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FORA DA DECISÃO APÓS NOVE ANOS

Publicado às 10h30 desta terça-feira, 11 de abril de 2017
Após nove anos, o Campeonato Paulista não terá o Santos na decisão. Na noite desta segunda-feira (10), para um Pacaembu com mais de 37 mil presentes (33 mil pagantes), o Santos venceu pela primeira vez na temporada, um clube da série A - a Ponte Preta, por 1 a 0, no tempo normal, entretanto, foi eliminado na decisão por pênaltis por 5 a 4 e com isso, o clube de Campinas é quem vai a semifinal enfrentar o Palmeiras, à partir do próximo final de semana.

A última decisão de Paulistão sem o Santos, aconteceu no longínquo ano de 2008. O Peixe foi tri-campeão em 2010, 2011 e 2012 e bi-campeão em 2015 e 2016, além dos vices em 2009, 2013 e 2014.

O jogo começou com a Macaca recuada, como já era de se esperar. Buscava dar a bola ao Santos para proporcionar o erro ao time que mandava o jogo no próprio da municipalidade paulistana. 

E o alvinegro praiano, ainda na primeira etapa, chegou ao gol depois de uma bola parada. David Braz que costuma marcar muitos gols no Pacaembu, fez o seu sexto, mandou no ângulo de Aranha. Santos 1-0. Faltava apenas mais um para carimbar a classificação.

No segundo tempo, o time da Vila não conseguiu oferecer tanto perigo, parava na retranca do time visiitante, porém, teve a melhor chance com o ala Zeca, mas a bola bateu caprichosamente na trave esquerda do goleiro da equipe campineira. O Santos dominava os espaços, mas não conseguia agredir como nos primeiros 45 minutos, onde poderia ter matado o duelo. 

Veio o drama dos pênaltis e o herói da partida - David Braz, perdeu a segunda cobrança. Os jogadores da Ponte Preta converteram todas e eliminação precoce aconteceu.

Não vou entrar nem no mérito do pênalti não assinalado pela arbitragem em cima de Bruno Henrique que foi empurrado dentro da área. A superioridade na folha salarial (tenho de ser coerente, quando o Santos foi vice-campeão com a folha 10 vezes menor do que a do rebaixado Inter eu citei a favor, agora não posso deixar de citar porque é contra) para o adversário é absurda, que não dá para colocar "na conta" desse erro, a eliminação.

Penso da seguinte forma, não dá para aceitar passivamente a desclassificação na "loteria" da decisão por Pênaltis. A Ponte Preta pode até ser campeã, algo que eu particularmente, não acredito, mas não dá pra achar normal que um time da qualidade técnica do Santos seja eliminada pela equipe do interior. Infinitamente, o Peixe é tecnicamente melhor. A alvinegra campineira vai lutar para não cair no Brasileiro. Além disso, o estadual do Santos foi muito abaixo da expectativa. Três derrotas nos clássicos, a classificação que só aconteceu nas últimas rodadas da primeira fase, a eliminação no primeiro mata-mata com uma apresentação irreconhecível no jogo de ida. 

Depois de um 2016 interessante, com o vice-campeonato nacional e a chegada de contratações que enriqueceram o elenco, esperava-se uma melhor performance já no primeiro semestre.

Por fim, no aspecto técnico, creio que se perdeu uma grande oportunidade de dar ritmo e cancha a uma variação diferente entre os suplentes. Um dos exemplos, o atacante Arthur tem um estilo agressivo, demonstrou isso nas primeiras rodadas, quando teve alguma chances. Ele poderia ser mais usado, mas essa é uma questão da comissão técnica que conhece o elenco bem mais que eu, mas eu entendo que o campeonato estadual também serve para isso, dar experiência aos mais jovens, para que eles possam ter mais rodagem em campeonatos teoricamente mais complexos.  

Sem esquecer da desclassificação, o foco efetivamente é esse e o principal, o Santos está na Libertadores da América, onde não permite mais apresentações oscilantes, ou seja, o time precisa encaixar de vez e seguir continuamente com partidas convincentes, onde retome a confiança e mantenha a competitividade diante de adversários de quilate maior; clamo para que acabe de vez também com este desentendimento surreal, sem fim, entre santistas da capital e da baixada. 

Como bem disse-me o presidente da Associação "Família 1912" - Rodrigo Fidalgo, o time que vai a campo, onde quer que seja, é o do Santos, com os torcedores tanto da capital como baixada e outros locais do país. Que de agora em diante, tanto para Libertadores, como em breve para o Brasileiro, os simpatizantes da instituição sigam com este único objetivo, o bem do clube. O Torcedor que compareceu ao Pacaembu ontem, deu um show e está de parabéns, mas chega de comparações. Juntos somos um só e mais fortes, seja onde for.

O Santos só volta a campo, dia 19, diante do Independente Santa Fé, na Colômbia em jogo duríssimo. O time terá oito dias para poder se preparar. A delegação embarca na próxima segunda-feira (17). 

FICHA TÉCNICA
SANTOS 1(4) X (5)0 PONTE PRETA
Local: Estádio do Pacaembu 
Árbitro: Rafael Gomes Felix da Silva 
Público/renda: 33.162 pagantes/R$ 1.515.650,00
Cartões amarelos: Victor Ferraz e Vitor Bueno (SAN), William Pottker, Reynaldo e Clayson (PON)
Gols: David Braz (15'/1ºT) (1-0)
SANTOS: Vanderlei; Victor Ferraz, Lucas Verissimo, David Braz e Zeca; Renato, Thiago Maia e Lucas Lima; Vitor Bueno (Jean Mota, aos 39'/2ºT), Bruno Henrique (Copete, aos 29'/2ºT) e Ricardo Oliveira (Kayke, aos 21'/2ºT). Técnico: Dorival Junior.
PONTE PRETA: Aranha; Nino Paraíba (Jeferson, aos 37'/1º), Marllon, Yago e Reynaldo; Elton, Wendel (Naldo, aos 28'/2ºT) e Jadson; Clayson, Lucca (Ravanelli, no intervalo) e William Pottker. Técnico: Gilson Kleina.

Torcida do Santos fez a sua parte e compareceu em grande número ao Pacaembu.

NOTAS DOS JOGADORES DO SANTOS
Vanderlei: Pouco participou em razão da ausência da Ponte Preta no contra-ataque. Não conseguiu defender nenhuma cobrança nas penalidades máximas. - 5,5
Victor Ferraz: Quase não jogou. Estava com virose e pediu para atuar ao treinador no vestiário do Pacaembu. Apoiou, mas não conseguir dar nenhuma assistência. - 6,5 
Lucas Veríssimo: Bela assistência no gol de David Bráz. Perdeu uma bola no começo da partida, mas fez um jogo bastante seguro. - 6,5
David Braz: Foi de herói a Vilão. Um voleio lindo no gol do jogo e a perda do pênalti na segunda cobrança. Era o único jogador do elenco que treinou com Aranha, quando o goleiro passou pelo Santos, logo, o camisa 1 da Macaca certamente sabia qual era o seu canto preferido na cobrança. - 6,5
Zeca: Jogou com vontade, se atrapalhou em alguns lances e colocou uma bola na trave de Aranha. - 6,5
Renato: Roubou algumas bolas, perdeu outras, o que não é muito do seu costume, em razão da sua classe refinada. - 6,0
Thiago Maia: Bem nas roubadas, entretanto, não apareceu a frente da área como homem surpresa, como as vezes acontece. - 6,5
Lucas Lima: Bem marcado, procurou jogo, principalmente no primeiro tempo. - 7,0
Vitor Bueno: Quando não dá na técnica, vai na vontade e isso o camisa 7 demonstrou. - 6,5
(Jean Mota): Jogou pouco. Bateu bem a sua cobrança de pênalti. - 6,0
Bruno Henrique: O melhor do time. Sua velocidade era a única que conseguia envolver os defensores do time de Campinas. Levou uma pancada na planta do pé e pediu para sair. No gol de Braz, deu o primeiro passe de cabeça para dentro da área - 7,5
(Copete): A vontade costumeira, mas nada tecnicamente que tenha mudado o panorama do jogo. - 6,0
Ricardo Oliveira: Um bom chute aos dois minutos de jogo. Depois ficou meio isolado entre os defensores. Segundo o treinador, durante entrevista coletiva, pediu para sair. - 6,0
(Kayke): Ficou 27 minutos em campo (contando os acréscimos) e não teve oportunidade para finalizar. - 5,5 
Técnico: Dorival Junior: Conseguiu fazer o time jogar na primeira etapa, mesmo com a marcação forte da Ponte, característica de times treinados por Gilson Kleina. Na segunda etapa (como escrevi acima) poderia ter usado ao colocar alguém mais agressivo na frente como o menino Arthur. - 6,0 


 

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