FOTO CAPA

UMA DÉCADA DO OCTO

Publicado ás 07h34 desta sexta-feira, 19 de dezembro de 2014.
Há exatos dez anos, 19 de dezembro de 2004, o Santos sagrou-se Campeão Brasileiro pela oitava vez em sua história. A conquista aconteceu no Estádio Benedito Teixeira em São José do Rio Preto. O campeonato era de pontos corridos e na última partida, o Peixe bateu o Vasco por 2 a 1 e deu a volta olímpica com gols de Ricardinho e Elano.

O mando de campo era do alvinegro, porém, punido devido a um copo de água arremessado na partida em que o time goleou o Vitória-BA por 4 a 1, no estádio da Vila Belmiro, o duelo decisivo foi transferido para uma "festa no interior".

A motivação santista cresceu ainda mais para a última rodada quando a mãe do atacante Robinho foi libertada de cativeiro (ela havia sido sequestrada), dois dias antes da decisão, e o jogador acabou reintegrado ao time no último jogo, conquistando escalação para a final. E Robinho, que ficou 50 dias afastado da equipe foi a campo com a sua famosa camisa 7.

A declaração do técnico Levir Culpi, a época no Atlético-PR, que liderou o campeonato até a penúltima rodada, de que estaria no "piloto automático" rumo ao título, irritou os atletas santistas que se sentiram menosprezados. Foi um combustível para superar o adversário em busca do título.

Os campeões brasileiros foram a campo com Mauro; Paulo César, Ávalos, Leonardo e Léo; Fabinho, Preto Casagrande, Ricardinho e Elano (Marcinho); Robinho (Basílio) e Deivid (Willian). 

O Santos jogou 46 vezes nesta competição. Venceu 27, empatou 8 e perdeu 11 com um ataque arrasador de 103 gols.

Eu, particularmente, vivi um drama particular. Meu único filho  com apenas dois anos de idade tinha cirurgia de amigdalas e adenóide para o dia seguinte em Campinas. Vi o Andrey, viajei no sábado para Rio Preto e pedi para que DEUS amparasse meu guri. Acabado o jogo, fiz minhas reportagens e imediatamente ao fim do trabalho, nem comemorei a conquista. Peguei um ônibus, desci na Via Anhanguera, em seguida um taxi e direto para o hospital, onde ainda consegui dar um beijo no meu menino, antes dele entrar para a sala de cirurgia. Sem dormir, aguardei pacientemente ele voltar para o leito após muitas horas, para somente depois de tudo isso, poder descansar um pouco. Não podia ficar de fora da decisão e muito menos ser irresponsável como pai.   

Para não dizer que não falei das flores, já passou da hora de o alvinegro conquistar o Campeonato Brasileiro novamente. A última campanha honrosa nesta competição foi no distante ano de 2007, quando foi vice-campeão.

Santos 2 x 1 Vasco
Local: Estádio Benedito Teixeira, em São José do Rio Preto
Competição: Campeonato Brasileiro
Público: 36.426 pagantes
Renda: R$ 529.190,00
Árbitro: Leonardo Garciba (RS)
Auxiliares: Sérgio Buttes Cordeiro Filho (RS) e Paulo Ricardo Silva Conceição (RS)
Gols: Ricardinho, aos 5min, e Elano, aos 30min do primeiro tempo; Marco Brito, aos 16min do segundo tempo
Cartões Amarelos: Ygor e Elano
Santos: Mauro; Paulo César, Ávalos, Leonardo e Léo; Fabinho, Preto Casagrande, Ricardinho e Elano (Marcinho); Robinho (Basílio) e Deivid (William). Técnico: Vanderlei Luxemburgo
Vasco: Everton; Henrique, Fabiano (Gomes) e Daniel; Claudemir, Ygor, Coutinho, Júnior (Rubens), Rodrigo Souto (Rafael) e Diego; Marco Brito. Técnico: Joel Santana


NOTAS DOS PERSONAGENS NA CAMPANHA VITORIOSA

Mauro: Não era fora de série, porém, bem mais regular do que o chileno Tápia - 6,5 
Paulo César: Um dos melhores laterais destros da história do Santos. Cruzava como poucos - 8,5
Ávalos: O arroz com feijão bem temperado. Muito regular durante a competição - 7,0
Leonardo: Entrou na vaga de André Luiz nas últimas partidas - 6,5
Léo: Não reeditou o fantástico campeonato vitorioso de 2002, mas também foi importante na conquista - 7,5
Fabinho: Bom ladrão de bola - 6,5 
Preto Casagrande: Não era craque, mas nas mãos de Vanderlei viveu seu grande momento no futebol. Ganhou a posição e no losangulo do meio-campo era fundamental - 7,5
Ricardinho:Precisava se recuperar para o futebol após a fracasada ida para o São Paulo. Conseguiu - 7,5
Elano: Alternou altos e baixos na competição. Assim como em 2002, marcou gol no último jogo - 7,5
(Marcinho): Entrava bem em quase todas as partida. Sumiu após a conquista - 7,0 
Robinho: Fazia um campeonato sensacional até o sequestro da mãe. Cheguei a ouvir do próprio Luxemburgo que sem ele não dava para ganhar o campeonato - 9,0 
(Basílio): Não era craque, mas a garra, a velocidade e a disposição foram além do que ele podia render - 8,5
Deivid: O que esse centroavante teve de gol anulado nesse campeonato, além dos 21 que ele marcou (mesmo número de Robinho) foi uma grandeza - 8,0
(William): Voluntarioso e mais rodado que em 2002. Foi essencial em algumas viradas do Santos na caça ao Atlético-PR - 7,0
Técnico: Vanderlei Luxemburgo: Trocar um time inteiro durante a competição e torná-lo campeão no mesmo ano, com sequestro da mãe do principal jogador não é pra qualquer um. Vanderlei tem uma das melhores leituras de jogo do país. Ele se perdeu um pouco na carreira quando quis abraçar tudo, ter negócios foras do futebol e etc. Se tiver a dedicação exclusiva apenas como treinador, dificilmente alguém consegue ser melhor - 8,5


 

Copyright © Ademir Quintino All Rights Reserved • Design by