FOTO CAPA

FALTOU OUSADIA E ADVERSÁRIO ABRIU CINCO PONTOS

Adicionar legenda
O Santos sofreu sua quarta derrota no Campeonato Brasileiro. O time de Sampaoli até encarou o melhor time do futebol deste país, o Flamengo, na tarde deste sábado (14), no estádio do Maracanã. O Peixe até agiu com inteligência e concentração, que faltou em diversos momentos do terço final do turno, mas não foi o suficiente. A equipe do argentino que comanda o alvinegro, chutou seis vezes a meta de Diego Alves e nenhuma ao gol. O adversário finalizou quatorze vezes com apenas duas em direção da trave defendida por Everson, porém, uma entrou, a do ex-santista Gabriel Barbosa. 

O resultado de 1 a 0, deu o título simbólico do primeiro turno aos cariocas que atingiram 42 pontos contra 37 do Peixe, que perdeu inclusive a vice-liderança para o Palmeiras que tem 38 com a vitória dos paulistas sobre o Cruzeiro-MG.

Sampaoli surpreendeu na escalação. Sacou Aguilar e colocou um defensor canhoto como ala-esquerdo. O ex-ponte-pretano Luan Peres estreou improvisado pelo setor. Sem Pituca, suspenso, Alison ganhou nova oportunidade no time titular. Jorge que estava na Seleção de TIte foi para o meio-campo, onde produziu bem menos.

O Flamengo dominava as ações, mas o Peixe contra-atacava bem, principalmente com Marinho que começou melhor que Filipe Luíz pela direita do ataque. 

Entretanto, errar contra um time recheado de jogadores do quilate dos flamenguistas que contratou oito novos titulares é fatal. Sasha errou o passe, Éverton Ribeiro lançou nas costas de Luan Peres, que não estava no setor. Gabriel Barbosa, em estado de graça, percebeu Evérson adiantado e mesmo pressionado por Gustavo Henrique, finalizou com precisão e marcou o único gol do jogo. Foi um pecado pelo bom primeiro tempo santista, apesar de pouco perigo oferecido aos mandantes da partida.

Veio a segunda etapa e pouco ímpeto santista, apesar do bom volume, mesmo com pouca posse de bola. Pituca fez muita falta, mas quando Sampaoli olhou para o banco e colocou Uribe e Cueva, as minhas esperanças, particularmente e o meu 'tesão' foram embora. 

Como o tio Sampa não utiliza um minuto sequer algum jogador da base e acrescenta-se o volante Jóbson, neste patamar, porque o comandante não pediu, as peças de reposição ficaram bem diminuídas e juntos com ela, qualquer esperança de mudança do panorama da partida.

A estratégia não foi errada. Os erros individuais num mesmo lance e a qualidade na finalização do adversário decretaram a derrota, mas numa análise mais ampla, venceu o time melhor individualmente e com boas peças de reposição.

O Santos não fez feio. O Peixe ofereceu dificuldade na saída de bola flamenguista, algo que o time de Jorge de Jesus não está acostumado, entretanto, faltou agredir, faltou jogadores mais decisivos, como era Robinho, por exemplo, entre outros. 

Uma derrota nunca é aceitável, porém, perder pela diferença mínima para o melhor time do campeonato, eu creio que esteja no prognóstico de qualquer treinador. 

O que não dá para aceitar passivamente são os empates diante de Fortaleza e reservas do Athlético Paranaense, na Vila Belmiro e as derrotas, principalmente pela maneira como aconteceram para São Paulo e Cruzeiro. 

A diferença que ficou enorme, poderia ser bem menor ou nem existir, se esses resultados supracitados fossem melhores. Mas verdade seja dita, apesar da filosofia ofensiva, faltou bola para o Peixe em alguns instantes da competição.

O título ainda é possível, mas eu vou ser objetivo na minha convicção, com jogos voltando a ser quarta e domingo, as equipes polarizadas em uma única competição, o alvinegro que durante 60 dias, só jogou fim de semana, datas FIFA onde ficará sem muito dos estrangeiros, o Glorioso praiano terá mais dificuldades para recuperar o ruim final de primeira metade do campeonato. Dos últimos 18 pontos (seis jogos),  O Santos só venceu uma vez e conquistou apenas cinco pontos.

Em conversa com um scout profissional, no fim da noite peguei os seguintes números com ele: O Flamengo, líder do torneio tem 15% de aproveitamento de suas finalizações, ou seja, a cada sete tentativas e meia marca um gol, já o Santos, mesmo com três atacantes, terminou o primeiro turno com 10% de aproveitamento, ou seja, precisa de 10 conclusões para marcar um gol. Como o alvinegro da Vila chutou seis vezes no Maracanã, nenhuma em direção ao gol, tornou difícil a igualdade.

No próximo sábado (21), às 21h, no Estádio Urbano Caldeira, o Peixe estreia no returno, diante do Grêmio-RS. Para este compromisso, Gustavo Henrique, suspenso fica de fora. Pituca, Pará e talvez Evandro, podem ficar à disposição de Sampaoli.

O Peixe, não fez feio, mas em momento algum deu a impressão que marcaria o gol de abertura da partida para ter o contra-ataque e obrigar o time da Gávea a dar mais espaços.

FICHA TÉCNICA
FLAMENGO 1 X 0 SANTOS
Estádio: Maracanã - Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Braulio da Silva Machado (Fifa/SC) 
Público e renda: 62.510 pagantes/ 68.243 presentes e R$ 3.328.050,95
Cartões Amarelos: Bruno Henrique, Gabriel Barbosa, Jorge Jesus (FLA); Gustavo Henrique, Lucas Veríssimo, Marinho, Cueva e Jorge Sampaoli (SFC)
GOL: Gabriel Barbosa 43’/2ºT (1-0)
FLAMENGO: Diego Alves; Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís (Renê, 45’/2ºT);Willian Arão, Gerson, Arrascaeta (Berrío 38’/2ºT) e Everton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabriel Barbosa. Técnico: Jorge Jesus
SANTOS: Everson; Victor Ferraz, Lucas Veríssimo, Gustavo Henrique, (Uribe, 19’/2ºT) e Luan Peres; Alison, Sánchez (Felipe Jonathan, 31’/2ºT) e Jorge; Soteldo, Sasha (Cueva, 24’/2ºT) e Marinho. Técnico: Jorge Sampaoli

Jorge voltou da Seleção e atuando improvisado no meio-campo, foi o jogador santista que menos rendeu.

NOTAS DOS JOGADORES DO SANTOS
Everson: Levou o gol por estar adiantado, mas é um característica do goleiro e segundo o treinador, ele é o titular, exatamente por isso. - 5,0
Victor Ferraz: Não apoiou tanto por dentro como sempre fez, porém, não comprometeu na marcação diante dos veloz Bruno Henrique. Só em um lance dentro da área foi batido com certa facilidade. - 5,5
Lucas Veríssimo: O melhor da defesa. Só faltou concentração no fim da partida, em um lance de Everton Ribeiro. - 6,5
Gustavo Henrique: Levou o amarelo cedo demais e não podia ir mais forte nas jogadas. Bem posicionado, não comprometeu. - 6,0
Luan Peres: Confesso que temi, apesar de ter acompanhado bastante o defensor na Ponte Preta e o achar bastante seguro, Mas nessa função, improvisado (e eu sou contra improvisações exceto em necessidades extremistas), fiquei inseguro, quando vi ele na linha de quatro defensiva, entretanto, não comprometeu e executou bem a função defensiva. Levou a bola nas costas, no momento do único gol no lançamento de Everton Ribeiro. Bom para a 'fogueira' que entrou em sua estreia pelo Peixe, sem ritmo e sem entrosamento. - 6,0
(Uribe): Não tem bola para jogar no Santos. A bola não chegou nele neste jogo, mas quando chegou em outras não aproveitou a oportunidade. - 5,0
Alison: Distribuiu melhor a bola e marcou com mais eficácia do que nos últimos jogos que atuou. Teve que se desdobrar sem Pituca, porque em resumo, era o único com capacidade de marcação no setor. - 6,0
Sánchez: Em minha opinião foi o principal jogador da competição, na primeira metade do primeiro turno. Porém, apesar de bom jogador, não é craque e mesmo querendo, no alto de sua experiência, não consegue chamar a responsabilidade para si. - 6,0
(Felipe Jonathan): Entrou bem e deu pulmão e qualidade do lado esquerdo do campo. Sigo sem entender Sampaoli que tem dois bons alas-esquerdos e preferiu improvisar. A primeira substituição tinha de ser o camisa 36 e não Uribe ou Cueva. - 6,0
Jorge: O jogador que menos rendeu entre os 11 titulares do Santos. Quase nenhuma participação. Falta explosão física para atuar no setor que mais se exige pulmões. Nem seus ótimos dribles curtos foram vistos no estádio Mário Filho. Teve uma chance após cruzamento de Marinho e furou na hora do chute. - 4,5
Soteldo: Demorou para entrar no jogo, mas quando entrou, principalmente na primeira etapa, deu trabalho. - 6,0
Sasha: No setor ofensivo, não teve chances de finalizar, muito também pelo fato de a bola não ter chegado. Errou o passe que deu origem ao único gol da partida. Porém, a bola foi perdida no primeiro terço do campo e percorreu outros dois - nomeio e defesa. - 5,0
(Cueva): Sigo aguardando sua estréia. Jogou 1/4 do jogo e pouco apareceu. Até aqui um fiasco de contratação, principalmente pelos valores envolvidos. - 5,0
Marinho: Durante a primeira metade do primeiro tempo foi o único jogador que levou perigo a defesa flamenguista. Depois, caiu de rendimento. - 6,0
Técnico: Jorge Sampaoli: Sua estratégia não foi errada, porém não teve ousada. Sofre com carências de talentos em determinadas posições. Foi prejudicado com os erros individuais que decretaram o gol que deu a vitória aos mandantes. Não entendi a improvisação de Luan Peres pela canhota, já que tem dois jogadores de qualidade nessa posição. Deixa a impressão para não dizer, falta de confiança total, em ambos. Perdi o 'tesão' e a paciência, quando colocou quase que de uma só vez Uribe e Cueva, sem dar nova chance a Venuto, que entrou bem diante dos paranaenses do Athlético. - 5,5

strutura.com.br

 

Copyright © Ademir Quintino All Rights Reserved • Design by