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QUEM TEM RAZÃO NO CASO NEYMAR?


Publicado às 08h40 desta sexta-feira, 6 de janeiro de 2017.
O caso Neymar ainda dá o que falar. O presidente do Barcelona, Josep Maria Bartomeu, e seu antecessor, Sandro Rosell, declararam à Justiça da Espanha, nesta semana, que fecharam a contratação do jogador, em dezembro de 2011 e não em 2013, quando o atacante deixou o Peixe, em definitivo. A joia revelada na Vila tinha contrato com o alvinegro até agosto de 2014, entretanto, os espanhóis confirmam que efetuaram um depósito de 10 milhões de euros, quase dois anos e meio antes do jogador se transferir.

Segundo as regras da entidade máxima do futebol mundial, a Fifa, um jogador só pode assinar com outro clube quando faltar menos de seis meses para o fim de seu contrato. Para alguns, a autorização emitida pelo ex-presidente Luís Álvaro Oliveira Ribeiro autorizava a família de Neymar a negociar, mas não a fechar ou receber qualquer valor em espécie com qualquer clube.

As declarações dos últimos presidentes do clube espanhol Bartolomeu e Rosseu foram dadas durante uma investigação da Agência Tributária espanhola, órgão responsável pelo fisco do país. O ex-presidente reconheceu a existência da negociação em 2014, fato confirmado por Bartolomeu no ano seguinte. O caso havia sido encerrado depois que o time catalão aceitou pagar uma multa de 6 milhões de euros.
"Foi um contrato para amarrar. É um contrato como se fosse ...não um pagamento antecipado, mas quase um pagamento antecipado para assegurar que o jogador não jogasse para outro time” se contradisse Bartolomeu.
André Cury, representante do Barcelona no Brasil (à esquerda).
O representante do Barcelona no Brasil, André Cury, em entrevista ao Esporte Interativo, afirma que a transação foi toda correta em razão do estafe do craque ter a tal carta do então presidente santista:
"Fizemos uma transação legal, 100% dentro da lei. Quando pedimos a permissão e o Santos dá ao Neymar a condição dele assinar com qualquer entidade esportiva, não só com a gente; o Santos sai da proteção da Fifa. Quando o clube deu a carta, ele autoriza. O Barcelona não assinaria com o Neymar sem a autorização do Santos" afirma.
Segundo Cury, o problema com o Santos é de uma política interna do clube. Convocada pela Justiça da Espanha para prestar depoimento, a advogada do clube praiano, Fatima Bonassa, declarou que o Santos foi enganado por Neymar e pelo pai na transação com o Barcelona, ocorrida em 2013 e alega que valores foram ocultados da transação, e que o Santos tomou conhecimento da negociação paralela da família do craque, quando o acerto com o Barcelona já havia se consumado.

Odílio Rodrigues, ex-presidente do Santos.
O Blog do ADEMIR QUINTINO procurou dirigentes que comandavam o clube na época da negociação. Um deles foi Odílio Rodrigues Filho, vice-presidente do clube em 2011 e que assumiu a presidência, após problemas de saúde com LAOR. Ele falou sobre o assunto:
"Eu não sabia dessa carta. Fomos surpreendidos. O pai do jogador sempre negou que tinha recebido dinheiro antecipado. Em 2013, quando divulgamos que havíamos vendido o Neymar por 17 milhões de euros e duas semanas depois, o Barcelona disse que tinha investido 57 milhões de euros, no total, fizemos um comunicado oficial e perguntamos onde estavam os outros 40 milhões. Recebemos a resposta e está no clube. Eles responderam  dizendo que haviam outros investidores." afirmou.
Odílio também acredita que foi vantajosa a manutenção de Neymar na Vila nos anos de 2012 e 2013, mas rebate alguns dos valores ditos pelo representante do clube catalão no país:
"Eu defendi a renovação. Foi mais vantajoso para o clube, mesmo com a exigência do pai do Neymar, que só assinaria um novo vínculo se ele fosse apenas até agosto de 2014 (anteriormente era fevereiro de 2015). Só contesto alguns dos valores ditos pelo Cury, já que recebemos apenas uma vez os R$ 10 milhões da Globo, após uma reunião à parte e não era todo o ano, na renovação de contrato até 2018. Além disso, o Santos passou a receber apenas 10% dos contratos do Neymar e não 30% da imagem como era no contrato anterior". disse o presidente santista do fim de 2013 à dezembro de 2014. 
O representante do Barcelona Brasil afirma que a renovação de Neymar foi o melhor negócio que o Santos realizou e acusa o ex-presidente Luís Álvaro de acertar a venda de Neymar em 2011 e em seguida desistir. 
"O jogador estava atrás de um sonho e não de dinheiro, pois o Real Madrid dava 70 milhões de euros a mais para ele e 20 milhões ao Santos. O Barcelona tentou comprar o Neymar por 55 milhões de euros e o presidente Luís Álvaro que apertou a minha mão e concordou, voltou atrás, desistiu do negócio e renovou com ele até 2014. Sabe por quê? O Neymar rendia R$ 40 milhões por ano ao Santos. A emissora de TV dava R$ 10 milhões a mais, o clube tinha 30% da imagem pessoal que dava uns R$ 15 milhões e outros 15 da mangas e do centro (patrocinador master) do uniforme. A conta é simples. Se vendessem o jogador ficavam com R$ 110 milhões e com ele aqui, ficavam com R$ 120 milhões em três anos e ainda tinha ele. O problema é que tem uma briga política no Santos, saiu a gestão do Luís Álvaro e entrou essa nova e tudo que eles assinaram e receberam por isso, agora dizem que não vale" disparou o representante do Barcelona, André Curi.
Fernando Silva foi superintendente entre 2010 e 2011.
O Blog também manteve contato com o Superintendente de futebol santista a época, Fernando Silva que garantiu ter participado apenas de uma parte das etapas da renovação. O dirigente deixou o clube em 2011, após o Mundial de clubes.  
"Essa negociação da renovação do contrato tem algumas fases. Eu participei apenas da primeira que foi quando voltamos de um jogo do Santos, em Santa Catarina e tivemos uma reunião na residência de um dos executivos do Grupo Guia (Gestão Unificada de Inteligência e Apoio) e a renovação aconteceu. À partir dai, alguns representantes desse grupo e o presidente Luís Álvaro me retiraram desta negociação, quando apareceu a carta que deu a autorização para o Pai do Neymar negociar o filho" disse Fernando ao Blog.
O superintendente santista disse que tinha outro plano para a renovação do camisa 11 do Peixe.
"Eu participei de uma estratégia de negociação com o Neymar com o compromisso de vendê-lo com uma multa de 100 milhões de euros que seriam divididos proporcionalmente entre o jogador e o Santos, com compromisso de liberá-lo após a Copa do Mundo, no Brasil, em 2014. À partir disso, pegaram uma parte da ideia e me colocaram fora da negociação que foi conduzida pelo Luís Álvaro, por elementos do Guia e posteriormente pelo Comitê de Gestão, após a reeleição do LAOR e por fim, o Odílio." garantiu Fernando.
Fernando também concorda que foi benéfico Neymar ficar por mais dois anos no clube. O homem do futebol de LAOR no seu primeiro mandato, disse que o craque fez com que o torcida santista aumentasse, principalmente entre os mais jovens. Silva revela que esteve em Barcelona, nesta época, mas em nenhum momento chegou a negociar com o clube catalão.
"Fui para a Espanha acompanhar o sub 20 do Santos num torneio de verão e não encontrei com ninguém representante de nenhum clube e nem tinha autorização para isso. Quanto o que o André Cury diz, exceção aos números que são um pouco diferentes, era a ideia geral que eu apresentei, porque o Neymar além de representar um valor em dinheiro, também representava um valor intangível que era o crescimento da nossa torcida. Ele trouxe milhares de torcedores de 5,6,7,8,9 anos que começaram a ser Santos exclusivamente por causa do carisma do jogador. Aliado as receitas reais que ele trazia, foi tomado a decisão de renovar o contrato dele. E para o Santos não ficar na dependência de seis meses antes de finalizar o vínculo, o jogador poder se desinteressar pelo clube, far-se-ia um novo contrato com duração de quatro anos" revelou.
Antes de falecer, após o fim da temporada 2015, o ex-presidente Luís Álvaro deu entrevista ao Blog do ADEMIR QUINTINO onde alegou que documento escrito em 2011, não tinha valor legal e que não dava o direito do pai do atleta em negociar com outros clubes. Na ocasião, o cartola avalia que  a tal carta dava permissão apenas para que ele conversasse com os interessados no atacante.

O fato é que existe uma grande batalha jurídica, onde o maior prejudicado é a instituição Santos FC, que tinha um dos melhores, se não o melhor jogador do mundo e no momento de vendê-lo, apos revelar o talento em suas categorias de base, realizar investimentos, ficou com a menor parte desses valores. Outros jogadores de menor quilate, negociados por outros clubes brasileiros ao exterior tiveram muito maior retorno financeiro no momento da venda.

 

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