PARA RESSUSCITAR A AUTOESTIMA

Publicado às 21:42 deste domingo, 16 de agosto de 2026
(*) Pedro La Rocca

Nem o Santista do mais otimista acreditava numa vitória como essa. Superar o Vasco por 3x0, dentro de São Januário, é para resgatar uma autoestima de um torcedor muito machucado nos últimos cinco anos. Gabigol abriu o placar. Depois Arão e Luan Peres liquidaram a fatura. O triunfo foi apenas o primeiro do Alvinegro longe de casa pelo Brasileirão.

Cuca tinha uma série de problemas para escalar o 11 inicial. Os "Gabriéis", Menino e Bontempo, foram cortados pelas lesões sofridas ainda no primeiro contra o Macará. Igor Vinicius, mesmo não 100% recuperado de lombalgia, e Caballero foram os escolhidos para o time titular.

Time completamente montado para o contra-ataque.

Nos primeiros 15 minutos a equipe mandante chegou a ter uma posse de bola superior aos 80% e o Peixe não conseguia trocar três passes em seu meio campo para a bola chegar em Neymar. 

Pelos lados, Andrés Gomez e Colidio deram uma dificuldade imensa para Escobar e Igor Vinicius.

A partir daquela minutagem que citei, o Santos criou sua primeira chance. Barreal aproveitou erro de Robert Renan e deixou Gabigol na cara de Léo Jardim. O camisa nove perdeu o gol com a perna direita.

Já nos acréscimos da primeira etapa, o centroavante voltou a desperdiçar nova chance, dessa vez de cabeça.

Naquela altura, o Peixe já havia quase igualado na posse de bola e tinha a bola no chão, mas dava o contra-ataque ao Vasco. Os cariocas também perderam grandes chances, inclusive dentro da pequena área de Brazão.

A volta para o segundo tempo foi praticamente um replay do primeiro. O Vasco desperdiçou uma grande chance com Robert Renan, sem goleiro, e outra com Tchê Tchê quase pisando a pequena área. Cuca ligou o alerta de que precisava mudar.

Rony, Rollheiser e Gustavinho foram acionados. Naquele momento o time, mesmo pensando em contra-atacar, viu no argentino a possibilidade de colocar a bola no chão. 

Do pé de Rony e da cabeça de Rollheiser saiu a jogada que deixou Gabigol pela terceira vez em condições de finalizar. De esquerda não perdoa.

O Vasco também mudou, mas mudou errado. Tirou toda força que vinha tendo pelos lados, para colocar força pelo meio. Tudo que o SFC precisava, já que Gustavinho também entrou muito bem para proteger aquela região.

Do minuto 76 ao 80 foi o suficiente para o Peixe matar o jogo. Duas bolas paradas. Duas vezes Neymar. Um gol para cada zagueiro. Luan e Arão aproveitaram falhas de Léo Jardim para decretar a vitória mais importante do ano.

Mais importante pelo confronto direito. Mais importante pelo clima criado pelos cariocas antes da partida. Mais importante por ter sido a primeira vitória do time fora de casa no Brasileiro. Mais importante por ver Cuca aproveitando todos os reservas da melhor maneira possível.

O Santista viu de tudo nos últimos cinco anos. Do diretor errar nome de jogador ao advogado trocando nome de atleta em julgamento. Então esse torcedor, mais do que qualquer um hoje, merece comemorar essa vitória.

A grande meta do clube na temporada é alcançar a permanência na elite, mas chegar no final do mês quando pega o Palmeiras pela Copa do Brasil, longe da zona, dará um conforto enorme para o time focar nessa competição.

FICHA TÉCNICA
VASCO 0 X 3 SANTOS

Competição: Brasileirão, 23ª rodada
Local: São Januário, Rio de Janeiro
Árbitro: Lucas Casagrande (PR)
Cartões amarelos: Robert Renan, Paulo Henrique (Vasco)

GOLS: Gabigol (1 x 0), aos 22, Willian Arão (2 x 0), aos 32 e Luan Peres (3 x 0), aos 36 minutos do 2º tempo

SANTOS: Gabriel Brazão; Igor Vinícius, Willian Arão, Luan Peres e Escobar; João Schmidt (Ananias), Christian Oliva (Gustavo Henrique), Barreal (Rony) e Neymar; Caballero (Rollheiser) e Gabriel Barbosa (Thaciano). 

Técnico: Cuca

VASCO: Léo Jardim; Paulo Henrique, Cuesta, Robert Renan, Lucas Piton (Puma Rodríguez); Thiago Mendes, Jair (Sosa), Tchê Tchê (Nuno Moreira); Andrés Gómez , Spinelli (Hinestroza) e Colidio (David). 

Técnico: Pedro Emanuel

Neymar participou diretamente de dois gols do Santos
NOTAS DOS JOGADORES DO SANTOS

Brazão - Acionado uma vez em cada tempo e correspondeu grandiosamente. Além disso, puxou dois contra-ataques em bolas longas, mostrando evolução na saída de bola. - 7,0

Igor Vinicius - Sofreu demais com Colidio no primeiro tempo. Era naquela região que o adversário criava suas melhores chances. Porém, fez um grande segundo tempo, foi muito auxiliado pela entrada de Rollheiser e aproximações de Neymar, melhorando também tecnicamente. Jogou no sacrifício, ainda não recuperado de uma lombalgia. - 6,5

Arão - Até agora fez duas partidas corretíssimas como zagueiro. O fato do time jogar com linhas baixas ajuda muito. Fez nove cortes e mais uma vez teve um aproveitamento alto em passes e principalmente bolas longas. Sem contar o gol marcado. - 7,5

Luan Peres - Também teve grande tarde no RJ. Cortou 12 bolas, fez boas coberturas nas costas de Escobar. Grande oportunismo no terceiro gol. - 7,0

Escobar - Tomou um calor enorme de Andrés Gomez no primeiro tempo e se segurou, mas depois das trocas do adversário ficou seguro. Abaixo outra vez nos passes. - 6,0

Oliva - Era um alento de velocidade num meio-campo lento do SFC e que tinha inferioridade numérica. - 6,5

Schmidt - Fez um primeiro tempo muito abaixo, errando mais uma vez muitos passes que não está acostumado e ainda levou muitos ataques nas costas. Melhorou e muito na segunda etapa, mais lúcido e menos afoito. - 6,5

Barreal - Importante para bloquear as subidas do bom apoiador Paulo Henrique. Deu o passe para Gabigol perder as grandes chances do primeiro tempo. - 6,5

Caballero - Escalado para puxar contra-ataques, mas estava muito preocupado com Piton, lateral que aproveitou muitas vezes o espaço deixado pelo paraguaio. - 6,0

Neymar - Teve um primeiro tempo apagado pelas dificuldades do time em colocar a bola no chão. Ficou mais participativo na segunda etapa, participando efetiva e diretamente dos dois gols dos zagueiros. - 7,5

Gabigol - Tem dificuldade pelo alto e com a direita, mas a esquerda é fatal. - 7,5

Rony - Iniciou a jogada do primeiro gol, achando Rollheiser no meio-campo. Depois correu demais para ajudar Escobar. - 6,5

Rollheiser - Melhor em campo. Além do passe para o gol de Gabriel, foi responsável pelo time abandonar o chutão e colocar a bola no chão. - 8,0

Gustavinho - Mesmo voltando de lesão muscular, não deixou faltar velocidade. Ajudou muito Igor Vinicius pelo lado. - 6,5

Thaciano - SEM NOTA

Ananias - SEM NOTA

(*) Pedro La Rocca - Estudante de jornalismo, repórter na Energia 97FM.

0 Comentários

BAIXE O MEU APLICATIVO

Acesse o Quentinhas do Quintino e fique sabendo tudo sobre o Peixe em tempo real.