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UM PROMISSOR SANTOS TEM DESEMPENHO MELHOR QUE O RESULTADO

Publicado às 08h30 desta quarta-feira, 10 de Março de 2021.

O Santos largou na frente em sua 16a. participação em busca de uma vaga para a última fase preliminar da Libertadores da América ao vencer o Deportivo Lara (VEN) na Vila Belmiro por 2 a 1. Os gols foram de Balieiro e Kaiky Fernandes.

Com um time recheado de garotos, o alvinegro demonstra aos poucos, sua capacidade de se reinventar, mesmo diante de um caos financeiro e com o triunfo, joga pelo empate, na partida da volta, em Caracas, na próxima semana para avançar na competição continental e enfrentar Universidad Chile ou Sal Lorenzo da Argentina para entrar na fase de grupos.

O argentino Holán, demonstra em seus primeiros dias de clube, que coragem não lhe falta. O comandante técnico mexeu em cinco peças no time, após a goleada sofrida diante do São Paulo. Entraram na equipe, o goleiro João Paulo, o volante Balieiro improvisado na ala direita, o zagueiro Kaike Fernandes e os atacantes Ângelo e Marcos Leonardo nos lugares de Jhon, Sandro, Luiz Felipe, Jean Mota e Bruno Marques. 

Dos 11 titulares, sete jogadores que iniciaram a partida são da base do Santos, sendo uma média de pouco mais de 21 anos de idade e dois deles com 17 e um de 16.

O primeiro tempo do Peixe foi a tônica do que se esperava dos venezuelanos, que surpreendentemente demonstraram bastante organização tática, apesar de limitação técnica e se postaram com nove dos 10 homens de linha atrás da bola com linhas compactas defensivas. 

Ainda assim, o alvinegro demonstrou que já agredi mais do que antes. Mesmo carente de jogadores mais experientes como Marinho, Pará, Madson, Sánchez e até mesmo o não tão 'rodado' Kaio Jorge, os primeiros 45 minutos foram quase de um ataque contra defesa, entretanto, o Glorioso praiano pecou demais no último passe e pouco finalizou (apenas duas vezes), com as equipes indo para os vestiários sem gols.

Na segunda etapa, sabedor da necessidade de vencer para viajar com a vantagem, o Peixe abriu o placar. E em uma jogada com a participação dos seus dois volantes logo aos 4 minutos, Sandry cortou a marcação e passou para Alison cruzar. O corte parcial da defesa deixou a bola nos pés de Balieiro, outro volante, porém, improvisado na lateral, finalizar e fazer 1 a 0.

Mas mal o Santos comemorou o seu gol, os venezuelanos chegaram a igualdade, na jogada que tem sido o tormento do sistema defensivo alvinegro há algum tempo- a bola parada. Após cobrança de escanteio, Anzorla se antecipou a Lucas Braga e deixou o placar em igualdade, dois minutos depois do gol que abriu a contagem.

Novamente, os venezuelanos se fecharam e o time da Vila criava, mas pecava no último passe e/ou finalização para voltar a ficar a frente no marcador.

No entanto, os venezuelanos também provaram do mesmo veneno que os santistas e após ótima cobrança de escanteio efetuada por Jean Mota que havia acabado de entrar, o Peixe voltou a ficar na frente. O promissor Kaiky Fernandes antecipou-se a zaga e botou o time da casa novamente na frente aos 25 minutos da etapa complementar. Ele se tornou o atleta mais jovem a marcar um gol pelo Peixe na Libertadores.

O alvinegro partiu em busca do terceiro gol que daria um placar mais confortável para o duelo de volta, na próxima terça-feira (16) e teve chances para isso com Lucas Braga, Jean Mota e Gabriel Pirani, mas as três oportunidades não conseguiram furar a meta do goleiro Curiel.

Apesar da vitória magra, mais que os três pontos, o jogo demonstrou que o Santos tem jovens promissores que serão fundamentais ao time durante a temporada. Ângelo foi o melhor do time no primeiro tempo e Kaiky desfilou a mesma classe para quem o conhece, desde os tempos de sub-13 sob o comando de Juary, em 2017.

Certamente, o mais importante sem dúvida foi a vitória que deu vigor e a confiança aos "Meninos da Vila" e um pouco mais de tranquilidade para o recém chegado Holan que emprega uma mudança de filosofia, que ele tenta empregar na maneira do time jogar e deu condições do comandante técnico poder trabalhar durante a semana com a vantagem adquirida e com grande chance de avançar a próxima fase.

Com quase zero poder de investimento, transferban que impede contratações , o Peixe vai aos trancos e barrancos, se reinventando e seguindo a sua sina de revelar. Que em breve, a marca do clube possa se solidificar um pouco mais, a ponto de não reforçar rivais brasileiros com os talentos revelados em casa e em médio prazo, possa ser o suficiente para o time ser competitivo novamente, mesmo com outras forças financeiras em condições bem melhores.

FICHA TÉCNICA 

SANTOS 2 x 1 DEPORTIVO LARA

Estádio da Vila Belmiro - Santos (SP)

Árbitro: Andrés Matonte (Uruguai) 

GOLS: Vinicius Balieiro, aos 5, Anzola, aos 7, e Kaiky, aos 25min do 2ºT

Cartões amarelos: Alison e Vinicius Balieiro (SFC) Anzola, Martín Brignani, Darwin Gómez e Castillo (LAR)

SANTOSJoão Paulo; Vinicius Balieiro, Kaiky, Luan Peres e Felipe Jonatan; Alison, Sandry (Gabriel Pirani) e Soteldo; Lucas Braga, Marcos Leonardo (Jean Mota) e Ângelo (Bruno Marques). Técnico: Ariel Holan

DEPORTIVO LARACuriel; España, Anzola, Cristopher Rodríguez e Sifontes; Segovia (Castillo), Bueno, Melean, Barrios (Jesús Silva) e Darwin Gómez; Salazar (Ángel Sánchez). Técnico: Martín Brignani

Balieiro abriu a contagem. O volante marcou seu primeiro gol entre os profissionais do Santos.

NOTAS DOS JOGADORES DO SANTOS

João Paulo: Bem debaixo dos três paus. Precisa corrigir a saída do gol em bolas cruzadas. O goleiro não tem o hábito de deixar a pequena área, mesmo quando tem condições. No final da partida saiu em um bola fora da área e não conseguiu cortar a mesma de forma definitiva. - 5,5

Vinicius Balieiro: Avançou mais do que na partida diante da Ferroviária, mesmo improvisado. Deu condições de Ângelo encarar a defesa sem sobra, durante o primeiro tempo. Premiado com um gol. - 6,5

Kaiky: O melhor da partida. Postura, classe, eficiência no passe que levava a bola da primeira para a segunda linha e o gol da vitória que o deixou como o jogador mais jovem da história do Santos a marcar na Libertadores. Ele nasceu em 2004 e tem apenas 17 anos. - 7,0

Luan Peres: Ainda tem dificuldades na bola aérea e nesta partida especificamente errou muitos passes, algo que não era mais visto em suas últimas apresentações. - 5,5

Felipe Jonatan: Não comprometeu na marcação. Não acertou alguns cruzamentos, algo incomum. - 6,0

Alison: Um batalhador. Marca como poucos. Levou o cartão amarelo cedo. Bela participação no primeiro gol, dando o cruzamento para Balieiro. - 6,5

Sandry: Bela jogada enganando a defesa adversária e boa troca de bolas com Alison, no gol que abriu o placar. Era o único quem criava algo. Mal substituído. - 6,5

(Gabriel Pirani): Deu mais velocidade ao meio-campo. Quase marcou um gol de fora da área no fim da partida. - 6,0

Soteldo: Bem abaixo do seu potencial. Um mero expectador do jogo na primeira etapa. No segundo tempo fez uma única boa jogada pela esquerda, desperdiçada pelos atacantes santistas. - 5,0

Lucas Braga: Vontade não lhe falta, mas vai ter dificuldade na propositura de jogo do argentino. Jogador que gosta de espaço para imprimir seu forte, a velocidade. Com um Santos que propõe jogo, as linhas adversárias ficam compactadas e o ponta santista não tem a mesma desenvoltura para quebrar a linha com dribles curtos, como Soteldo, por exemplo. - 5,5

Marcos Leonardo: Teve uma grande oportunidade de abrir o placar com um peixinho de cabeça, após jogada de Ângelo. No segundo tempo, participou pouco do jogo. - 5,0

(Jean Mota): Bela cobrança de escanteio para o gol de Kaiky. Deu mais dinâmica na construção de jogadas do time. - 6,5

Ângelo: Com boas arrancadas no primeiros 45 minutos, inclusive com dribles para 'fora' e não para 'dentro' como costumeiramente faz, tornou-lhe o melhor jogador santista no primeiro tempo. Caiu de produção na segunda etapa. - 6,5

(Bruno Marques): Brigou bastante, mas não conseguiu demonstrar sua capacidade no jogo aéreo. O Santos que cruzou bastante na área, antes de sua entrada, surpreendentemente parou de fazer, assim que o camisa 19 foi para o jogo. - 5,5

Técnico: Ariel Holan: Acertou na maioria das alterações que fez antes da bola rolar. Demonstra coragem e que jogador não arruma lugar no time com apresentações do passado. Não foi feliz na retirada de Sandry na segunda etapa. O camisa 38 era um dos poucos que criava na meia cancha alvinegra, entretanto, não conhece o elenco há muito tempo e tem que ser dado esse desconto. - 5,5


 

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