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MAIS QUE A DERROTA, O FUTEBOL É CONSTRANGEDOR

Publicado às 00h40 desta quinta-feira, 26 de agosto de 2021.

Com uma nova apresentação 'medíocre', principalmente nos primeiros 45 minutos, o Santos largou atrás e perdeu o duelo de ida para o Athletico-PR por 1 a 0, nesta quarta-feira (25), na Arena da Baixada, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Nesta competição, não tem a regra do gol qualificado fora de casa. Qualquer vitória por um gol de diferença, o time da Vila leva para os pênaltis. Para avançar nos 90 minutos, o Glorioso praiano precisa vencer por dois gols de diferença.

Foi o quarto jogo seguido sem vitória do Santos - empate para o Fortaleza e Inter, além de derrotas para Libertad-PAR e hoje para o Furação paranaense.

No primeiro tempo, os donos da casa abriram o marcador com Renato Kayser e poderiam ter ampliado. Na etapa final, o Peixe foi menos pior, mas não conseguiu o mínimo para empatar. 

Com dois minutos de jogo, o Santos já tinha levado uma bola na trave. O time de Diniz não passava do meio-campo e o gol do time de Curitiba era questão de tempo. Aos 16 minutos, depois de um escanteio, Richard desviou no primeiro pau e Renato Kayzer apareceu livre na área e cabeceou para o gol.

O meio-campo do Santos sem Camacho e com a escolha de Diniz de não colocar um volante de ofício, poderia ter optado por Balieiro, fez com que o time não marcasse absolutamente nada e errasse passes curtos que proporcionaram chances de gol aos mandantes. A marcação na segunda linha não existiu. Marcos Guilherme foi segundo volante, para que isso? O atacante não tem esta característica.

Na etapa complementar, senti o adversário santista meio que se poupando e sem o mesmo oxigênio, por isso tenho dúvida se o time dirigido por Diniz melhorou ou o Atlhético que cedeu espaço. Ainda assim, o Peixe terminou a partida somente com duas finalizações. Posse de bola, como sempre, maior, mas isso nunca ganha jogo.

O Santos foi prejudicado. No começo do segundo tempo, Renato Kayser abre o braço após a bola bater no seu bíceps em pênalti claríssimo, que só o carioca Marcelo de Lima Henrique não viu.

Nos minutos finais, o estreante Pedro Rocha serviu Mingotti, que chegou a ampliar para o Athletico. Mas a arbitragem entendeu que o jogador recebeu em impedimento e o gol foi mal anulado. Um erro não justifica o outro, mas os donos da casa também foram prejudicados.

Apesar da ausência de futebol por parte do time paulista, o  confronto está aberto. O jogo de volta está marcado para a Vila Belmiro, porém, apenas no dia 14 de setembro, às 21h30. Quem passar abocanha R$ 3,45 milhões.

Com o revés pela competição de mata-mata, a era Diniz no Santos até aqui tem 29 jogos (em quatro partidas ele foi substituído pelos auxiliares por cumprir suspensões). Neste período coleciona 11 vitórias, oito empates e10 derrotas com aproveitamento de 47.1% com 33 gols pró e outros 30 gols sofridos. Foram 49 grandes chances, pouco para quem tem a história de time mais artilheiro do mundo e com outras 49 grandes chances cedidas, com média de 8.8 chutes para marcar e 7.8 chutes para sofrer. 

Não quero ser injusto. A tarefa do comandante técnico não é das mais fáceis. O Santos mudou todo o time vice-campeão da América, em janeiro. Foram seis vendas e as reposições bem aquém de quem saiu. Ainda assim, dava para ter o mínimo de organização, algo que não é visto, há um bom tempo.

O resultado até foi bom para o futebol sofrível que o Santos apresentou.

No sábado (28), às 19h, o alvinegro volta a campo e enfrenta o Flamengo-RJ, um dos melhores times do Continente, na Vila Belmiro, pela penúltima rodada do primeiro turno do Brasileiro. O rubro-negro carioca além de adversário no torneio de pontos corridos, pode também ser o próximo duelo do Glorioso na Copa do Brasil. O Mengo enfrenta nas semifinais, o ganhador do confronto Santos e Atlhético Paranaense.


FICHA TÉCNICA

ATHLETICO-PR 1 X 0 SANTOS

Arena da Baixada - Curitiba (PR)

Árbitro: Marcelo de Lima Henrique (RJ)

GOLS: Renato Kayser (1 x 0) - 16 minutos do primeiro tempo

Cartões amarelos: Richard (ATH), Wagner Leonardo (SFC)

ATHLETICO-PR: Santos; Marcinho, Pedro Henrique, Thiago Heleno e Abner; Christian (Canesin), Richard (Erick), Terans (Vinicius Mingotti), Nikão e Jader (Léo Cittadini); Renato Kayser (Pedro Rocha). Técnico: António Oliveira

SANTOS: João Paulo; Madson, Luiz Felipe (Robson), Wagner Leonardo e Felipe Jonatan; Jean Mota (Raniel), Carlos Sánchez (Ângelo), Gabriel Pirani (Ivonei) e Marcos Guilherme; Lucas Braga e Marcos Leonardo. Técnico: Fernando Diniz

Fernando Diniz minimizou a atitude do capitão Sanchez que jogou a faixa de capitão no chão.

NOTAS DOS JOGADORES DO SANTOS

João Paulo: Como de costume, o melhor do Santos no jogo. Não fosse o camisa 34, os donos da casa iriam para o intervalo goleando. - 7,0

Madson: Não apareceu tanto no apoio e deu espaços na marcação. Foi por este setor que Nikão se instalou e articulou as principais jogadas do time da casa. - 5,0

Luiz Felipe: Saiu lesionado. No lance do gol, foi envolvido como toda a defesa após desvio no primeiro pau. - 5,0

(Robson): Bem no alto e tratou de dar bolas de segurança para evitar erros de passe. Se colocou bem. - 5,5

Wagner Palha: Ainda não tem entrosamento com a defesa, mas compensa com boa recuperação, algo incomum entre os zagueiros no país. - 5,5

Felipe Jonatan: Sabedor que não vive um grande momento, preocupou-se mais em ficar na defesa. Só apoiou no fim da partida. No lance do gol, após o desvio no primeiro pau, não consegue se antecipar ao autor do gol. - 5,0

Jean Mota: Não tem capacidade de marcação para jogar de primeiro volante. O deslocamento fez com que seu futebol caísse. - 5,0

(Raniel): Pouco tempo em campo. - SEM NOTA

Sánchez: Saiu irritado do campo ao ser substituído e jogou a faixa no chão. Não pode fazer isso. Tem caído de rendimento. Entretanto, sem ele fica muito pior. - 5,0

(Ângelo): O treinador foi totalmente inconveniente com o jovem de 16 anos. Queria que ele fizesse o que com dois minutos de tempo regulamentar mais os acréscimos. Queima um patrimônio do clube gratuitamente. - SEM NOTA

Pirani: Tentou levar o time a frente com sua velocidade. Ao contrário do domingo, não conseguiu. A oscilação de um menino de 18 anos é normal. - 5,0

(Ivonei): Com a ausência de Camacho poderia ter iniciado o jogo. Não tem grande capacidade de marcação, mas tem este fundamento melhor do que os que jogaram. - SEM NOTA

Marcos Guilherme: Não consegue reeditar as boas apresentações de quando chegou. Porém, não tem jogado pela esquerda do ataque como costuma lhe agradar. De forma assustadora, jogou de segundo e até de primeiro volante. Não tem cacoete para isso. - 4,5

Marcos Leonardo: Fez o pivô em algumas jogas. Lutou bravamente, mas estava isolado na frente. - 5,5

Lucas Braga: O 'único soldado do exército' no ataque. Lutou incansavelmente sozinho na frente. Foi bem no um contra um contra Marcinho, ganhando quase todas. Mas repito, estava de forma solitária. Ninguém no meio encosta. - 6,5

Fernando Diniz: Escalou mal. E não sou engenheiro de obra pronta, não. Falei na LIVE PRÉ-JOGO, na manhã desta quarta-feira, só assistir. Faz o básico. Põe um volante e fecha a casinha. Tinha Balieiro para a função. Perdeu o meio-campo desde o primeiro segundo de jogo. Está acabando com Marcos Guilherme ao coloca-lo de segundo volante. Em outras partidas colocou de coordenador de jogadas, ponta pela direita e falso 9. Não consegue extrair mais nada do elenco. Hoje, ficou evidente a atitude simbólica de Sanchez em jogar a faixa de capitão no chão, que nem tudo está sob controle. Seu material humano é ruim, mas dava ao menos para ter um time com padrão e organizado, após 29 jogos no comando em pouco mais de 100 dias. - 4,0


 

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