ONDE HÁ NEYMAR, HÁ ESPERANÇA

Publicado às 02:00 desta sexta-feira, 09 de outubro de 2026


(*) Pedro La Rocca

Santos de Neymar e companhia bate, neste exato dia, dois meses sem sentir o sabor de uma derrota no Campeonato Brasileiro. Com o empate em 2x2 contra o Flamengo, na Vila, o Peixe chegou a oito jogos invicto no certame nacional. Neymar marcou duas vezes para o Alvinegro, enquanto Danilo e Paquetá marcaram para o rubro-negro.

Cuca mudou três peças após a viória de virada no clássico contra o São Paulo. Gustavinho na vaga do lesionado Arthur. Cebolinha fora por força contratual deu vaga a Coutinho. Bontempo voltou da Seleção e de suspensão no lugar de Lima.

Cuca tentou fazer basicamente o que deu certo na vitória sobre o Cruzeiro, há três partidas. Linha de três com Veríssimo, Arão e Gustavinho, Rodinei e Escobar abertos, outros quatro homens no meio e Gabigol avançado. Não estava dando certo e rapidamente trocou.

Isso porque o Flamengo chegou a bater 70% de posse de bola no primeiro tempo e só não abriu o placar antes, porque Diógenes vivia outra noite inspiradíssima. Porém o 2x0, apesar de ser sofrido em seis minutos, era o justo naquele momento.

O estilo individual de perseguição na marcação adotada por Cuca é interessante na minha visão, porém precisa da engrenagem inteira dando certo, um erro sequer e o adversário ganha muito espaço. Tudo que um time da qualidade e da movimentação do Flamengo estava precisando.

Mas no segundo tempo tudo mudou. Onde há Neymar, há esperança. Santos praticamente inverteu a % de posse de bola e tinha o controle das ações. 

Também num intervalo de seis minutos, Neymar empatou o jogo mostrando o porque é o melhor batedor de pênaltis do planeta. Muita qualidade em ambas batidas, sem contar a jogada ensaiada que ele iniciou para Gabriel sofer a segunda penalidade.

Inversamente proporcional à atuação do craque, Daronco também foi o cara do jogo - mas negativamente falando. O árbitro, que adora se encostar no VAR, precisou de 10 minutos para perceber que o primeiro pênalti era indiscutível. Junto com o dono do vídeo - Rodolpho Toski Marques.

Espero que a gestão que venha pela frente tenha a hombridade e a coragem de impor à CBF, a restrição em escalar este profissional em jogos do Santos.

Não foi apenas pela força que ele fez para não dar a primeira penalidade. Royal fez hora extra sem cartão, Pulgar idem. Neymar tomou amarelo por reclamação de um lance que ele tinha razão. 

Mas voltando ao Príncipe da Vila. Mesmo sem ritmo de jogo, foi ele o grande responsável pelo Flamengo abaixar suas linhas de marcação. Deu caneta em Paquetá, estava leve para driblar e ao mesmo tempo forte nas divididas corpo a corpo.

Se não for à Belo Horizonte pegar o Galo, pelo gramado sintético, que volte bem para ser titular diante do Fluminense.

FICHA TÉCNICA
SANTOS 2 X 2 FLAMENGO

Competição: Campeonato Brasileiro, 29ª rodada
Local: Vila Belmiro, em Santos (SP)
Árbitro: Anderson Daronco (RS)
Cartões amarelos: Escobar, Gustavo Henrique, Neymar, Christian Oliva e Barreal (SAN) e Pedro, Emerson Royal, Bruno Henrique e Lucas Paquetá (FLA)
Cartões vermelhos: Jorginho (FLA)

Gols: Danilo, aos 43’/1ºT (0-1), Lucas Paqueta, aos 48’/1ºT (02), Neymar, aos 36’/2ºT (1-2), aos 42’/2ºT (2-2)

SANTOS: Diógenes; Rodinei, Lucas Veríssimo, Willian Arão e Escobar (Luan Peres, aos 23’/2ºT); Gustavo Henrique (Rollheiser, aos 20’/2ºT), Christian Oliva e Philippe Coutinho (Neymar, no intervalo); Gabriel Bontempo, Barreal (Rony, no intervalo) e Gabriel Barbosa. 

Técnico: Cuca.

FLAMENGO: Rossi; Emerson Royal, Danilo, Léo Pereira e Alex Sandro; Pulgar, Jorginho e Paquetá (Saul, aos 23’/2ºT); Carrascal (Plata, aos 23’/2ºT), Pedro (Bruno Henrique, aos 35’/2ºT) e Samuel Lino (Luiz Araújo, aos 35’/2ºT). 

Técnico: Leonardo Jardim.

Gabriel passou em branco após três jogos seguidos marcando
NOTAS DOS JOGADORES DO SANTOS 

Diógenes - Um dos grandes reponsáveis pelo ponto que o Peixe leva da Vila. Fez pelo menos três maravilhosas defesas. - 7,0

Rodinei - Outra vez demonstrou muita força no apoio, mas pecou muito nas tomadas de decisão. Foram dois contra-ataques desperdiçados pelo camisa 23. - 5,5

Veríssimo - Teve a árdua missão de parar o camisa nove de mais qualidade no Brasil. Individualmente conseguiu. - 6,5

Arão - Teve a sobrecarga muitas vezes de cobrir o Escobar. Quando fez apenas a sua, não comprometeu. - 6,0

Escobar - Falha ao não fazer a cobertura em Danilo no primeiro gol. - 4,5

Oliva - Enquanto Gustavinho fechava o corredor direito ficou sobrecarregado. Subiu demais de produção quando Cuca reforçou o meio-campo. - 6,5

Gustavinho - Mais uma vez se sobressaiu nos desarmes, mas falha no segundo gol ao deixar Paquetá subir sozinho. - 5,5

Bontempo - A partir do minuto 30 começou a demonstrar seu futebol, antes parecia sem confiança por ter sentido a perna pesar no aquecimento. Carregou o piano, era o responsável por puxar os contra-ataques. - 6,5

Barreal - Discreto ofensivamente. Na parte defensiva, Royal estava sempre chegando a frente do argentino. - 4,5

Coutinho - No segundo terço não tenho uma vírgula negativa para dizer, mas faltou aquele último passe ou qualidade da finalização. - 6,0

Gabigol - Sua função é fazer gols, mas ao enfrentar um time como o Flamengo, precisa fazer uma pressão mínima nos zagueiros. Danilo acertou a trave inicialmente, depois marcou. Camisa nove o deixou partir livre nas duas oportunidades. Inteligentemente sofreu o pênalti do segundo gol. - 5,5

Neymar - Fez o melhor time da América baixar as linhas. Deu caneta, sofreu falta perigosa, iniciou a jogada do gol de empate e bateu ambos pênaltis de forma magistral, como sempre. - 8,0

Rony - Nada é tão Rony quanto dizer: pecou demais tecnicamente, mas não dá para falar de um cara com tamanha vontade, que fez Jorginho cometer pênalti e ser expulso. - 5,5

Rollheiser - Oscilou demais nos 24 minutos em campo, mas coletivamente deu equilíbrio ao time. - 6,0

Luan Peres - Mais qualidade que o Escobar e maior capacidade de marcação mano a mano. Flamengo deixou de criar pelo seu lado direito do ataque após a entrada do camisa 14. - 6,0

(*) Pedro La Rocca - Estudante de jornalismo, repórter na Energia 97FM.

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