Com sofrimento, milagres de Brazão e sendo operado sem anestesia pela insuficiência estrutural do VAR, o Santos e Cruzeiro não saíram do zero na reestreia do técnico Cuca - iniciando sua quarta passagem na Vila. O resultado deixa o Peixe, por hora, fora da zona de rebaixamento.
Após dois treinamentos apenas, o novo comandante fez algo que era constante no trabalho do seu antecessor: mexer em metade do time. Foram cinco alterações no total.
No miolo de zaga, Zé Ivaldo e Adonís perderam suas vagas entre os titulares para que o treinador reeditasse a dupla vice das américas em 2020 - Luan Peres. Gustavinho voltou ao time na parte média na vaga de Arão.
Com Gabigol fora por força contratual e Neymar fazendo controle de carga, Gabriel Menino e Moisés voltaram ao 11 inicial.
Se o objetivo era deixar a primeira etapa com zero no placar para ambos lados, isso efetivamente aconteceu. Tecnicamente os atletas estiveram abaixo do aceitável para um jogo desse tamanho. Só o Santos errou quase 40 passes em 50 minutos. Muito erro em pouco tempo para um time profissional.
Por um lado positivo, o "efeito Cuca" foi rapidamente percebido defensivamente falando. Era um time muito mais protegido, que tinha Moisés e especialmente Gabriel Menino fechando lado do campo. Em determinados momentos, formaram-se linhas de cinco e até de seis na defesa.
O posicionamento da dupla citada colaborava com a defesa, mas também deixava Rony isolado para puxar contra-ataques. Tanto que o treinador voltou do Intervalo com Thaciano.
A mudança não surtiu todo efeito do mundo, já que Brazão trabalhou de forma milagrosa outras duas vezes e o Alvinegro de Vila Belmiro foi finalizar a primeira vez no alvo aos 45 minutos, quando Rollheiser já havia entrado.
Aos 49 o Peixe marcou aquele que seria o gol da vitória. Seria, porque o assistente assinalou impedimento no campo e o VAR ratificou. O ângulo da câmera utilizada é uma afronta com o esporte. Na diagonal, sem dar a possibilidade do manuseador do vídeo traçar a linha de forma justa.
Em quanto o impedimento semiautomático não for oficialmente implementado, os erros e as dúvidas irão prosseguir eternamente.
Exceção feita à operação ao time de Cuca, não dá para cobrar do treinador uma melhora significativa com apenas dois treinamentos e a ausência dos dois jogadores mais refinados tecnicamente do elenco. Ainda assim, uma leve melhora na defesa pôde ser detectada.
Desde o duelo contra o Velo Clube, há 37 dias, o Peixe sofreu gols em todos os jogos (cinco). Pela primeira vez no Brasileirão Brazão saiu sem ser vazado.
Se é que alguma crítica pode ser feita, é pelas substituições. Rincón e Schmidt juntos é uma clara amostra de desconhecimento do elenco, mas normal para quem não tem uma semana de trabalho.
Agora serão 11 dias livres até o próximo jogo (Remo - 02 de abril). Tempo maravilhoso para o comandante conhecer seus jogadores e colocar em prática sua forma de jogar.
SANTOS: Gabriel Brazão; Igor Vinicius, Lucas Verissimo, Luan Peres e Escobar; Oliva (Tomás Rincón, aos 34’/2ºT), Gustavo Henrique (João Schmidt, aos 39’/2ºT), Gabriel Menino (Rollheiser, aos 39’/2ºT) e Barreal; Moisés (Thaciano, no intervalo) e Rony.
Técnico: Cuca
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| CBF vai receber reclamação formal pelo gol anulado |
Brazão - Não foi muito exigido nos primeiros 45 minutos, mas dali em diante voltou a salvar o Santos de mais uma derrota. - 7,5
Igor Vinícius - Inseguro na saída de bola. Defensivamente foi muito auxiliado por Gabriel Menino. - 5,0
Lucas Veríssimo - Teve 14 contribuições defensivas, sendo 12 cortes, além de ter vencido seis dos sete duelos aéreos disputados. - 7,5
Luan Peres - Abusou das bolas longas, sem muito sucesso. Apenas dois certos de 11 tentados. Um dos milagres de Brazão aconteceu, porque o camisa 14 marcou bola e não o atacante. Para não dizer que não falei das flores, venceu a imensa maioria dos duelos. - 5,5
Escobar - No primeiro tempo tinha uma avenida na sua ala. - 4,5
Oliva - Santista com mais desarmes no jogo (quatro). Cobre espaços como poucos. Carece de qualidade técnica, mas compensa sem a bola. - 6,0
Gustavinho - Responsável por caçar Matheus Pereira onde ele fosse. Tomou cartão cedo demais e limitou seu jogo. - 5,5
Barreal - Na meia foi menos efetivo do que quando partiu para a esquerda, onde fez o gol que foi anulado. - 5,5
Menino - Taticamente fez uma partida irretocável. Limitou-se a ser secretário de Igor Vinícius, mas cumpriu a função que lhe foi ofertada. - 6,5
Moisés - Ajudou Escobar além da conta. Esse poderia ficar mais próximo ao ataque. O camisa 21 teve apenas uma chance no mano a mano na frente. - 5,0
Rony - Ficou isolado no primeiro tempo. Com a entrada de Thaciano, tinha para quem tocar, mas tomou muitas decisões equivocadas. Quando acertou, assistiu Barreal marcar o gol erroneamente anulado. Batalhou muito. - 5,5
Thaciano - Teve uma chance desperdiçada de cabeça. Menos corredor que seu companheiro de ataque. Teve 21 ações com bola, acertando todos os passes. - 5,5
Rincón - SEM NOTA
Schmidt - SEM NOTA
Rollheiser - SEM NOTA
(*) Pedro La Rocca - Estudante de jornalismo, repórter na Energia 97FM.




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