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MOLINA: "EU TENHO QUE VOLTAR, IR AO CT, CURTIR UM JOGO DO SANTOS NA VILA COM A TORCIDA"

Publicado às 15h desta sexta-feira, 8 de Maio de 2020.
Na noite desta quinta-feira (7), o ex-meio campista Molina participou de uma live com EXCLUSIVIDADE em nosso no canal no youtube. O jogador que se aposentou dos gramados no fim de 2017 esteve no Santos entre 2008 e 2009 e relembrou dos tempos de Vila Belmiro com algumas histórias engraçadas inclusive. O 'guerreiro que Sangra' disse durante a entrevista que tem vontade de voltar ao Brasil, lugar que não visita desde que saiu da Baixada e que não falava com algum jornalista brasileiro desde 2010.

Molina despertou o interesse santista durante as semifinais da Libertadores 2003. O jogador disse que sentiu o quanto era jogar no 'Caldeirão da Vila' era difícil. Ele pertencia ao Independiente Medellín, clube que o revelou. No jogo de ida deu 1 a 0 para o Peixe e na volta, nova vitória do alvinegro, desta vez por 3 a 2 e Molina marcou um dos gols dos colombianos: 
"Nossa time era bem jovem com 23 anos e não sentia pressão em outros Estádios. Naquela Libertadores durante os 30 primeiros minutos, a torcida do Santos na linha gritando, em cima da gente, quando ia cobrar um lateral, um escanteio. Como vocês aí no Brasil dizem, acho que foi o único jogo que a gente 'pipocou' fora de casa, por algum momento foi na Vila Belmiro, que pressão forte." revelou.
Durante quase uma hora e meia de um papo bem descontraído, Molina contou como chegou ao Santos e que ficou bem surpreso:
Um dia, estava na pré-temporada (pelo Estrela Vermelha) e meu empresário me ligou. Disse que tinha possibilidade de ir para o Santos. Foi a negociação mais fácil que tive na minha carreira. Fiquei muito contente e feliz” contou.
Porém, se Molina achou que teria vida fácil no Brasil, ele se equivocou. O Santos passava por uma grande reformulação e Emerson Leão, técnico campeão brasileiro em 2002 voltava pela terceira vez ao clube. O jogador disse que temeu quando percebeu que o técnico não queria estrangeiro. A desconfiança deu lugar a justiça. Molina classificou Leão como o mais honesto e um dos melhores treinadores, que ele trabalhou na vida.
"Ele (Leão) passou por mim, no primeiro dia e nem olhou na cara. Cheguei ao hotel, e vi que estava dando entrevista e reclamando que só estava chegando gringo. Ele falou: 'No Brasil, estrangeiro tem que ser diferente para jogar aqui.'" relembrou o então camisa 21 do Peixe.
Molina dá detalhe por detalhe das primeiras conversas com o seu primeiro comandante técnico no Brasil.
"No dia seguinte, o Leão me chamou junto com Quiñonez e o (Sebastian) Pinto e disse que falaria em 'portunhol': Não pedi vocês aqui, não queria vocês, mas já assinaram contrato, não é? Então vamos em frente. Se jogarem bem, eu vou colocar para jogar. Acho que foi o cara mais honesto e transparente que eu conheci no futebol." garantiu Molina.
O colombiano que caiu nas gracas da torcida logo de cara, conta como foi a sua estréia e que não esperava jogar tão cedo, após o papo com Leão.
"Treinei com o time, viajei para pegar o visto, na Colômbia, voltei e achei que ia ficar no banco ou nem ser relacionado e vejo no quadro o meu nome - Molina de titular, pensei, ferrou (risos) mas ele foi muito justo, sempre me deu muita confiança, de verdade. Fiquei muito triste quando ele foi embora. Muito forte de caráter. Outros treinadores aí falavam uma coisa e faziam outra e ele sempre foi muito transparente, na moral." recordou o meia-atacante.
O colombiano disse que se surpreende com a torcida santista que sempre lhe envia mensagens através de rede social. Apesar de em sua auto-critica considera que foi bem, ele não conquistou títulos em sua passagem pela Vila.
Eu ainda não entendo (esse carinho grande). Fui um cara muito carismático. Acho que pelo jeito de jogar. Sempre tentei me entregar 100% em campo. Agora, entendo que não é só ganhar campeonato. É o jeito de se entregar no campo. Fico muito grato (pelo respeito e gestos da torcida)”.
Questionado qual foi o melhor momento de sua passagem, o jogador recorda de uma passagem entre inúmeras com erros de arbitragem que prejudicaram o Santos, em 2008. O time brasileiro acabou eliminado nas quartas de final, em confronto contra o América (México). Na primeira partida, derrota, na Cidade do México, por 2 a 0. O Peixe chegou a marcar, com Kléber Pereira, entretanto o gol foi mal anulado pelo arbitro argentino Héctor Baldassi. Molina classificou que o erro foi fatal para a desclassificação.
Acho que esse gol acabou tirando a gente da Libertadores. Se a gente tem um resultado melhor lá na México, na Vila a gente podia passar. Acabou prejudicando. Vencemos por 1 a 0, no jogo da volta.” disse.
O jogador que chegou a vestir a 10 de Pelé, prometeu voltar a Santos em breve. Nós dissemos que vamos conseguir duas passagens ao colombiano e ele topou vir ao Brasil, após a pandemia.
"Na moral, eu tenho que voltar, tenho que ir no CT, curtir um jogo na Vila com a torcida. Na moral eu vou para lá para tirar uma foto no muro." garantiu.
Sobre a vitória com gol no último minuto assinalado por Tripodi, o jogador disse que quebrou o nariz. O ex-atleta disse que seguiu no gramado pois não sabia que tinha tido uma lesão maior.
"Eu quebrei o nariz. Os caras me falaram durante o jogo, não aconteceu nada. Depois de três, quatro anos, fiz operação pois estava incomodando muito para respirar e dois anos depois, quebrei mais uma vez". relembrou.
Por quase duas horas, Molina falou de sua passagem pelo Santos
Mas a parte mais engraçada da entrevista ficou para o fim quando contou uma 'presepada' que Neymar e PH Ganso aprontaram para ele, mas o colombiano disse que deu o troco:
"Tem uma muito boa. Um dia, quando Neymar subiu no time, começou a fazer gracinha com todos e comigo ficava, colombiano, colombiano e eu fui para a coletiva. E ele dizia que ia me pegar. No fim da entrevista, o Ganso e Neymar estavam me esperando. Não lembro quem era o terceiro. Me pegaram com algemas de policiais e me prenderam por umas duas, três horas, das seis as nove da noite em uma árvore. Eu gritava e eles deixaram a chave das algemas com uns funcionários que me tiraram de lá, depois." falou com sorriso no rosto. 
O jogador disse que a vingança contra os 'Meninos da Vila' foi no dia seguinte:
"No outro dia, peguei os meus parceiros, os jogadores mais experientes, Fabio Costa, Rodrigo Souto, Kléber Pereira. Acabou o treino, eu e meu grupo pegamos eles e jogamos na árvore com aquelas ataduras que passamos no tornozelo, em todo corpo, até na cara, todinha, jogamos água e começamos a bater neles com o cabo do celular, depois colocamos algumas formigas e eles começaram a chorar e pedir desculpas. E eu disse vocês não estava de sacanagem comigo, vocês vão mexer com colombiano? Ta aí, vocês tiveram." finalizou o episódio.
Sobre a saída da Vila, o colombiano disse que a proposta financeira era muito grande, mas não desejava sair do Peixe:
Em 2008, uns empresários coreanos disseram que tinham interesse de me contratar. Não queria ir, mas queria uma estabilidade maior na minha vida. Em 2009, eles voltaram. Negócio lá no Santos não estava muito legal, e a gente não estava bem. Acabei tendo que aceitar”, afirmou.
Pelo alvinegro, Molina atuou 78 vezes e marcou 17 gols. 

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