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A COPA NÃO SERÁ MAIS A MESMA

Postado às 22h36 desta sexta-feira, 4 de Julho de 2014.
Não, a Copa do Mundo não acabou para o Brasil que ainda pode ser campeão pela sexta vez. Mas a contusão de Neymar que o tirou do mundial, após receber de forma criminosa uma joelhada do colombiano Zuniga e fraturar a terceira vértebra lombar, me deixou muito triste. A previsão é de que o jogador deve levar de quatro a seis semanas para se recuperar.

Apesar da traumática saída do jogador do Glorioso da Vila para o Barcelona em 2013, devemos separar o joio do trigo e confesso que recebi a informação com indignação, revolta e dor no coração.  

Dor estranha porque o maior talento do futebol canarinho não é meu parente, e apesar de eu me dar muito bem com ele, não é meu amigo particular. É meu ídolo (ao lado de Giovanni), mas Neymar é absurdamente conectado a um sentimento de gratidão que guardo comigo, em tê-lo visto nascer para o futebol, crescer, amadurecer, dar as maiores alegrias futebolísticas ao meu único filho e saber o quanto ele desejava esta Copa. 

Tenho absoluta certeza que grande parte da torcida do Santos tem o mesmo carinho que eu tenho por Neymar, o grande responsável em cuspir um complexo de vira-latas que devastava milhões de alvinegros. Principalmente aqueles que viveram e sofreram durante os anos 80 e 90 apenas para amar o clube, nada mais. 

O Santos, o embaixador do mundo, apenas relembrava as conquistas do passado da Era Pelé. Éramos predestinados a perder, a ouvir outros hinos de clubes nos finais dos campeonatos, a amar simplesmente porque amávamos, nada mais além disso. Vivíamos de momentos pontuais, que quando o Peixe vencia os clássicos contra os rivais eram verdadeiras taças. 

Mas como na Vila Belmiro o raio cai mais de uma vez, a natureza trouxe Neymar, que se tornaria um símbolo, um ídolo, uma mudança. Por isso, a dor deste jovem de 22 anos que não vai poder entrar em campo na próxima terça-feira (8), no Mineirão, pelas semifinais da competição, é minha também. 

A saída do principal jogador brasileiro não é somente no aspecto técnico. Neymar era o legitimo representante do torcedor santista, mesmo não atuando mais com o manto branco há mais de um ano. É de embargar, de sentir um nó na garganta, desde o momento do anúncio da lesão pelo médico da Seleção Brasileira, Dr. Rodrigo Lasmar. 

Ídolos não se perdem, eles ficam, se tornam inesquecíveis, e Neymar é justamente isso. Nada, nem ninguém vai apagar uma das mais belas páginas da história do Santos. 

O homem que devolveu a hegemonia futebolística a quem de fato merecia, que fez o santista comemorar uma Taça Libertadores da América que não se via há quase 50 anos, não merecia ter um final triste em seu primeiro mundial de Seleções. 

Nesse momento Neymar, a maioria absoluta dos santistas e da Nação brasileira queria te dar todos os abraços possíveis e imagináveis para lhe agradecer e te confortar nesse momento tão difícil. Contigo, o torcedor alvinegro recuperou a honra, a auto-estima e redescobriu como é tão bom voltar a vencer.

Pra finalizar, vou compartilhar uma frase do meu amigo e companheiro de blog - Felipe Takashi: "Futebol não é só bola".

A Copa continua, mas não é mais a mesma sem o brilho, o talento, o sorriso do eterno camisa 11 santista e 10 do Brasil. Até a alegria se entristeceu.

Desculpem-me se para alguns possa parecer exagero da minha parte, mas o meu sentimento é de luto e mesmo que o Brasil vença a competição, algo que ficou muito mais difícil sem Neymar, não terá o mesmo gosto.

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