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CHULAPA 6.1 TURBINADO

Publicado às 14h55 desta terça-feira, 23 de dezembro de 2014.
"Só saio da cidade de Santos, o dia em que o oceano secar". Esta frase é do maior artilheiro da história do São Paulo e o segundo após a Era Pelé no Santos (Só perde para Neymar e Robinho está a um gol de igualar a sua marca) - Serginho Chulapa, que completa nesta terça-feira, 61 anos.

Sergio Bernardino nasceu em São Paulo (SP), no dia 23 de dezembro de 1953. Depois de ser dispensado dos juvenis da Lusa em 1968. O atacante chegou a trabalhar como entregador de leite e também em outras atividades para ajudar a sua mãe.

Em 1970, participou de uma peneira na Casa Verde e sua atuação encantou o técnico dos juvenis do São Paulo, que imediatamente fez um convite para o então garoto torcedor do Santos.

Sua estréia no elenco de profissionais do tricolor paulista foi promovida pelo técnico Telê Santana, em um amistoso contra o Bahia em 1973.

No mesmo ano, o então jovem “ponta esquerda” Serginho, foi emprestado ao Marília para pegar experiência antes de retornar novamente ao São Paulo em 1974.

Com o passar do tempo, o "tamanduá-bandeira" do futebol, deixou definitivamente a ponta. Ganhou estrutura física e começou a fazer gols de todas as maneiras. Serginho nunca foi habilidoso, tampouco tinha um estilo técnico, mas cabeceava bem, protegia a bola como poucos e finalizava a gol tanto com a perna direita, como com a esquerda. Compensava a falta de habilidade com um senso de colocação invejável. Seu carisma junto aos torcedores e a imprensa era incrível. 

Pelo São Paulo, jogou entre os anos de 1973 e 1982, em um total de 401 partidas, obtendo 210 vitórias, 113 empates, 78 derrotas e anotou 243 gols. Se tornou e é até hoje o maior artilheiro da história do clube do Morumbi.

Também nesse período, Serginho conquistou o campeonato paulista de 1975, 1980 e 1981, além do brasileiro de 1977 e vice em 1981, em um confronto contra o Grêmio no Morumbi.

Era nome certo para a disputa da Copa de 1978 na Argentina, porém perdeu a chance quando teve que cumprir um ano de suspensão por agredir um bandeirinha em uma partida contra o Botafogo em Ribeirão Preto.

Em 1982, foi convocado por Telê Santana para a Copa da Espanha. Ganhou a vaga de titular quando o também centroavante Careca se machucou durante o período de preparação da seleção.

Serginho fez apenas uma razoável copa do mundo. A imprensa esportiva da época afirmava que ele estava “bonzinho demais”. Talvez, por interferência direta do próprio Telê, que era um disciplinador. Muitos diziam que seu lado “brigador”, no bom sentido, fez muita falta durante o Mundial.

Em 1983, já aos 29 anos, Serginho chegou ao seu time de infância - o Santos. No mesmo ano foi artilheiro do brasileirão, quando o Peixe foi o vice-campeão na decisão contra o Flamengo de Zico.

Seginho Chulapa encara o lateral Wladimir na final do paulista de 1984 vencido pelo Peixe.
No ano seguinte, o camisa 9 foi campeão paulista de 1984 com o manto santista, dando fim ao sonho do tri-campeonato do rival SCPP. O gol do título foi marcado pelo próprio Serginho em tarde memorável a Nação Santista, no Morumbi. O irreverente e polêmico atacante santista também foi artilheiro do Campeonato com 16 gols.

Durante sua passagem pelo Peixe, Serginho anotou 104 tentos. Até hoje mantém grande identificação com o Santos, onde trabalhou como técnico e auxiliar em várias oportunidades (era auxiliar de Luxemburgo no último título brasileiro do alvinegro em 2004). 

Em 1985, Serginho foi para o rival SCCP. Naquele ano, o  clube de Parque São Jorge montou um esquadrão. Porém, aquele time não deu “liga” e Serginho acabou saindo pouco tempo depois.


Entre as “bagunças” mais famosas do craque, estão a briga com o zagueiro Mauro do Corinthians, que era um grande companheiro das peladas, principalmente nas épocas de carnaval, sem esquecer o desentendimento com o goleiro Leão, na final do campeonato brasileiro de 1981, contra o Grêmio.

Serginho ainda atuou pelo Marítimo Funchal (Portugal), Atlético Sorocaba, Portuguesa Santista e o São Caetano, onde encerrou a carreira em 1993. 

Eu tive a felicidade quando era junior do Jabaquara, de enfrentar o ídolo, em um dos seus últimos anos de carreira. Fui relacionado para a ficar no banco dos profissionais e entrei durante a partida  - Jabaquara x São Caetano no estádio Espanha em 1992. Com quase 39 anos, a velocidade do jogador já não era a mesma, mas o respeito de todos era imenso.

Vida longa a Chulapa. Tipos como ele fazem muita, mas muita falta mesmo ao futebol, nos dias de hoje.


 

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