FOTO CAPA

RAFAEL: "OLHA NO MEU OLHO, A GENTE VAI CLASSIFICAR"

Publicado às 22h10 deste domingo, 7 de junho de 2020.
Após a Rede Globo transmitir neste domingo (7), para o Estado de São Paulo, a reprise da decisão da Libertadores de 2011, conquistada pelo Santos diante do Peñarol, com uma vitória por 2 a 1, no estádio do Pacaembu, em 22 de junho daquele ano, o goleiro campeão das Américas - Rafael, participou de uma live comigo e com o jornalista Giovane Martineli, do Diário do Peixe, no youtube

O jogador que atua na Europa há sete anos e atualmente defende o Reading, time que disputa a segunda divisão inglesa, relembrou de momentos importantes da carreira, deixou expresso sua eterna gratidão pelo time da Vila e classificou aquela conquista como a maior da carreira.
"De todos os jogos da Libertadores, a final em casa (Pacaembu) foi o que menos trabalhei, mas comemorei muito." brincou o homem que foi canonizado no México, após realizar cinco defesas maravilhosas e classificar o time para as quartas de final.
Perguntado qual era o segredo daquela conquista, se eram os valores individuais, Rafael preferiu ressaltar o espírito da equipe.
"O nosso time era muito bom e muito humilde, todos amigos de verdade, entrosado dentro e fora de campo. A gente até esperava pegar o Vellez, e não o Peñarol na final. Os argentinos tinham um time forte. Os uruguaios dentro de casa tinham dificuldade de ganhar, mas fora, eram muito chatos e tinham resultados melhores." lembrou o ex-camisa 1 do Peixe e da Seleção Brasileira no começo da década.
Rafael, figura fundamental na conquista do TRI.
Rafael sem medo de errar, classifica a passagem para as quartas de finais, o jogo mais difícil do time na campanha vitoriosa. Apesar do excelente time que o Santos tinha, o goleiro relembrou que a equipe foi 'amassada', pelos Mexicanos, em Querétaro, em boa parte do jogo e classifica como a melhor partida que ele realizou com a camisa do Santos. Foram defesas importantes com vento forte e a bola mudava de direção. 
"Eu acho que esse jogo (América no México - 0 a 0) foi a partida que nós sentimos que aquele era o nosso momento. Nós não conseguimos jogar lá, não passamos do meio-campo e os caras pressionavam, cruzavam, chutavam. Olhamos um para cara do outro, após nos classificarmos em Querétaro e nos vestiários sentimos que nós íamos ganhar a Libertadores. Aquele jogo nos deu muita confiança" disse Rafael.
Sobre a mística de que na Libertadores tem que bater e ter estrangeiro que fala espanhol com a arbitragem , Rafael relembrou que o técnico Muricy dizia justamente ao contrário, principalmente aos jogadores mais talentosos.
"A gente falava entre a gente quanto mais batesse, mais jogaríamos. Falávamos para o Neymar, para o Ganso, resolve lá na frente que a gente garante atrás. Libertadores é diferente de verdade. A arbitragem é diferente. No Brasil, o jogo fica lento. Tem partidas que os últimos minutos, não tem jogo. Só picando com faltinhas e os juízes apitando tudo. Após o jogo contra o Cerro Porteño, na primeira fase, o time entendeu isso." afirmou.
O goleiro Rafael, Giovane Martineli do Diário do Peixe e Ademir Quintino.
Outro momento marcante de Rafael e do Santos naquela campanha vitoriosa foi quando ele foi conversar com torcedores que cobravam uma melhor performance. O Santos esteve praticamente eliminado da competição na primeira fase, após três jogos sem vencer com apenas dois pontos conquistados. O camisa 1 falou a torcida. 'Olha no meu olho. Vamos classificar e vamos ser campeões'. Ele disse que não sabia que tinha alguém gravando.
"Não fui no alambrado para discutir. Fui tirar uma foto e começou o bate-boca. Falei aquilo de verdade, nem sabia que estavam me filmando. Eu via naquele time, qualidade, potencial, não tinha vaidade. Sentíamos um a dor do outro. Sabia o potencial daquele grupo e que iriamos corresponder." garantiu.
Rafael relembrou que a Libertadores era o objeto de desejo de todos. Alguns já tinha disputado a competição e perdido decisões como Elano e Léo em 2003 (apesar do meio não ter entrado em campo contundido nas finais), Arouca em 2008 pelo Fluminense, Durval em 2005 pelo Atlético Paranaense e o técnico Muricy Ramalho, vice-campeão com o São Paulo em 2006.
"Desde que ganhamos a Copa do Brasil em 2010, sonhávamos com a conquista da Libertadores, tanto que no final do Brasileiro daquele ano, não fomos tão bem. Queríamos a Libertadores." afirmou.
O goleiro Rafael jamais perdeu uma disputa de pênaltis na carreira, como profissional. Na Libertadores, não precisou, mas o guarda-metas lembrou com satisfação esse belo retrospecto.
"Graças a Deus. No Napoli, teve uma e fomos campeões. No Reading-ING teve uma logo na estreia e vencemos. Tem razão, nunca perdi, no Santos foram três - Velez-ARG em 2012 na Libertadores; além de Palmeiras e Mogi-Mirim, seguidos pelo Paulista, em 2013. Pênalti tem estudo, alguns jogadores são diferenciados. Mas tem o instinto. Eu comecei a treinar na base, em me movimentar na linha. Fiz isso num jogo em 2010, contra o Grêmio Prudente, onde eu peguei um e outro foi na trave e deu certo. Continuei fazendo." revelou.
A estreia de Rafael pelo Santos foi em Nova Jersey, na inauguração da Arena do Red Bull, nos Estados Unidos. Tanto eu como o Giovane Martineli, a época, assessor de imprensa do clube norte-americano, estavamos no estádio e assistimos a primeira partida do então menino. Ele substituiu o campeão brasileiro em 2002 Fábio Costa. Foi como se fosse uma passagem de bastão, entre a realidade vencedora e aquele que viria para substituí-lo.
"Eu subi em 2009. Aprendi muito com o Fábio (Costa). Me encontrava fora do clube com ele. Minha estréia no profissional foi nesse amistoso. Minha relação com o Fabinho foi sempre ótima. Me deu dicas, ajudou. Éramos amigos de verdade. Eu ia na casa dele no Gonzaga (bairro de Santos)." disse sorrindo.
O goleiro é o único na história do clube a conquistar títulos importantes, sendo oriundo da base. Além disso é o goleiro mais jovem a conquistar uma Libertadores da América. O arqueiro tinha acabado de completar 21 anos, poucos dias antes da final diante do Peñarol-URU.
"Essa é uma lei em todo lugar em todas as áreas, onde a grama do vizinho é sempre melhor. Quando eu subi, da base, novo, sempre teve desconfiança. Mas o Santos me deu estrutura, confiou no meu trabalho. Com apenas 20 anos disputando uma Libertadores. Sou o mais jovem até hoje a conquistar um título continental. Mas não era a minha idade e sim a personalidade. O presidente, diretor, treinador me bancaram. O Santos confiou em mim. Através do clube, eu fui a Seleção, vim para a Europa. Deixar moleque na frente jogar é mais fácil. No gol, a cobrança é maior. Por isso, agradeço a oportunidade e sou grato ao Santos." relatou.
Rafael ao falar da carreira disse que teve outras partidas que ele foi tão bem ou melhor que o jogo no México, quando o alvinegro eliminou o América nas oitavas de final e ficou como único brasileiro na competição daquele ano.
"Com a camisa do Santos foi essa (em Querétero), pelo momento, pela importância. Mas também joguei uma final pelo Napoli contra a Juventus, peguei dois pênaltis e fomos campeões. Esse ano, acho que fiz o melhor jogo da minha vida, mas não era um mata-mata de Libertadores, uma final de Campeonato que foi pelo Reading contra o Fullan que ganhamos de 2 a 1 fora de casa, em questão do número de defesas difíceis. Minha estréia na Seleção Brasileira, eu fiz uma sequência boa, não sei se você lembra, diante dos Estados Unidos.", analisou.
Rafael esteve visitando a Vila recentemente.
Sobre uma possível volta a Vila, Rafael disse que não quer deixar a Europa no momento e que só voltará se ele tiver condições de alto-nível e não voltar ao clube apenas para pendurar as chuteiras.
"Eu voltando ou não ao Santos, o clube vai ser sempre minha casa. Eu morava embaixo da arquibancada da Vila e sonhava em jogar com o profissional. Cheguei com 16 anos. Estou muito feliz na Europa, não tenho intenção de voltar ao Brasil agora. Se não for para ser campeão, não vale (a volta). Quero voltar para quem sabe me tornar o maior goleiro da história do clube, ganhar outra Libertadores, não só para encerrar a carreira." disse Rafael.
Por fim, Rafael revelou ser fã de outro ex-goleiro que não jogou pelo Santos. 
"Minha referência sempre foi o Marcos do Palmeiras. Na minha época de adolescência era o melhor. Foi campeão da Copa em 2002. Me recordo uma vez que eu estava dando entrevista e ele parou atrás de mim, esperando. E quando acabou, ele queria minha camisa. Aquilo foi uma alegria, trocamos o uniforme. O marcão eu admiro como goleiro, como pessoa. Um cara sincero, puro. Todos, até torcedores de outros clubes o admiram. É um objetivo que eu busco ser admirado pelas pessoas, independente de onde eu jogo ou joguei."
strutura.com.br
 

Copyright © Ademir Quintino All Rights Reserved • Design by