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TEM DESEMPENHO. FALTAM RESULTADOS

Publicado às 09h00 desta sexta-feira, 7 de Junho de 2019.
O Santos conheceu na noite desta quinta-feira (6), em um Pacaembu com pouco mais de 16 mil torcedores, sua terceira eliminação em 2019. A equipe foi derrotada de virada por 2 a 1 para o Atlético Mineiro e está desclassificada da Copa do Brasil. Com o revés, o time deixou de faturar R$ 3,1 milhões por não ter avançado as quartas de finais da competição mais rentável do pais no ano.

As outras duas eliminações no primeiro semestre deste ano, coincidentemente e curiosamente foram no mesmo local. Primeiro para o River (genérico) do Uruguai, na primeira fase da Copa Sul-Americana e posteriormente para o SCCP, nos pênaltis, nas semifinais do Paulistão.

Sem Rodrygo que teve o pedido de liminar negado pelo STJD (Superior Tribunal da Justiça Desportiva), Sampaoli mandou a campo novamente uma formação com três zagueiros e com Marinho e Uribe, na frente. O artilheiro do time no Brasileiro - Sasha, o eleito melhor jogador do Paulista - Jean Mota, além do atacante Soteldo, ficaram como opções no banco. 

O atacante Dérlis e o meio-campo Cueva, ambos nas seleções de Paraguai e Peru, respectivamente, além de Felipe Jonatan, que não podia atuar nesta competição pois tinha jogado a fase inicial pelo Ceará, eram os outros desfalques.

Ainda assim, o Peixe começou o jogo a 200 Km por hora, marcando forte na saída de bola e aos cinco minutos, após cobrança de escanteio de Marinho, Gustavo Henrique foi no segundo andar e cabeceou para o fundo da rede. Não podia começar melhor o duelo para o time da Vila.

Entretanto, os visitantes começaram a ganhar o meio-campo e no segundo terço da primeira etapa, já estavam melhores e chegaram ao empate com o colombiano Chará. As equipes foram para o intervalo com a igualdade. 

No intervalo, 'Tio Sampa' sacou o defensor Felipe Aguilar e colocou Jean Mota para equilibrar o meio-campo, dominado pelos mineiros. Deu certo e o alvinegro da Vila começou a pressionar, porém, pecava na ansiedade e na finalização. Nos últimos cinco jogos, o time marcou apenas dois gols.

Quando o duelo caminhava para as penalidades máximas, o Santos começou a expor em excesso a defesa, como já havia acontecido em outros jogos e no contra-ataque, Chará, novamente ele, recebeu de Cazares e fez com que o Galo pela primeira vez na sua história, eliminasse o Glorioso praiano, em um duelo de mata-mata.

Não serei oportunista e dizer que a 'terra está arrasada'. Vejo um time que tem tido apresentações de médias para boas, o Brasileirão demonstra isso, porém, nenhum pouco decisivo e vitorioso, já que em todos os mata-matas do ano caiu, quando enfrentou equipes de primeira divisão. 

Também não é menos verdade que decisões equivocadas no campo administrativo colaboram para estes resultados. Qual era mais importante? Classificar e faturar a premiação ou aumentar o preço do ingresso (arquibancadas a R$ 90,00)? E a demora para definição do local e consequente venda de ingressos antecipados? O duelo decisivo estava agendado para a Vila. Mudou para o Pacembu e em seguida, tentaram, sem obter êxito, trazer de volta para Urbano Caldeira.

Não bastasse isso, o SCCP costurou um acordo com a CBF. Foi o único a liberar dois jogadores para o time sub-23 (Vital e Pedrinho), desde que a entidade permitisse que Cássio e Fagner, fossem liberados da seleção principal para o confronto diante do Flamengo pela mesma Copa do Brasil. O Santos e o Athlético Paranaense, com pouca, para não dizer nenhuma força na entidade máxima do futebol brasileiro, a mesma que trata desigualmente seus filiados, não puderam e continuam sem poder utilizar Rodrygo e Renan Lordi, respectivamente, por total capricho, mesquinharia e birra da Confederação.

Sampaoli também voltou a se queixar em entrevista coletiva após mais uma eliminação. Lamentou a ausência de público e o fato de não jogar na Vila Belmiro:
"Jogamos no domingo passado contra o Ceará com 60 mil pessoas do rival. Hoje, o estádio não estava de acordo com a uma etapa de definição da Copa do Brasil. Certamente os dirigentes e nós, treinadores e equipe, não estamos convencendo. Ou o preço das entradas, não tenho ideia. Sempre disse minha predileção por jogar na Vila, mas não creio que seja uma maneira de esconder a análise esportiva da eliminação, mas daqui pra frente analisar por que o público do Santos não vai ao estádio." analisou.
Por falar em Sampaoli, o treinador que fez ótimos trabalhos por onde passou, exceto a Seleção Argentina, quando pegou o barco andando e foi 'jantado' pelos cobras do time, precisa de alguma forma, começar a traduzir em resultados, seus desempenhos. Com exceção do futebol chileno, onde foi vitorioso na Seleção ao vencer uma Copa América e na Universidad de Chile, onde conquistou o campeonato local e a Copa Sul-Americana de 2011, não teve mais êxitos para o coroamento de sua prestação de serviços. 

Mas repito, apesar da amarga eliminação, mais uma e como mandante, o que o futebol não tolera, não vejo 'terra arrasada'. Caso Sampaoli, permaneça e cumpra seu contrato até 2020, esta equipe maturada, mais 'malandra' com alguns reforços pontuais, pode dar frutos sim. Vejam Klopp, no Liverpool, atual campeão Europeu. Apenas no terceiro ano, as conquistas chegaram. 

Sem ficar em cima do muro, já havia dito anteriormente, não acredito nesse time em condições de ser Campeão Brasileiro. O campeonato do Santos é conseguir uma vaga na Libertadores da América do ano que vem e olhe lá. 

Apesar dos reforços, vejo outros elencos mais fortes e com conjuntos melhores que o Peixe que sequer tem um time definido. Além disso, o elenco, num todo, necessita de tomadas de decisões corretas e com melhor produtividade para definir, na hora que mais precisa. 

Para encerrar sobre o comandante técnico e que não nego e escondo minha admiração. Só reclamar, não adianta. Emerson Leão em 2002, em vez de reclamar, usou a base do clube, que por sinal tem salvado a equipe ao longo dos anos. Qual jogador das categorias menores, o argentino tem dado chances? Qual o ganho financeiro ao menos e digo isso, em razão da escassez de título da instituição desde 2016, 'amor por él balón' vai deixar na Vila Belmiro?

Por fim, só restou o Brasileiro para o segundo semestre.

FICHA TÉCNICA
SANTOS 1 X 2 ATLÉTICO-MG
Estádio do Pacaembu, em São Paulo (SP)
Árbitro: Bruno Arleu de Araujo (RJ)
Público e renda: 16.857 torcedores/ R$ 828.709,00/16.857 
Cartões amarelos: Jean Lucas, Soteldo (SFC) e José Welison, Adilson, Lucas Veríssimo, Fábio Santos (CAM)
GOLS: Gustavo Henrique 5'/1ºT (1-0), Chará 36'/1ºT (1-1) e Chará 39'/2ºT (1-2)
SANTOS: Everson, Victor Ferraz, Lucas Veríssimo, Aguilar (Jean Mota 1'2T), Gustavo Henrique e Jorge; Pituca, Jean Lucas e Sánchez (Soteldo 15'/2ºT); Marinho e Uribe (Sasha 31'/2ºT). Técnico: Jorge Sampaoli.
ATLÉTICO-MG: Victor, Patric, Réver, Igor Rabello e Fábio Santos; José Welison (Adilson 18'/2ºT), Elias e Luan (Geuvânio 30'/2ºT); Cazares, Chará e Ricardo Oliveira (Alerrandro 21'/2ºT). Técnico: Rodrigo Santana.

Terceira eliminação seguida com Sampaoli a frente do Santos. Curiosamente e coincidentemente todas no Pacaembu.

NOTAS DOS JOGADORES DO SANTOS
Everson: No primeiro gol, eu apesar de não ser goleiro, não via a necessidade de sair no pé de Chará fora da pequena área. Fez duas grandes defesas, uma em cada tempo. Primeiro em chute de Chará e depois fechou o ângulo de Ricardo Oliveira. - 6,0
Victor Ferraz: Um bom primeiro tempo com precisas troca de passes com Sánchez. Na segunda etapa, quando o Santos abriu mão do terceiro zagueiro teve dificuldades na marcação com o camisa 10 do Galo. - 5,5
Lucas Veríssimo: Bem na proteção da lateral-direito no primeiro tempo e manteve a postura firme quando o time voltou a ter dois defensores. Com a defesa exposta no final da segunda etapa, não teve tempo suficiente para impedir a finalização de Chará no segundo gol. - 6,0
Aguilar: Um primeiro tempo regular. Eu, treinador, não o tiraria pois é o defensor mais rápido dos zagueiros do elenco. - 6,0
(Jean Mota): Deu mais dinamismo e melhor movimentação ao meio-campo. Ainda não realizou uma partida do nível das que fez no Campeonato Paulista, após ter tido problemas em um dos joelhos. Tem 'bola' para jogar mais. Entretanto, para eu não ser injusto, vejo que cresceu nos últimos dois jogos. - 6,0
Gustavo Henrique: Belo ataque a bola no único gol da equipe no começo do jogo. Ficou mano a mano com o rápido Chará no gol do empate. - 6,0
Jorge: Bem na marcação pressão da primeira etapa. Apesar de dono de técnica refinada, ficou devendo e muito na construção das jogadas no apoio. Evitou gol certo de Chará na primeira etapa. Caiu de rendimento no segundo tempo. Levou nas costas no gol que definiu a classificação do time de BH. - 5,5
Pituca: Não comprometeu, mas tem potencial para jogar mais do que atuou nessa partida. - 5,5
Jean Lucas: Primeira temporada do jogador que pertence ao Flamengo. Potencial monstruoso. Anulou Elias e ainda finalizou bem de fora da área. Precisa caprichar no passe. Lembra Pogba no começo de carreira. Uma pena que vá embora no fim do ano. - 6,5
Sánchez: Bem na troca de passes com Victor Ferraz na primeira etapa. Quando tentou trocar passes pelo meio, errou bastante. Proporcionou alguns contra-ataques perigosos. A exemplo de Pituca, podia render mais. É o jogador mais experiente do meio-campo santista. - 5,5
(Soteldo): Jogador que tem potencial para quebrar as linhas adversárias. Deu mais velocidade na frente, porém, peca em segurar demais a bola. Também teve tomadas de decisões erradas. - 5,0
Marinho: Apesar de fominha por muitas vezes, foi o único jogador do ataque que levava perigo a meta adversária. Bela cobrança de escanteio na assistência para o gol de cabeça de Gustavo Henrique. Precisa melhorar suas tomadas de decisão. - 7,0
Uribe: Atuação mais que discreta. Seu maior potencial é no jogo aéreo. O Santos não fez um cruzamento no alto para o camisa 9. - 5,0
(Sasha): Jogou apenas 15 minutos. Ainda assim, melhorou a movimentação do lado direita do ataque com seus deslocamentos. Não teve oportunidade para finalizar. - 6,0
Técnico: Jorge Sampaoli: Não adianta só ter a posse de bola e não matar o jogo. Viu seu time dominar toda a segunda etapa e não finalizar bem. Demorou para tirar Uribe visivelmente mal aproveitado, já que não tem tanta qualidade com a bola no chão e o Santos não cruzava bolas para o colombiano. Precisa fazer com que a equipe traduza boas apresentações em resultados para obter as conquistas. - 5,5

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