (Rony, aos 14’/2ºT), João Schmidt (William Arão, aos 33’/2ºT), Gabriel Bontempo e Barreal; Caballero (Rollheiser, no intervalo) e Gabriel Barbosa. 

Técnico: Cuca

ATHLETICO: Mycael; Benavídez, Aguirre e Arthur Dias; Gilberto (Dantas, aos 16’/2ºT), Jadson (Felipinho, aos 16’/2ºT), Luiz Gustavo (Riquelme, aos 25’/2ºT), Leozinho (Vargas, aos 16’/2ºT) e Mendoza; João Cruz (Dudu, aos 39’/2ºT) e Viveros. 

Técnico: Odair Hellmann

Torcida cantou na porta do vestiário contra jogadores, mas principalmente dirigentes
NOTAS DOS JOGADORES DO SANTOS 

Brazão - Falhou na maioria das jogadas aéreas, inclusive no gol anulado por impedimento. - 4,5

Gabriel Menino - Todos os cruzamentos que tentou foram lentos e parecidos com lançamentos, tudo que um goleiro quer. Errou todos os nove cruzamentos que tentou. - 4,0

Adonís - Contribuiu diretamente para os dois gols. Muito inferior a Viveros nas disputas físicas pelo chão. - 2,5

Ananias - Diferente de Cuca, acho que falhou apenas no primeiro gol ao rebater para o meio da área. Apesar de jovem e ser normal errar, tem sido o menos irregular da defesa. - 4,5

Escobar - Vai sonhar com Leozinho. Ainda acertou um dos dois cruzamentos que tentou, mas dá pouquíssima profundidade. - 4,5

Oliva - Teve sua pior apresentação desde que chegou à Vila. Perdeu a bola que gerou o contra-ataque do segundo gol. - 4,0

Schmidt - Também vai sonhar com Leozinho, ainda mais do que Escobar. Nos 36% de posse do adversário, era quem acompanhava individualmente o habilidoso jogador. Contribui diretamente com primeiro gol, ao não chegar inteiro na segunda bola. - 3,5

Bontempo - Pela direita tem ficado sem função. Não há um jogador para associar com o camisa oito. - 4,5

Barreal - Ainda com pouca quantidade, jogador com mais lampejos do time. Criou as únicas e grandes chances do time, com passes para Caballero e depois Rony. - 5,0

Caballero - Cuca tem colocado o paraguaio por dentro. Tem velocidade, mas falta qualidade. Perdeu gol com quatro minutos que poderia mudar a história do jogo. - 3,0

Gabigol - Time que não cria o centroavante sofre, apesar de perder gols que não são do seu feitio. - 4,5

Rollheiser - Fez bons 15 minutos iniciais, quando o time melhorou, mas depois caiu vertiginosamente.- 4,5

Rony - Pela direita, fazia até movimentações interessantes, mas por dentro perdeu grande chance. - 4,5

Arão - SEM NOTA

Thaciano - SEM NOTA

(*) Pedro La Rocca - Estudante de jornalismo, repórter na Energia 97FM.

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