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"O PATROCINADOR MASTER É UMA BUSCA DIÁRIA"

Publicado às 18h50 desta sexta-feira, 18 de março de 201
Desde setembro do ano passado, o Santos tem um novo Executivo para gerir o departamento de marketing. Com passagens por Flamengo e SCCP, Eduardo Rezende tem a missão de promover ações e fechar patrocínios para o clube.

O profissional está no mercado há 12 anos, e no Peixe foi responsável pelos acordos e parcerias da Helios, Panasonic, Semp Toshiba, Herbalife, Banco BMG e a montadora Chery,  alem da Hypermarcas ao SCCP e Flamengo; sem contar Guaraviton a alguns clubes cariocas. O funcionário do Peixe falou com exclusividade nesta sexta-feira (18) ao Blog do ADEMIR QUINTINO

Blog do ADEMIR QUINTINO: O Santos fez uma boa escolha em ter material próprio dos uniformes?
Edu Rezende: "Olha, é de fato uma aposta e quebra de paradigma. O Santos sai na frente e deixou a mesmice, o lugar comum de lado. Um dos pontos positivos é de fato o controle da gestão do material esportivo. O clube está buscando, sem dúvida, o melhor negócio. Quando falamos em melhor negócio, não levamos em consideração apenas o lucro de curto prazo, mas de que forma estamos construindo um projeto consistente e perene, que possa crescer de forma sólida, agregando valor à marca e lucros crescentes ao longo dos anos".
AQ: De que forma?
ER: "Entendemos que a marca Santos, possui um enorme valor, e não deveríamos continuar licenciando o material esportivo nas bases que vinham sendo realizadas no mercado. O clube passa a ficar com uma parte maior do resultado. O nosso torcedor, ao comprar o nosso produto oficial, estará contribuindo diretamente para que o Santos cresça e torne-se cada vez mais competitivo"
AQ: Qual a possibilidade de lucro em números?
ER: "Tomando como base as últimas quatro temporadas em termos de volume de vendas, estamos prevendo um lucro já no primeiro ano entre R$ 6 a 8 milhões de reais, podendo até ser superada esta projeção, sabendo que a compra é muito definida no momento de alta temperatura, conquistas e claro, a economia do país"
Edu Rezende está no Peixe desde setembro de 2015.

AQ: Patrocínio Master. O Santos não tem há três anos. Como andam e quais as possibilidades de ter um em breve?
ER"Este assunto é bem complexo e de fato uma busca diária. Sabemos a necessidade, e o que significa hoje em termos de marketing, ter um grande parceiro ostentando a sua marca na nossa camisa. Eu enxergo este processo de forma bem ampla".
AQ: Explique de que forma enxerga?
ER"Entendo que não vendemos espaço ou propriedade de mídia, estamos falando de algo muito maior, uma relação entre marcas, empresas e seus produtos com o seu cliente através da plataforma Santos FC. Vendemos emoção, relacionamento, valor agregado de marca e claro, visibilidade e toda a nossa plataforma digital, fazendo com que a relação entre patrocinador/produto e seus clientes esteja aquecida".
AQ: Qual o maior desafio na luta pelo patrocínio master? 
ER:"O nosso desafio é levar este valor agregado de marca ao mercado, o chamado intangível. O tangível é representado pelas entregas de visibilidade e digitais que são medidas tecnicamente. Neste cenário, iniciamos um plano estratégico de marketing ao clube, realizando um projeto de “branding”, ou seja, um panorama de como a nossa marca Santos está sendo percebida e posicionada no mercado. Estes indicativos são muito importantes para separar definitivamente preço de valor, quando estamos buscando parcerias ou patrocínios ao clube".
AQ: Mas a crise que o país atravessa, não atrapalha esse planejamento?
ER"Não gosto de falar em crise ou dificuldade pela economia, mas não podemos negar que o processo decisório de grandes empresas está cada vez mais técnico e moroso, em função da instabilidade política que vivemos. Com o tempo, aprendemos a respeitar e entender a velocidade ou “timming” das empresas e do nosso universo/mercado. Estamos buscando parceiros com sinergia, mas não podemos citá-los para não atrapalhar a negociação".
AQ: Pra finalizar, com a sua experiência no mercado, dá pra dizer em quanto tempo o Santos conseguirá um patrocinador master, até porque você cita na última resposta que negociam com algumas empresas, mas não pode citar. É ou não uma utopia, conseguir algo nessa crise?
ER: "Não é utopia, mas é muito difícil prever. O país está na espera do que vai acontecer. Eu sou como aquele centroavante que acredita que a bola vai entrar, sempre, mas de fato, o panorama, nestes 12 anos de experiência que eu tenho, é uma questão de termomêtro de mercado. No futebol, as coisas acontecem fora da curva. Quando achamos que o tempo vai ficar feio, aparece o céu e vice-versa. São patrocinadores que do nada resolvem investir, outras marcas que já estão no futebol e retrocedem, então tem questões que fogem do comum no mercado. As características do mundo da bola são diferentes. Apostar numa data, eu seria irresponsável, mas posso te dizer e também aos teus leitores, a nuvem já está meio que passando e pelas conversas que temos, algumas empresas já enxergaram o potencial do futebol e creio que em breve teremos essa boa notícia para todo mundo".
 
 

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