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GRATIDÃO E LIÇÃO DE VIDA

Publicado às 17h deste domingo, 26 de abril de 2020.
Que o Santos é um celeiro de revelações de jogadores ao longo de sua centenária história é fato. Mas poucos sabem que a 'terra dos rayos' também é prodiga na recuperação de profissionais que não tem o rótulo de 'Meninos da Vila'. Um desses casos é o do zagueiro Betão, que atuou em apenas um semestre na Vila, no longínquo ano de 2008 e vindo do rival Corinthians.

Na tarde deste domingo (26), o defensor que no momento atua pelo Avaí-SC, realizou ima 'live' em uma rede social, por quase três horas e contou sobre sua trajetória de 19 anos como jogador profissional. Segundo o atleta sua carreira sempre foi feita de desafios, erros, acertos, aprendizados e principalmente superações. Mais que uma história de conquista, Betão é um exemplo, uma lição de vida.

Revelado no rival Corinthians, o jogador teve a alegria de ser capitão do time do coração aos 21 anos, onde foi campeão brasileiro em 2005 e, dois anos depois, sentiu a dissabor do rebaixamento para série B do Brasileiro. Foi nesse instante que o Santos entrou em sua vida e o jogador não esconde a gratidão que tem pelo clube da Vila Belmiro.
"Quando caímos para segunda divisão eu optei em sair do Corinthians. Não tinha propostas de outros clubes, mas fiz essa escolha. O Ándres (Sánchez) achou até que eu tinha assinado um pré-contrato com o São Paulo, mas não tinha nada. Os clubes começaram a se apresentar no começo do ano seguinte e comigo nada. Nesse período, o Leão me ligou e perguntou se eu queria jogar no Santos e eu comigo, quem não gostaria de vestir essa camisa?  Meu coração acelerou e em dois dias, acertei tudo e desci a Serra." relembrou.
Pelo fato de vir do maior rival, a contratação não foi bem digerida pela torcida santista, logo de imediato. Foi mais uma superação ao jogador que fala mais de cinco línguas diferente, sem nunca ter frequentado um curso com essa finalidade. O zagueiro aprendeu tudo, somente com as experiências de ter jogado fora do país e foi o Santos quem abriu as portas para o experiente jogador ir para o exterior.
"Antes de eu chegar na Vila, os muros do CT Rei Pelé, não eram como hoje pintados com as fotos dos ídolos. Eram todos brancos. Depois que cheguei a baixada picharam 'Fora, Betão'.  Pensei, meu Deus, 'para onde eu estou indo? Que loucura!' Era outro momento, mais um que eu tinha de superar e superei" contou. 
O jogador contou que a Torcida Jovem gritava seu nome, mas outras organizadas, não.  
 "A gente entrava no gramado da Vila e as torcidas iam gritando os nomes, mas quando chegava no meu a Torcida Jovem que me recebeu muito bem gritava o meu, uma outra torcida que não me recordo qual agora qual era, não. Mas graças a Deus foi por pouco tempo." disse seguido de um sorriso.
Betão com a camisa 6 do Santos
Veio o clássico diante do seu ex-clube. Se alguém tinha dúvida se ele ia 'pipocar', o zagueiro que sempre conquistou o respeito e admiração dos torcedores, por onde passou, colecionava o carinho de mais uma torcida, a do Peixe. O alvinegro praiano venceu por 2 a 1. Um dos gols foi de Sebastian Pinto, o outro de Kléber Pereira, porém, o atacante adversário Herrera, tentou folgar para cima de Betão.  O xerife que mais jogou como ala direita do que beque na Vila, não deixou barato e deu uma chegada no gringo corintiano, mas acabou sendo expulso. Ao ir para o vestiário foi ovacionado pelo torcedor do time da casa com o estádio inteiro gritando seu nome:
"Eu vivi seis meses no Santos que pareceram 10 anos, tamanho o carinho que recebi. Consegui driblar a desconfiança. Agradeço o Leão e ao presidente Marcelo Teixeira que compraram essa briga. Assinei contrato de três anos, em uma cidade maravilhosa e com seis meses de clube chegou uma proposta do Dínamo de Kiev. Foi um ótimo negócio para o Santos. Cheguei quase que de graça e ainda deixei dinheiro para o clube." afirmou Betão.
Apesar de não ter conquistado título com o alvinegro da Vila, Betão disse que tem um em especial. O elogio do Atleta do Século - Pelé:
"Enfrentamos o América do México em um mata-mata de Libertadores e precisávamos vencer por dois gols. Acho que ganhamos por 1 a 0 e não fomos as semifinais. Desci triste para o vestiário da Vila e não sabia que o Pelé estava assistindo o jogo no Estádio e o Rei, em uma emissora de rádio, disse que eu tinha sido eleito o melhor em campo. Isso eu carrego como um troféu" garantiu.
Betão há alguns anos defende o Avaí de Santa Catarina
Sobre o que significou os seis meses de Santos na sua vida, o jogador não poupa elogios.
"O Santos abriu as portas no momento mais difícil da minha carreira. Apostaram no meu futebol. Na cidade de Santos, eu e minha esposa pudemos ser felizes" elogiou o grato jogador.
Já quase no fim da 'live'. o veterano de 35 anos deixou um recado aos mais jovens:
"Tenham uma boa conduta, seja profissional que lá na frente vai te valer muita coisa. O que você planta no passado, um dia você vai colher." finalizou.
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